A relação política entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) Rodrigo Bacellar e o ex-deputado estadual Thiego Raimundo dos Santos Silva, conhecido como TH Joias, voltou ao centro do debate político. O caso reacendeu após eles se tornarem réus no caso de um suposto esquema de vazamento de informações de operações contra o Comando Vermelho (CV).
Bacellar e TH Joias foram denunciados pela Procuradoria-Geral da República (PGR) por obstrução de investigação e, em agosto de 2026, passaram à condição de réus no Supremo Tribunal Federal (STF). A denúncia também envolve o desembargador federal Macário Ramos Júdice Neto, Jéssica de Oliveira Santos e Thárcio Nascimento Salgado. A acusação sustenta que o grupo teria atuado para dificultar a Operação Zargun, deflagrada em setembro de 2025.
A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, por unanimidade, tornar réus Bacellar, TH Joias, e o desembargador federal Macário Ramos Júdice Neto.
Os três estão presos e são acusados de obstrução de investigação relacionada ao vazamento de informações sigilosas de uma operação policial contra o CV. A decisão também alcança Jéssica de Oliveira Santos, esposa de TH Joias, e Thárcio Nascimento Salgado, apontado pela investigação como suspeito de lavar dinheiro proveniente do tráfico de drogas na favela de Senador Camará, na Zona Oeste do Rio.
Relações perigosas
A existência de relação política entre Flávio Bolsonaro e Bacellar é anterior às investigações criminais. Em julho de 2025, por exemplo, o senador participou de articulações envolvendo o governo de Cláudio Castro e o então presidente da Alerj, em uma negociação relacionada à Secretaria de Transportes do estado.
Bacellar também era apontado como um nome relevante no grupo político ligado ao bolsonarismo no Rio. Segundo reportagens publicadas em 2026, ele chegou a ser tratado como candidato apoiado pelo grupo de Flávio para disputar o governo estadual. Com a prisão e o afastamento de Bacellar, o deputado Douglas Ruas, aliado de Flávio Bolsonaro, assumiu a presidência da Alerj e passou a ser apontado como nome do senador para o Palácio Guanabara.
TH Joias e a política fluminense
A relação de TH Joias com o grupo político que comandava a Alerj também passou a ser examinada pelas investigações. O ex-deputado foi preso em setembro de 2025 durante a Operação Zargun, que investigava uma organização apontada pela Polícia Federal como ligada ao Comando Vermelho.
Segundo a acusação apresentada pela PGR, a operação investigava crimes como tráfico internacional de armas e drogas, corrupção de agentes públicos e lavagem de dinheiro. TH Joias era um dos principais alvos da ação.
A investigação que se seguiu passou a examinar também a atuação de Bacellar. Segundo a PF e a PGR, informações sobre a Operação Zargun teriam sido repassadas antecipadamente, permitindo que TH Joias retirasse equipamentos e outros objetos antes da chegada dos agentes.
A defesa de Bacellar nega as acusações. Em março, quando a PGR apresentou a denúncia, os advogados afirmaram que a acusação estava baseada em “ilações e narrativas repetidamente refutadas” e reafirmaram a inocência do ex-presidente da Alerj.
O que dizem as investigações
A PGR afirma que Bacellar, TH Joias, o desembargador Macário Júdice e outras pessoas teriam agido em conjunto para atrapalhar a investigação sobre integrantes do Comando Vermelho.
A acusação aponta que Bacellar teria utilizado sua posição política e informações obtidas por meio de contatos com integrantes do Judiciário para alertar TH Joias sobre a operação. Segundo a denúncia, o objetivo seria permitir a retirada ou destruição de elementos que poderiam ser utilizados como provas.
Em agosto, a Primeira Turma do STF recebeu a denúncia. O relator, ministro Alexandre de Moraes, afirmou que havia indícios de autoria e materialidade suficientes para a abertura da ação penal. A decisão, contudo, não representa condenação: os acusados ainda terão direito à defesa e ao contraditório durante o processo.
Flávio Bolsonaro é citado no debate político
A relação entre Flávio Bolsonaro e os dois políticos passou a ser explorada por adversários do senador após as prisões e denúncias. Em 17 de agosto, o candidato à Presidência pelo partido Missão, Renan Santos, afirmou durante um evento em São Paulo que Flávio havia apoiado politicamente Bacellar e TH Joias.
A declaração foi publicada pela imprensa como uma crítica política ao senador. Não se trata, porém, de uma conclusão judicial sobre eventual participação de Flávio Bolsonaro nas condutas investigadas. A existência de vínculo político entre pessoas não demonstra, por si só, participação em eventuais crimes atribuídos a elas.
As investigações envolvendo Bacellar e TH Joias, por sua vez, seguem no âmbito judicial. A PGR sustenta que os dois participaram de uma articulação para obstruir uma investigação relacionada ao Comando Vermelho, enquanto as defesas contestam as acusações.
A relação íntima de Flávio Bolsonaro com Bacellar e TH Joias, réus por favorecimento ao CV
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