Gleisi aciona PGR contra Júlia Zanatta por disseminar fake news sobre vacinação infantil

Gleisi aciona PGR contra Júlia Zanatta por disseminar fake news sobre vacinação infantil
- Deputada bolsonarista Júlia Zanatta - Foto: Reprodução/Instagram

A deputada federal Gleisi Hoffmann (PT-PR) protocolou, nesta quarta-feira (12), uma notícia de fato na Procuradoria-Geral da República (PGR) contra a também deputada federal Júlia Zanatta (PL-SC) por uma campanha pública e reiterada de desinformação sobre vacinação infantil.
A parlamentar petista pede que a PGR investigue incitação ao descumprimento de medidas sanitárias e levante dados sobre o alcance e o possível financiamento das postagens. Zanatta nega as acusações.
De acordo com a representação, a questão deve ser analisada a partir do princípio constitucional da proteção integral e da prioridade absoluta de crianças e adolescentes, que impõe à família, à sociedade e ao Estado o dever de proteger, acima de outros interesses, a vida e a saúde desse público.
Para Gleisi, é preciso apurar e impedir que informações falsas sejam utilizadas para induzir pais e responsáveis a descumprirem medidas destinadas a proteger seus próprios filhos.
A representação inclui pedido de abertura de inquérito civil para avaliar o impacto das publicações sobre a política nacional de imunização.
Conteúdo das publicações
A representação detalha o conteúdo delirante das postagens e vídeos de Zanatta que motivaram a ação. Menciona um vídeo em que a deputada do PL defende que pessoas envolvidas na defesa da obrigatoriedade da vacinação infantil contra a Covid-19 deveriam ser julgadas e, em alguns casos, presas por, segundo ela, “imporem multa, perseguição e sofrimento às famílias” que se recusaram a vacinar os filhos.
A representação cita, também, postagens da bolsonarista afirmando que o governo Donald Trump teria retirado a obrigatoriedade da vacinação contra a Covid-19 em crianças e que o Brasil teria assinado um acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS) que daria à entidade autoridade sobre a imunização no país em situações de pandemia.
Gleisi argumenta que as afirmações sobre os Estados Unidos confundiriam recomendações federais com legislações estaduais. O documento sustenta, ainda, que o acordo com a OMS não foi assinado e que o texto estabelece expressamente que a organização não terá poder para impor leis, políticas públicas ou vacinação obrigatória a qualquer país.
“As liberdades de consciência e de expressão dos adultos não pode significar liberdade para colocar em risco a saúde e a vida de crianças que não têm como decidir ou se proteger sozinhas”, destaca a representação.

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