Alcolumbre segura votação do fim da escala 6×1 e deixa bandeira de Lula para depois das eleições

Alcolumbre segura votação do fim da escala 6×1 e deixa bandeira de Lula para depois das eleições
Davi Alcolumbre marca reunião para discutir tramitação do fim da escala 6x1 no Senado

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), tem ignorado os apelos de lideranças do governo Lula para colocar em votação o projeto que estabelece o fim da escala 6 por 1, aprovado pela Câmara dos Deputados em maio. Apesar de uma tentativa de reaproximação com o Palácio do Planalto, aliados do senador indicam, segundo apuração da Fonte 1, que a matéria só será discutida após as eleições de outubro, quando o cenário da corrida presidencial já estiver definido. A manobra transforma uma das principais bandeiras da campanha de reeleição de Lula em moeda de troca política no Legislativo.
Alcolumbre adia votação de pauta-chave do fim da escala 6×1
Lideranças do governo Lula têm pressionado Alcolumbre a pautar o projeto que prevê jornada de trabalho de 40 horas semanais distribuídas em cinco dias, com dois de descanso. A proposta foi aprovada pela Câmara em maio, mas está parada no Senado desde então, sem qualquer sinalização concreta do presidente da Casa sobre seu encaminhamento.
Quando provocado sobre o tema por parlamentares da base governista, Alcolumbre tem desviado da resposta. A um influente parlamentar aliado do governo, o senador foi direto ao ponto: “A culpa é do Lula, que ficou 90 dias sem falar comigo”, segundo apuração da Fonte 1. A fala revela que o impasse vai além de agenda legislativa e carrega o peso de um rompimento pessoal entre os dois.
O afastamento durou três meses e teve origem na derrota que Alcolumbre impôs ao candidato de Lula ao Supremo Tribunal Federal, o advogado-geral da União Jorge Messias. Um jantar na casa do ministro Alexandre de Moraes, revelado pela colunista Bela Megale, de O Globo, marcou o primeiro encontro dos dois após o rompimento. Segundo aliados do senador, o fim da escala 6 por 1 só será discutido no Senado após as eleições de outubro, com o cenário presidencial já definido, de acordo com a Fonte 1.
Os bastidores da decisão de Alcolumbre
O cálculo de Alcolumbre é movido por dois vetores simultâneos, segundo a Fonte 1: a pressão de empresários nos bastidores contra a aprovação do texto, preocupados com o impacto econômico da medida, e o fato de o projeto ter se tornado uma bandeira eleitoral de Lula com forte adesão popular.
O jantar descrito por aliados como uma “lavagem de roupa suja” foi dedicado exclusivamente ao motivo do rompimento entre os dois, sem avanço sobre pautas do governo. A resistência de Alcolumbre permanece intacta, conforme a Fonte 1.
A postura do senador foi resumida com clareza por um de seus aliados, ouvido pela Fonte 1: “Alcolumbre não vai dar esse presente assim de mão beijada pro Lula. Lula vai ter que ganhar a eleição sem isso. Depois, leva [a aprovação do fim da escala].”
“Alcolumbre não vai dar esse presente assim de mão beijada pro Lula. Lula vai ter que ganhar a eleição sem isso. Depois, leva [a aprovação do fim da escala].”
A frase sintetiza a instrumentalização de uma pauta com 69% de aprovação popular, segundo pesquisa Quaest de julho, como ferramenta de barganha entre o Legislativo e o Executivo em pleno ano eleitoral.
Repercussões e o cenário eleitoral
A campanha de Lula já antecipou o impasse ao incluir o tema em seu plano de governo. Nas 84 páginas do documento divulgado recentemente, a candidatura afirma que, se reeleito, o presidente manterá a “ação junto ao Senado Federal para assegurar o fim da escala 6×1 e a redução da jornada de trabalho para 40 horas, sem redução salarial, nos termos aprovados na Câmara dos Deputados.” A formulação reconhece, nas entrelinhas, que a aprovação não está garantida antes do pleito.
Do lado oposto, o candidato do PL à Presidência, senador Flávio Bolsonaro, que aparece em segundo lugar nas pesquisas de intenção de voto, classifica o projeto como “eleitoreiro” e estima um impacto de 50 bilhões de reais por ano nos municípios caso seja aprovado na forma atual. Bolsonaro também criticou Alexandre de Moraes, chamando-o de “grande articulador político de Lula”, e demonstrou irritação com a articulação de Alcolumbre para que a federação União Brasil-Progressistas se mantivesse neutra em sua candidatura à Presidência.
O cenário coloca trabalhadores que dependem da aprovação do projeto como reféns de um jogo em que a pauta social serve de ficha de negociação entre elites políticas. Com as eleições de outubro se aproximando e o Senado travado, a promessa de menos horas de trabalho segue suspensa entre o plenário da Câmara, onde foi aprovada, e a mesa do presidente do Senado, onde aguarda uma decisão que, por ora, é deliberadamente adiada.

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