TV Fórum: ‘Questão é saber se o problema é de sigilo da fonte ou obtenção de informações de forma irregular’, diz Lenio Streck

TV Fórum: ‘Questão é saber se o problema é de sigilo da fonte ou obtenção de informações de forma irregular’, diz Lenio Streck
O ministro Flávio Dino em sessão plenária do STF - Foto: Victor Piemonte/STF

Em entrevista ao Fórum Onze e Meia desta sexta-feira (14), o jurista Lenio Streck analisou o caso envolvendo o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), o blogueiro Luís Pablo, o ex-secretário de Segurança Pública do Maranhão Raimundo Cutrim e as especulações sobre uma possível violação do sigilo da fonte jornalística. 
Streck destacou que o STF e as análises sobre o caso devem ser cautelosas, principalmente porque hoje há muita “espetacularização”. Para o jurista, ainda faltam muitas informações para analisar o caso e que o Supremo não deveria ter divulgado nenhuma informação, até mesmo a de busca e apreensão. “Essa não devia ser pública na medida em que, se o inquérito é sigiloso, ele permite muitas especulações, inclusive editoriais de grandes jornais dizendo que o ‘Xandão’ é um ditador, que não há liberdade no Brasil, que vão acabar com a liberdade de imprensa, o sigilo da fonte”, afirma Streck.
O jurista pontua que, como ainda não havia informações completas sobre o caso, aqueles que se precipitam a expor opiniões podem acabar enganados. “Porque é o discurso lógico, o sigilo da fonte tem que ser preservado, mas isso é mais ou menos como dizer ‘eu sou a favor das crianças, eu sou contra a corrupção, eu quero um governo honesto’. Essas platitudes são decorrentes de uma obviedade, a platitude é uma obviedade”, ressalta o jurista.
Portanto, Streck destaca que a questão é saber, no caso concreto: “se trata de um problema de sigilo da fonte ou se tratou de um outro problema de obtenção de informações de forma irregular?”.
Streck ainda acrescenta que se o Supremo liberou as informações sobre a busca e apreensão criou um problema para si. O jurista afirma que o STF é muito mais criticado pelos seus acertos do que pelos seus erros, mas que ainda enfrenta um grande problema de comunicação.
“Esse flanco que se deixa é uma coisa que se joga contra ele. Veja, toda a direita brasileira acha que o Brasil virou uma ditadura do judiciário, eu não aguento mais isso, é uma chatice”, diz Streck.
Por outro lado, se houvesse uma melhor comunicação, “os snipers não estariam atirando no Supremo.”
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Confira a entrevista completa do jurista Lenio Streck

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