Perseguição a Fernando Haddad: MPE pede esclarecimentos a Tarcísio

Perseguição a Fernando Haddad: MPE pede esclarecimentos a Tarcísio
- Fernando Haddad - Foto: Reprodução de Vídeo/Band

O Ministério Público Eleitoral (MPE) concedeu prazo de cinco dias para que o governo de Tarcísio de Freitas (Republicanos) preste esclarecimentos sobre a abordagem da Polícia Militar (PM) a Fernando Haddad e seu motorista, na noite de terça-feira (11).
O pedido foi desencadeado por uma notícia de fato apresentada pela coligação de Haddad à Procuradoria Regional Eleitoral (PGE), que solicitou investigação sobre o episódio.
A coligação quer que o órgão apure se havia algum tipo de patrulhamento ou orientação direcionada ao candidato petista, o que conferiria ao episódio um caráter de interferência eleitoral.
O MPE quer documentos operacionais da PM e acesso às câmeras de segurança de um hotel onde o motorista parou durante o ocorrido, buscando apurar se a ação policial teve motivação ou orientação institucional.
O ofício especifica que o material deve incluir as “diretrizes relativas aos programas de policiamento ostensivos, tais como setorização de áreas, rádio-patrulhamento motorizado e operações especiais, no mês de agosto de 2026”, segundo o documento.
O que governo Tarcísio precisa esclarecer
O MPE direcionou o pedido ao secretário de Segurança Pública de São Paulo, Osvaldo Nico Gonçalves, exigindo que ele apresente “a existência de eventual ordem, autorização ou anuência” da pasta para a realização de patrulhamento ostensivo no bairro onde Haddad reside, além dos motivos que teriam levado à adoção da medida.
O órgão também quer a identificação e a delimitação do patrulhamento do batalhão responsável pela região, com detalhamento dos itinerários percorridos e dos pontos de estacionamento previamente determinados.
Devem ser informados ainda: a identificação da viatura empregada no episódio, a função exata de cada policial presente e o itinerário completo percorrido na ocasião.
A abrangência do pedido indica que o MPE busca reconstituir com precisão a atuação policial naquela noite, avaliando se ela se enquadra em rotina operacional ou se houve direcionamento específico.
O caso da perseguição
Fernando Haddad relatou o episódio a jornalistas na quarta-feira (12). Segundo ele, na noite anterior, após ser deixado em casa na zona sul de São Paulo por volta das 22h30, o carro de sua campanha foi seguido por uma viatura da PM “durante muito tempo e de uma forma um pouco intimidadora”.
“Quero crer que possa ter havido alguma confusão. Mas o meu motorista ficou muito assustado pela maneira como isso aconteceu”, disse o candidato. “Ele é um trabalhador. Estava abalado até agora, porque tinham três fuzis dentro da viatura, as pessoas olhando para ele”.
O advogado da campanha, Hélio Silveira, detalhou que o motorista percebeu a viatura na Avenida 23 de Maio e, ao se aproximar, o veículo policial teria apagado as luzes. Por segurança, o motorista parou em um hotel próximo.
Ao questionar os policiais sobre o ocorrido, teria recebido a resposta “Vaza daqui”, segundo relato de Silveira, e os agentes foram embora em seguida.
“Ele parou o carro, entrou no hotel, voltou e foi perguntar aos policiais o que tinha acontecido. Os policiais não responderam de maneira amistosa. Ele voltou para dentro do hotel, ficou esperando, aí nos acionou. Os policiais foram embora”, afirmou Silveira.
Em apuração preliminar, com análise de cerca de 40 câmeras privadas ao longo do percurso indicado pelo motorista, a PM afirmou não ter identificado indícios de abordagem irregular.
A SSP ressalvou, porém, que a apuração prossegue e que, caso sejam identificados indícios de irregularidades, o procedimento poderá ser convertido em inquérito.

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