Eduardo Bolsonaro assume o Eduardismo, facção mais radical do bolsonarismo

Eduardo Bolsonaro assume o Eduardismo, facção mais radical do bolsonarismo
Eduardo Bolsonaro

O ex-deputado federal foragido nos EUA, Eduardo Bolsonaro (PL), decidiu assumir o rótulo de “Eduardismo” — e, de quebra, transformá-lo em uma espécie de selo de autenticidade para quem considera fiel ao bolsonarismo. Em um texto publicado nas redes sociais, o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) apresentou sua versão de uma batalha interna do grupo político e anunciou que pretende atuar como uma espécie de fiscal da fidelidade bolsonarista nas eleições.
Segundo Eduardo, não é por acaso que ele apoia candidatos que declararam apoio a Flávio Bolsonaro desde dezembro de 2025, quando Jair Bolsonaro oficializou a pré-candidatura do filho à Presidência. Para o deputado, esses políticos seriam mais confiáveis justamente porque não mudariam de posição conforme o “vento político”.
“Eu gosto de pessoas decentes, que trabalham baseadas em princípios”, escreveu Eduardo, estabelecendo, por conta própria, um certificado de decência política para os aliados que escolher apoiar.
Na lógica apresentada pelo deputado, o problema são os políticos que chegam ao cargo graças ao apoio de Bolsonaro e depois passam a esconder a relação com o ex-presidente. Eduardo classificou esse comportamento como falta de caráter ou, na versão mais benevolente, ingenuidade.
Ele também recorreu a personagens que se tornaram desafetos do bolsonarismo, citando Joice Hasselmann, Alexandre Frota e Soraya Thronicke como exemplos do que seus seguidores deveriam evitar.
Detector de “caroneiros”
Em outro trecho, o deputado afirmou que, por estar “dentro da política”, consegue perceber fatos e nuances que não estariam ao alcance das “pessoas comuns”. Caberia, portanto, a ele iluminar esses acontecimentos para que o eleitor possa decidir quem merece ou não o voto.
Eduardo também afirmou existir um movimento de bastidores para impedir que os candidatos considerados “verdadeiramente fiéis” tenham espaço político.
A imprensa, segundo ele, teria tentado desqualificar esse movimento ao batizá-lo de “Eduardismo”. Eduardo, no entanto, decidiu adotar o rótulo com orgulho.
É aí que o texto ganha contornos quase épicos. Inspirado, segundo ele, na chamada “batalha cultural” defendida pelo escritor Olavo de Carvalho, o deputado comparou a estratégia ao jiu-jítsu: pegar a força do adversário e utilizá-la contra ele.
Ou seja, se chamaram de “Eduardismo”, Eduardo resolveu fazer do nome uma marca.
O novo “anticorpo” do bolsonarismo
O deputado afirmou que pretende usar suas redes sociais, palanques e outras ferramentas para promover candidatos que considera fiéis a Bolsonaro. A missão seria impedir que os chamados “caroneiros” — políticos que, na avaliação dele, se beneficiaram do bolsonarismo e depois abandonaram a relação — avancem dentro do grupo.
Entre os nomes que Eduardo já apresenta como exemplos dessa fidelidade estão Gil Diniz e Paulo Mansur, em São Paulo; Filipe Pedri, no Rio Grande do Sul; Caporezzo, em Minas Gerais; e Paulo Figueiredo, também em Minas Gerais.
A lista, segundo o próprio deputado, está longe de terminada. Ele promete divulgar gradualmente outros candidatos que, na condição de “filho do JB” e alguém que “veste a camisa do Bolsonaro”, considera merecedores do voto dos eleitores.
No texto, Eduardo ainda afirmou que o movimento representa uma “reação natural” do bolsonarismo.
“Nós somos a reação natural, os anticorpos, o antídoto contra os caroneiros”, escreveu.

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