A nova pesquisa Datafolha para a presidência da República, que será divulgada nesta sexta-feira (21), incluiu o nome de Pablo Marçal (PRTB) entre os candidatos apresentados aos eleitores, apesar de o empresário e influenciador estar com a candidatura sob questionamento na Justiça Eleitoral.
Marçal foi declarado inelegível pela Justiça Eleitoral paulista e teve a condenação mantida pelo Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP), que confirmou a punição de oito anos por uso indevido dos meios de comunicação durante a eleição municipal de 2024. Pela decisão, ele fica impedido de disputar eleições até 2032.
A presença do nome de Marçal no levantamento ocorre porque, apesar da condenação, ele conseguiu registrar a candidatura à Presidência pelo PRTB e aguarda a análise definitiva do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Até que haja uma decisão sobre o registro, ele permanece formalmente no processo eleitoral.
Condenação envolve estratégia de redes sociais na eleição de 2024
A inelegibilidade de Marçal tem origem em ações que investigaram sua campanha para a Prefeitura de São Paulo em 2024.
Entre os fatos analisados pela Justiça Eleitoral está a estratégia conhecida como “concurso de cortes”, na qual apoiadores eram incentivados a produzir e divulgar vídeos relacionados ao então candidato nas redes sociais, com previsão de remuneração e premiações. O TRE-SP entendeu que houve uso indevido dos meios de comunicação social e manteve a sanção de inelegibilidade por oito anos.
Em agosto de 2026, o TRE-SP rejeitou novo recurso da defesa e manteve a decisão que deixa Marçal inelegível até 2032. Ainda cabem recursos ao TSE.
TSE impõe restrições enquanto candidatura é analisada
Embora tenha conseguido registrar a candidatura, Marçal passou a disputar a eleição em uma situação jurídica provisória.
O TSE determinou que ele não tenha acesso ao fundo eleitoral, não participe de debates nem utilize o horário eleitoral gratuito enquanto a situação do registro não for definida. A decisão foi tomada de forma liminar e está relacionada aos questionamentos sobre sua elegibilidade.
A situação permite que seu nome apareça temporariamente em pesquisas eleitorais, mas não significa que sua candidatura esteja garantida. Caso o TSE mantenha o entendimento de inelegibilidade, ele poderá ser retirado da disputa.
Inclusão de nome juridicamente impedido levanta questionamentos sobre pesquisa
A decisão do Datafolha de incluir Marçal no levantamento abre um debate sobre a utilização de cenários eleitorais com nomes cuja participação na disputa ainda depende de uma decisão judicial.
Pesquisas eleitorais costumam apresentar diferentes cenários para medir a preferência do eleitorado, inclusive com nomes que ainda não tiveram suas candidaturas confirmadas. No entanto, a inclusão de um candidato cuja situação jurídica está sob análise pode influenciar a percepção dos eleitores sobre quem efetivamente disputa a eleição.
Último Datafolha
A nova rodada do Datafolha será divulgada em meio à disputa entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), marcada pela polarização política. Na rodada anterior do Datafolha, divulgada em julho, Lula aparecia à frente de Flávio Bolsonaro em um eventual segundo turno. O presidente tinha 48% das intenções de voto, contra 43% do senador do PL.
No primeiro turno, o levantamento mostrava Lula com 40% das intenções de voto e Flávio Bolsonaro com 32%. Naquele cenário, os demais nomes testados apareciam distantes, dentro da margem de erro ou próximos dos primeiros pontos percentuais.
Datafolha inclui Pablo Marçal, que está inelegível, em nova pesquisa para a presidência
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