A primeira grande agenda oficial de campanha de Flávio Bolsonaro (PL) ao Palácio do Planalto no estado de São Paulo, marcada para esta quarta-feira (19), já escancarou o primeiro grande mal-estar na frágil engenharia de alianças da extrema direita paulista. A Fórum apurou que o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) articulou uma “desculpa de agenda” de última hora para não dividir o palanque nem figurar nas fotos ao lado do filho do ex-presidente durante seus compromissos na capital.
Sem o chefe do Executivo estadual ao lado, coube ao prefeito Ricardo Nunes (MDB) cumprir o papel de anfitrião e circular durante todo o dia com o senador, em uma postura descrita por interlocutores do Palácio dos Bandeirantes como a de um aliado submisso que rasteja para garantir o beneplácito do clã extremista.
O arranjo do Republicanos, partido de Tarcísio, não formalizou a coligação com a candidatura do PL, mas a expectativa do entorno bolsonarista era de que a aliança se traduzisse em apoio político ostensivo desde a largada em vários estados, entre eles, São Paulo. A ausência do governador no evento de estreia na metrópole reabriu feridas que a extrema direita tentava cicatrizar desde o início do ano, quando uma ruidosa disputa interna opôs os defensores da candidatura de Tarcísio à Presidência e a ala radical encabeçada por Jair Bolsonaro, que bateu o pé para impor a hereditariedade do clã na cabeça de chapa.
Cálculo eleitoral da capital contra o interior
A reaproximação entre Tarcísio e a família Bolsonaro, acelerada após os impactos políticos do escândalo envolvendo os repasses milionários do fraudador Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, a Flávio e Eduardo Bolsonaro, parecia ter selado a trégua. No entanto, no “vamos ver” da campanha, o governador paulista operou seu primeiro recuo tático na capital.
Para suavizar o constrangimento e estancar o desgaste com os aliados radicais, Tarcísio acenou com uma compensação futura: informou que estará com Flávio em Barretos, no interior do estado, durante uma agenda voltada ao agronegócio.
A Fórum apurou com fontes da política paulista que a manobra atende a um cálculo pragmático de imagem. A ordem no entorno de Tarcísio é manter distância de Flávio na capital paulista, a maior megalópole do país e um ambiente eleitoral de perfil cosmopolita, onde Lula derrotou Jair Bolsonaro no primeiro e no segundo turno das eleições de 2022. Na avaliação da equipe do governador, expor-se ao lado do herdeiro do bolsonarismo na capital “queima o filme” com o eleitorado moderado e progressista da metrópole.
O cenário muda completamente quando o mapa aponta para o interior. Com uma população historicamente mais alinhada a pautas conservadoras e nuances provincianas em comparação à capital, o interior paulista é visto pelo Bandeirantes como o terreno seguro onde expoentes da extrema direita “pegam bem” diante da base eleitoral. Até lá, no entanto, Flávio terá que amargar o isolamento na capital, escoltado apenas por Nunes, o servil prefeito que serve de capacho para a família de radicais.
Tarcísio não quer aparecer com Flávio Bolsonaro na capital, só no interior de SP
💬 Comentários (0)
Seja o primeiro a comentar!