O Brasil tem a menor representação feminina na política entre os países da América Latina e ocupa a 134ª posição em um ranking de 183 nações. A conclusão é de um estudo do Instituto Esfera divulgado nesta quinta-feira (13), que analisou dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), do Senado e do Observatório Nacional da Mulher na Política.
A pesquisa mostra que o aumento do número de mulheres nas urnas não se refletiu na mesma proporção nos mandatos. Entre 1998 e 2022, as candidaturas femininas à Câmara dos Deputados saltaram de 358 para 3.668, alta de cerca de 925%. No mesmo período, o número de eleitas passou de 29 para 91. Em 2022, elas ficaram com 17,7% das 513 cadeiras da Casa.
O cenário municipal também revela a distância da paridade. Em 2024, foram eleitas 10.649 vereadoras, equivalentes a 18,2% do total. Apesar do avanço em relação a 2020, mais de 3 mil câmaras municipais terminaram a eleição sem nenhuma mulher escolhida para o cargo de vereadora.
As cotas de gênero começaram a ser adotadas no Brasil em 1995 e foram consolidadas pela Lei das Eleições, de 1997. Atualmente, os partidos precisam preencher ao menos 30% das candidaturas proporcionais com pessoas de cada sexo. O estudo sustenta, porém, que a existência da cota de candidaturas não garante, sozinha, maior presença feminina nos cargos eletivos.
A diferença aparece com força na comparação internacional. Cuba tem 53,4% das cadeiras parlamentares ocupadas por mulheres e o México, cerca de 50%. No México, a legislação avançou para um sistema de paridade entre homens e mulheres e, em 2024, o país elegeu Claudia Sheinbaum, sua primeira mulher presidente.
Entre as medidas sugeridas pelo Instituto Esfera estão maior fiscalização do dinheiro destinado às candidaturas femininas, combate mais rápido às candidaturas fictícias, punição à violência política de gênero e adoção de listas partidárias com alternância obrigatória entre homens e mulheres.
A pior posição da América Latina: Brasil fica em 134º lugar em ranking global de mulheres na política
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