Câmara instala comissão para debater redução da maioridade penal, mas votação deve ficar para depois das eleições

Câmara instala comissão para debater redução da maioridade penal, mas votação deve ficar para depois das eleições
Câmara dos Deputados pode ter baixo índice de renovação. Emendas Parlamentares. Congresso ; Redução da maioridade...

A Câmara dos Deputados instalou nesta quarta-feira (12) a comissão especial que analisará a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que reduz a maioridade penal de 18 para 16 anos. O presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), formalizou na véspera a criação do colegiado e indicou o deputado Aluísio Mendes (Republicanos-MA) para a presidência e o deputado Mendonça Filho (PL-PE) para a relatoria. Apesar da movimentação institucional, aliados de Motta e líderes da Câmara confirmam que a votação da proposta no plenário não deve ocorrer antes do pleito de outubro, em uma estratégia deliberada de evitar que o tema controverso contamine o debate eleitoral.
Câmara instala comissão para debater redução da maioridade penal
A reunião de instalação do colegiado foi marcada para as 14h desta quarta-feira (12), após Motta assinar o ato de constituição na terça (11) e publicá-lo no Diário da Câmara. O deputado Aluísio Mendes (Republicanos-MA) assume a presidência do colegiado, nome anunciado por Motta ainda em julho. A relatoria ficou com Mendonça Filho (PL-PE), parlamentar do PL que já havia sido relator da PEC da Segurança Pública.
A comissão terá como objeto principal a PEC nº 32/2015, de autoria do ex-deputado Gonzaga Patriota, e outras duas propostas apensadas. O texto altera os artigos 14 e 228 da Constituição para fixar a maioridade civil e penal aos 16 anos, tornando penalmente imputáveis jovens a partir dessa idade. Atualmente, o artigo 228 da Constituição estabelece que menores de 18 anos são inimputáveis e sujeitos à legislação especial.
Votação adiada: cautela em ano eleitoral
A instalação da comissão não significa avanço imediato da proposta. Segundo aliados de Motta e líderes da Câmara, a votação da PEC no plenário não deve ocorrer antes das eleições de outubro. A previsão é realizar audiências públicas em setembro, votar o relatório na comissão entre o fim de novembro e o início de dezembro e só então encaminhar o texto ao plenário.
O próprio Motta considera o tema sensível e avalia que qualquer debate sobre a redução da maioridade penal precisaria vir acompanhado de uma revisão mais ampla do sistema penitenciário. A estratégia do presidente da Câmara tem sido permitir que pautas de diferentes bancadas avancem nas comissões sem que ele assuma compromisso com a votação definitiva de temas que possam gerar desgaste em período eleitoral. O resultado prático é que a pauta conservadora ganha visibilidade sem que seus defensores precisem enfrentar, agora, o ônus político de uma derrota ou de uma aprovação polêmica.
O histórico da proposta e a controvérsia
A PEC nº 32/2015 teve a admissibilidade aprovada pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara em junho, por 44 votos a 18. Governistas argumentaram durante a votação que a proposta desfigura direito fundamental previsto na Constituição, trecho considerado cláusula pétrea e, portanto, impassível de alteração por emenda.
A trajetória recente da proposta passa diretamente por Mendonça Filho. O deputado também foi relator da PEC da Segurança Pública, aprovada pela Câmara em março, e chegou a incluir no texto a redução da maioridade penal. A medida enfrentou resistência por ser considerada um dos pontos mais controversos da pauta, e Motta atuou para retirá-la do texto, argumentando que sua presença poderia inviabilizar a aprovação da proposta no Senado. Em troca, comprometeu-se a criar uma comissão específica para o tema, o que se concretizou agora.
A proposta é defendida principalmente por parlamentares da direita, mas enfrenta forte resistência de setores que apontam riscos de encarceramento precoce e questionam sua eficácia para reduzir a criminalidade.
O relator já sinalizou que pretende promover um debate amplo antes de apresentar o parecer. Uma das possibilidades em discussão é restringir a redução da maioridade penal a adolescentes a partir dos 16 anos envolvidos em crimes hediondos, em vez de aplicar a mudança de forma geral. O tema, portanto, volta à pauta com Mendonça Filho novamente à frente, mas com a votação estrategicamente adiada para um momento em que o calendário eleitoral já não imponha riscos imediatos aos parlamentares que a apoiam.

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