A Polícia Federal (PF) instaurou, na última terça-feira (18), um inquérito para apurar como o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) acabou registrado como filiado ao Partido Missão, legenda que disputa a presidência com seu candidato próprio, Renan Santos. O problema veio à tona na quinta-feira (13), quando a campanha de Flávio tentou registrar sua candidatura no sistema do TSE e descobriu que ele constava vinculado à legenda errada. O ministro Kassio Nunes Marques, presidente da Corte Eleitoral, determinou a abertura da investigação, reverteu a filiação irregular e liberou o sistema para o registro pelo PL.
Credenciais usadas por dentro
O TSE foi categórico ao descartar invasão hacker. Segundo nota oficial da Corte, “a filiação de Flávio Bolsonaro ao partido Missão não foi fruto de hackeamento do sistema de filiação partidária, mas sim de uso indevido da ferramenta por parte de alguém que possuía as credenciais da legenda para efetivar filiações”. A certidão de filiação ao partido foi emitida em 12 de agosto de 2026. Cabe agora à PF identificar quem realizou o cadastro.
O relatório elaborado pelo próprio Missão sobre o episódio revela detalhes que apontam para uma ação deliberada: a filiação irregular usou o e-mail oficial do senador, registrou seu endereço como “Rua dos Bandidos, bairro dos Milicianos” e informou um CPF falso com a sequência “1234”. O partido afirmou que identificou uma tentativa de cadastro usando o e-mail de Flávio, mas sustenta que o processo não teria avançado por falta de confirmação. A contradição entre essa versão e o fato de a filiação ter sido efetivada no sistema do TSE é um dos pontos centrais que a PF deverá esclarecer.
Candidatura travada, decisão judicial e resposta das partes
Na quinta-feira (13), a campanha de Flávio acionou a PF após constatar que o sistema Candex, do TSE, bloqueava o registro da candidatura pelo PL em razão do vínculo com o Missão. O presidente da Corte acolheu integralmente o pedido da defesa do senador: determinou o retorno de Flávio ao quadro de filiados do PL, a exclusão do vínculo com o Missão e a liberação do sistema para o registro. O TSE também suspendeu temporariamente o sistema que processa novas filiações partidárias e enviou representação à Procuradoria-Geral Eleitoral.
O Missão, por sua vez, declarou ter sido vítima de uma “tentativa de filiação fraudulenta” e afirmou que seu próprio sistema identificou o erro e tentou cancelar a filiação no mesmo dia, mas que o TSE não aceitou o cancelamento. A legenda foi além e citou “desalinhamento ideológico” com o senador, além de mencionar suspeitas de corrupção que envolvem o parlamentar, deixando claro que não tinha interesse em tê-lo nos seus quadros. A campanha de Flávio informou ainda que os e-mails enviados pelo Missão foram parar na caixa de spam e que houve também uma tentativa de filiá-lo ao PT, caso igualmente encaminhado ao TSE. Em vídeo nas redes sociais, o senador falou em fraude e declarou que “o sistema vai tentar de tudo” para pará-lo.
Filiação de Flávio Bolsonaro ao Missão: PF abre inquérito para apurar fraude
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