Exército reduz em mais de 50% presença de militares na disputa eleitoral de 2026

Exército reduz em mais de 50% presença de militares na disputa eleitoral de 2026
Tenente do Exército perde patente após condenação por transmitir HIV intencionalmente a duas mulheres - Foto: Ton...

O Exército Brasileiro chega às eleições de 2026 com bem menos militares na disputa por votos. A presença de integrantes da Força no pleito caiu mais de 50% em relação à eleição anterior, uma mudança significativa depois dos anos em que farda e política partidária passaram a dividir cada vez mais o mesmo espaço.
O dado foi revelado nesta segunda-feira (17) pela coluna de Bela Megale, em O Globo. A redução acontece após o período de forte politização das Forças Armadas durante o governo de Jair Bolsonaro e em meio ao esforço da atual cúpula do Exército para afastar os quartéis das disputas partidárias.
O contraste com 2022 é especialmente simbólico. Naquele ano, Bolsonaro, capitão reformado do Exército, tentou a reeleição tendo como vice o general Walter Braga Netto. Integrantes e ex-integrantes das Forças Armadas circulavam com desenvoltura por campanhas, governos e bastidores de Brasília, enquanto o próprio Exército era arrastado para debates sobre urnas eletrônicas e o processo eleitoral.
Exército tenta fechar ciclo de politização dos quartéis
Quatro anos depois, o cenário é outro. A trama para impedir a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva colocou militares de alta patente no centro de investigações e processos judiciais e ampliou o desgaste produzido pela aproximação de setores da caserna com o bolsonarismo.
O recuo eleitoral não significa que a política tenha desaparecido do universo militar. No início de agosto, a Fórum mostrou que clubes militares da reserva voltaram a se movimentar politicamente às vésperas das eleições, com uma nota conjunta que convocava uma “reação cívica”.
A diferença é que, dentro da ativa, o comando tenta reconstruir uma fronteira que ficou profundamente desgastada durante os anos Bolsonaro. Desde que assumiu o Exército, o general Tomás Paiva tem defendido publicamente uma Força afastada da política partidária.
Generais também somem dos bastidores da política
A redução da presença de militares nas urnas coincide com outro movimento. Os generais da ativa que durante anos apareceram no noticiário como fontes anônimas para opinar sobre governo, Supremo Tribunal Federal, Congresso e eleições também ficaram muito mais silenciosos.
Uma análise publicada pelo Cleber Lourenço, no ICL,  nesta segunda-feira mostra que as manifestações políticas de oficiais-generais sob anonimato diminuíram significativamente em 2026. Elas não desapareceram, mas ficaram mais raras e passaram a se concentrar principalmente em assuntos ligados às próprias Forças Armadas.
Durante o governo Bolsonaro e ainda nos primeiros anos do terceiro mandato de Lula, o “general em off” havia se tornado quase um personagem permanente de Brasília. Oficiais falavam sob reserva sobre eleições, decisões do STF, investigações da Polícia Federal, relações entre os Poderes e até sobre a estabilidade institucional do país.
O ambiente começou a mudar com o avanço das investigações sobre a tentativa de golpe. Militares deixaram de aparecer apenas como comentaristas dos acontecimentos políticos e passaram a figurar entre os investigados. A partir daí, preservar a instituição e afastá-la das responsabilidades individuais de oficiais envolvidos na trama tornou-se uma preocupação central nos quartéis.
Em 2026, os dois movimentos acabam se encontrando. Há menos militares entrando diretamente na disputa eleitoral e menos generais da ativa distribuindo avaliações políticas nos bastidores. Depois do protagonismo conquistado durante o bolsonarismo e do preço institucional cobrado por essa aproximação, o Exército dá sinais de que tenta fazer o caminho de volta para os quartéis.

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