Flávio Bolsonaro (PL-RJ) admitiu que seu gabinete recebeu e-mails do Partido Missão antes de uma filiação fraudulenta à legenda provocar uma crise no registro de sua candidatura à Presidência da República. O senador afirmou que a assessoria tratou as mensagens como spam e revelou que uma delas chegou a cobrar um pagamento relacionado ao partido.
A declaração acrescenta um novo elemento ao episódio que, na quinta-feira (13), fez Flávio aparecer nos registros da Justiça Eleitoral como filiado ao Missão, partido de Renan Santos, adversário na corrida presidencial. A mudança cancelou automaticamente seu vínculo com o PL e atrapalhou o registro da candidatura. O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, restabeleceu depois a filiação de Flávio ao PL e determinou a apuração do caso.
Em uma transmissão ao vivo, Flávio ironizou as mensagens recebidas pelo gabinete e alegou que o Missão era pouco conhecido pelos integrantes de sua equipe.
“Um dos spams que recebi desse partido é reclamando que não recebeu meu pagamento.”
O senador afirmou ainda que os e-mails automáticos acabaram ignorados justamente por terem sido considerados mensagens indesejadas pela assessoria.
https://x.com/SamPancher/status/2088058178017566773
Flávio Bolsonaro admite e-mails; Missão diz que mensagens foram abertas
A explicação de Flávio Bolsonaro ganha relevância porque o Missão afirma ter registros digitais dos contatos enviados ao gabinete. Segundo a legenda, o sistema mostra que os e-mails foram abertos, mas não respondidos.
O partido sustenta que detectou uma tentativa irregular de filiação ainda em 2 de agosto e que notificou o endereço eletrônico institucional do gabinete do senador. O Missão afirma ainda ter tentado cancelar o procedimento depois de identificar inconsistências nos dados, mas diz que não conseguiu impedir que o registro fosse processado.
A versão do partido não significa, por si só, que Flávio ou seus assessores tenham autorizado a filiação. A equipe do senador nega qualquer consentimento e afirma que as mensagens recebidas eram comunicações automáticas, sem uma etapa de confirmação da entrada na legenda.
A Fórum mostrou que a filiação irregular foi registrada em 12 de agosto e chegou a retirar Flávio formalmente do PL. O cadastro no Missão travou temporariamente o registro da candidatura presidencial do senador, já que Renan Santos é o candidato lançado pelo partido à Presidência.
Cadastro de Flávio no Missão usou até endereço no “Bairro Miliciano”
Os dados usados na filiação reforçaram a suspeita de fraude. Conforme revelou a Fórum, o cadastro atribuído a Flávio continha o endereço fictício “Rua dos Bandidos, nº 666, Bairro Miliciano”, além de informações inconsistentes.
O endereço usado na falsa filiação de Flávio Bolsonaro tornou-se uma das evidências de que o procedimento não correspondia a uma mudança partidária voluntária do senador.
Segundo o Missão, o e-mail informado no pedido era o endereço institucional do gabinete de Flávio no Senado. Renan Santos afirmou que etapas do cadastro teriam sido realizadas a partir desse e-mail e defendeu a análise dos registros técnicos para identificar quem realizou as ações.
O Missão anunciou que entregará à Polícia Federal dados como logs, endereços IP e registros de acesso. A autoria da fraude, no entanto, ainda não havia sido estabelecida publicamente.
TSE descarta invasão e manda investigar filiação de Flávio Bolsonaro
O Sistema de Filiação Partidária (Filia), do Tribunal Superior Eleitoral, é a ferramenta usada pelos partidos para inserir e administrar seus registros de filiados. O acesso ao módulo partidário é restrito a usuários autorizados pelas legendas.
Após analisar o episódio, o TSE descartou a hipótese de invasão hacker aos sistemas da Justiça Eleitoral. Segundo a corte, houve uso indevido da ferramenta por alguém com credenciais aptas a operar registros partidários vinculados ao Missão.
Kassio Nunes Marques determinou a preservação dos dados de acesso e encaminhou o caso para investigação. A situação eleitoral de Flávio foi corrigida e sua filiação ao PL, legenda pela qual disputa a Presidência em 2026, foi restabelecida.
A repercussão foi além do caso individual. Horas depois, o TSE suspendeu temporariamente o processamento de novas filiações no Filia enquanto apura as irregularidades. A Fórum mostrou que a medida foi tomada após o episódio envolvendo Flávio Bolsonaro e a identificação de outras tentativas suspeitas de alteração de filiação.
As regras do procedimento estão previstas na Resolução TSE nº 23.596, que disciplina a filiação partidária e o funcionamento do sistema Filia.
Flávio diz que também tentaram filiá-lo ao PT
Na mesma transmissão em que falou dos e-mails do Missão, Flávio Bolsonaro afirmou ter recebido outra mensagem indicando uma tentativa de filiá-lo ao PT, partido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, seu adversário na eleição presidencial.
O TSE informou posteriormente ter identificado também tentativas de alterações indevidas envolvendo outros candidatos e determinou que os episódios fossem apurados.
No caso de Flávio, a declaração sobre os e-mails deixa agora uma disputa factual que poderá ser confrontada com os registros digitais: o senador diz que sua assessoria considerou as mensagens spam; o Missão afirma que possui logs mostrando que os comunicados foram abertos. A definição de quem iniciou e executou a filiação fraudulenta depende da investigação.
Spam? Flávio Bolsonaro diz que recebeu cobrança do Missão em meio à filiação
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