Pais de criança que apontou arma em suposta comemoração bolsonarista podem respoder por crime, alerta advogado

Pais de criança que apontou arma em suposta comemoração bolsonarista podem respoder por crime, alerta advogado
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Os responsáveis por uma criança que aparece em um vídeo segurando e apontando uma arma em Parnamirim no Rio Grande do Norte, durante uma comemoração atribuída à vitória do 1º turno de Flávio Bolsonaro podem ser responsabilizados criminalmente, a depender do que for constatado pelas autoridades.
A avaliação é de um advogado ouvido pela Revista Fórum. Segundo ele, o episódio precisa ser apurado pela Polícia Civil para esclarecer, principalmente, se o objeto que aparece nas imagens é uma arma de fogo verdadeira ou não e quem o colocou nas mãos da criança.
O vídeo circulou nas redes sociais após o primeiro turno das Eleições 2026. Nas imagens, a criança aparece em cima de um carro, em um local com diversas pessoas, segura o objeto com uma das mãos e o aponta para os lados e para cima.
A publicação que divulgou o registro afirma que os pais teriam colocado uma arma nas mãos da criança durante uma comemoração pela vitória de Flávio Bolsonaro. As imagens, porém, não permitem confirmar quem entregou o objeto.
https://revistaforum.com.br/wp-content/uploads/2026/10/ssstwitter.com_1791221469674.mp4
O que pode acontecer com os responsáveis
Caso seja constatado que o objeto era uma arma verdadeira, uma das possibilidades apontadas pelo advogado é a responsabilização por fornecer ou entregar arma de fogo a criança ou adolescente.
A conduta está prevista no artigo 242 do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que estabelece pena de três a seis anos de reclusão para quem vende, fornece gratuitamente ou entrega arma, munição ou explosivo a uma criança ou adolescente.
A investigação também poderá verificar a eventual ocorrência de outras infrações. O artigo 232 do ECA, por exemplo, criminaliza a conduta de submeter criança ou adolescente sob sua autoridade, guarda ou vigilância a vexame ou constrangimento, com pena de seis meses a dois anos de detenção.
Dependendo das circunstâncias verificadas pela polícia, o advogado também aponta a possibilidade de análise de eventual incitação ao crime. A aplicação de cada dispositivo, no entanto, depende das circunstâncias concretas e não pode ser determinada apenas a partir do vídeo.
Caso pode chegar à Vara da Infância
As consequências para os responsáveis não se limitam à esfera criminal.
O advogado explica que os responsáveis também podem ser alvo de procedimento na Vara da Infância e da Juventude. O próprio ECA prevê infração para quem descumpre, de forma dolosa ou culposa, os deveres relacionados ao poder familiar, à tutela ou à guarda.
Em situações mais graves, a Justiça também pode analisar medidas relacionadas ao poder familiar. A suspensão ou perda desse poder, entretanto, não ocorre automaticamente: precisa ser determinada judicialmente, em procedimento próprio e a partir das circunstâncias do caso. O ECA prevê essa possibilidade diante do descumprimento injustificado dos deveres dos responsáveis.
Por enquanto, não há elementos suficientes para afirmar que os pais entregaram o objeto à criança ou mesmo que se tratava de uma arma de fogo real. A identificação de quem forneceu o objeto, sua procedência e a participação dos adultos presentes são pontos que precisam ser esclarecidos em eventual investigação.

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