O governo de São Paulo entregou linhas da CPTM à iniciativa privada, mas parte dos custos com pessoal poderá continuar nas mãos do Estado. A Alesp aprovou nesta terça-feira (18) um projeto que permite transferir para outros órgãos e empresas públicas os funcionários afetados pelas concessões das linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade. O texto também inclui os empregados da Linha 10-Turquesa caso ela seja privatizada no futuro.
A proposta foi enviada pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) depois da greve dos ferroviários no início de agosto. A garantia de destino para os funcionários era uma das principais reivindicações da categoria. Agora, o texto segue para sanção do próprio governador.
As linhas 11, 12 e 13 somam 2.477 empregados. Outros 2.171 trabalham na Linha 10, que continua sob controle da CPTM, mas foi incluída preventivamente no projeto para o caso de uma futura desestatização.
Na prática, os trabalhadores poderão continuar vinculados ao setor público mesmo depois que a operação dos trens for transferida para empresas privadas. Durante a negociação que encerrou a greve, a CPTM informou que os empregados permaneceriam em seus quadros até eventual absorção por outros órgãos estaduais.
A discussão ganhou força depois da concessão das linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade ao grupo Comporte Participações, controlador da Trivia Trens. O contrato prevê R$ 14,3 bilhões em investimentos.
A concessionária assumiu integralmente a operação em 21 de julho. Nos dias seguintes, porém, passageiros enfrentaram falhas, atrasos e até um incêndio em uma composição da Linha 12-Safira.
Diante dos problemas, a Artesp determinou que a própria CPTM retomasse temporariamente a operação das três linhas por 90 dias, enquanto a empresa privada realiza ajustes.
Foi nesse cenário que os ferroviários paralisaram as atividades, cobrando garantias para os empregos diante do avanço das concessões. A greve terminou após 131 dos 157 trabalhadores presentes em assembleia aceitarem o acordo que previa o envio do projeto à Alesp.
Durante a votação, o deputado Guilherme Cortez (PSOL), autor de proposta semelhante apresentada em 2025, afirmou que a aprovação foi resultado direto da mobilização da categoria.
Após privatização de Tarcísio, Estado vai arcar com custos de falhas das concessionárias em proposta aprovada pela Alesp
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