Faixa antifascista é estendida na USP antes de evento com Renan Santos

Faixa antifascista é estendida na USP antes de evento com Renan Santos
- Foto Reprodução UNE

Renan Santos, candidato do partido Missão à Presidência da República, será recebido no Largo São Francisco, em São Paulo, com uma faixa de teor antifascista. A União Nacional dos Estudantes (UNE) e alunos da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP) estenderam na fachada do prédio histórico a mensagem “Universidade Território Antifascista” antes do primeiro ato de campanha do ex-líder do MBL no local.
O evento de Renan Santos está marcado para domingo (16), primeiro dia autorizado para a propaganda eleitoral nas ruas e na internet. O candidato escolheu o Largo São Francisco, onde estudou Direito e iniciou sua trajetória na política estudantil, para abrir oficialmente sua campanha presidencial. A mobilização contrária reúne estudantes, UNE, União Estadual dos Estudantes (UEE) e integrantes de outras entidades e movimentos.
Faixa antifascista marca reação da USP a Renan Santos
A faixa foi exibida na entrada da Faculdade de Direito da USP com a inscrição “Universidade Território Antifascista”. A manifestação ocorre em meio à reação de estudantes ao anúncio de que Renan Santos pretende utilizar o parlatório do Largo São Francisco para seu primeiro grande ato eleitoral.
Na noite de quinta-feira (13), estudantes também realizaram um protesto dentro da faculdade. Participaram representantes da UNE, da UEE, da União da Juventude Socialista (UJS), além de integrantes de sindicatos e movimentos sociais.
Durante o ato, manifestantes criticaram Renan Santos e a presença da extrema direita no ambiente universitário. A presidente do Centro Acadêmico XI de Agosto, Rita Lara, afirmou que os estudantes não aceitariam que esse campo político ocupasse o Largo São Francisco.
“A gente não vai deixar que a extrema direita ocupe nosso largo, o espaço dos estudantes.”
A presidente estadual da UNE, Bianca Borges, também associou o protesto à tradição democrática da Faculdade de Direito e criticou projetos políticos que, na avaliação da entidade, atacam a educação pública, a ciência e os movimentos sociais.
Renan Santos volta ao Largo São Francisco como candidato
A escolha do local por Renan Santos tem caráter simbólico. O candidato ingressou no curso de Direito da USP em 2003 e começou ali sua atuação na política estudantil, inclusive no ambiente do Centro Acadêmico XI de Agosto. Ele deixou a graduação antes de concluir o curso.
Anos depois, Renan se tornou um dos fundadores e principais dirigentes do Movimento Brasil Livre (MBL). Em 2026, disputa a Presidência pelo Missão, legenda criada a partir do mesmo campo político e que tenta se apresentar como alternativa ao bolsonarismo na direita.
A campanha pretende reunir cerca de duas mil pessoas no Largo São Francisco e utilizar o parlatório do prédio da Faculdade de Direito para o discurso do candidato. Renan chegou a divulgar nas redes sociais uma montagem em que uma bandeira gigante com seu rosto aparece sobre a fachada da instituição.
Em outra publicação, a campanha escreveu que a USP já teria “elegido 13 presidentes” e que estaria na hora de “eleger o 14º”. A provocação aumentou a reação de estudantes e entidades que atuam na universidade.
Largo São Francisco tem histórico de atos pela democracia
A disputa pelo espaço ocorre em um dos locais mais simbólicos da história política brasileira. A Faculdade de Direito da USP, fundada em 1827, registra em sua própria história institucional uma longa participação em movimentos democráticos.
Em agosto de 2022, durante o governo Jair Bolsonaro, o Largo São Francisco recebeu a leitura da “Carta às Brasileiras e aos Brasileiros em Defesa do Estado Democrático de Direito”. O documento reuniu juristas, professores, estudantes, trabalhadores, empresários e representantes da sociedade civil contra ameaças ao sistema democrático.
A própria Faculdade de Direito da USP registrou o ato como uma mobilização em defesa da democracia e das garantias constitucionais.
O Centro Acadêmico XI de Agosto também aparece na história oficial da instituição como participante de mobilizações políticas e democráticas, entre elas campanhas por eleições diretas e outros movimentos nacionais.
Renan Santos disputa espaço com o bolsonarismo
O ato ocorre enquanto Renan Santos tenta ampliar sua presença na eleição presidencial e disputar parte do eleitorado de direita hoje concentrado em Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
A rivalidade entre os dois candidatos aumentou nas últimas semanas. A Fórum mostrou que Renan chamou Flávio Bolsonaro de “fraco” e elevou o tom contra o candidato do PL durante a pré-campanha.
A tensão chegou a outro patamar nesta semana após Flávio aparecer no sistema da Justiça Eleitoral como filiado ao Missão. A alteração irregular provocou um impasse temporário no registro de sua candidatura presidencial.
Em entrevista repercutida pela Fórum, Renan Santos afirmou possuir elementos sobre a origem da filiação de Flávio Bolsonaro ao Missão. O caso passou a ser investigado depois que o vínculo do senador com o PL foi restabelecido.
Agora, antes mesmo de subir ao parlatório onde pretende lançar sua campanha, Renan encontra no prédio em que iniciou sua trajetória política uma resposta explícita dos estudantes: “Universidade Território Antifascista”.

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