Augusto Cury é de esquerda ou de direita? Entenda o posicionamento do candidato à presidência

Augusto Cury é de esquerda ou de direita? Entenda o posicionamento do candidato à presidência
O psiquiatra e escritor Augusto Cury, que anunciou possível pré-candidatura á Presidência - (Reprodução YouTube)

O candidato à Presidência do Brasil pelo partido Avante, autodenominado Escritor Augusto Cury, 67, entrou na disputa anunciando-se como candidato do “centro moderado”.
Escritor e psiquiatra, com uma biografia marcada por prêmios literários e experiências com a educação cognitiva infanto-juvenil, Cury afirma não ser nem de direita nem de esquerda e vende sua candidatura como uma alternativa à polarização.
Na economia, ele defende principalmente a liberdade para empreender, a redução do tamanho do Estado, responsabilidade fiscal, diminuição gradual da dívida pública e estímulo à iniciativa privada. Ao mesmo tempo, sustenta a manutenção de políticas de transferência de renda, defende os direitos humanos, a proteção às mulheres, a garantia da educação pública e uma política internacional de combate à fome.
Apesar disso, Cury já afirmou ter admiração pelo economista e ex-ministro da Economia do Brasil do governo Bolsonaro (2019-2023), Paulo Guedes, a quem considerou “uma mente brilhante”, e já aludiu à possibilidade de, caso fosse bem-sucedido em tornar o Brasil um sistema semipresidencialista, como sugere seu plano de governo, indicar o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), como seu primeiro-ministro.

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Em entrevista ao jornal Itatiaia, Cury se definiu como “mente capitalista e coração social”. Segundo o candidato, isso significa defender liberdade econômica e empreendedorismo, mas sem desacreditar, como costuma ocorrer entre os típicos candidatos da ultradireita, os direitos humanos e as políticas sociais.
Na mesma entrevista, quando questionado se seria um candidato de centro-direita e sobre qual lado apoiaria em uma eventual disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro, Cury se recusou a escolher um lado e enfatizou o objetivo de chegar ele mesmo ao segundo turno.
No primeiro debate presidencial de 2026, realizado pela Band em 23 de agosto, voltou a afirmar que o Brasil não estaria dividido em “dois barcos”, um de direita e outro de esquerda, mas formaria “um único país”. Em entrevista ao SBT News, disse que a polarização entre petismo e bolsonarismo havia transformado o país em uma espécie de “praça de guerra”.
O plano de governo registrado por Cury no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), intitulado O Brasil dos Nossos Sonhos, tem cerca de 200 páginas e reúne 18 projetos estruturais, além de propostas de reformas institucionais, econômicas e sociais.
Na economia, Cury defende uma combinação entre responsabilidade fiscal, redução de desperdícios, estímulo ao empreendedorismo e expansão da iniciativa privada. Para quem se apresenta como um candidato de terceira via, Cury defende uma plataforma econômica predominantemente liberal.
O programa estabelece como objetivo chegar a um déficit público próximo de zero e reduzir gradualmente a dívida. Também propõe metas de eficiência para os ministérios e medidas de reorganização administrativa.
Outra prioridade seria a expansão do empreendedorismo: o plano de governo prevê a criação de milhares de “clubes de empreendedorismo” em lugares tão diversos como escolas, universidades, igrejas e comunidades, além de um Banco do Empreendedor voltado ao financiamento de pequenos negócios.
Em entrevista à BBC News Brasil, ele afirmou ter uma “mente liberal” e defender um Estado enxuto e eficiente, e disse simpatizar com pessoas que querem produzir e encontram “obstáculos”, como juros e burocracia.
À CNN, por outro lado, Cury disse que o Brasil precisaria de uma mente como a do neoliberal Paulo Guedes para “enfrentar o endividamento público”.
O Avante, partido do candidato, surgiu em 1989 com o nome Partido Trabalhista do Brasil (PTdoB). A legenda obteve registro definitivo em 1994 e mudou oficialmente de nome para Avante em 2017, após autorização do TSE.
Segundo classificação produzida no âmbito do Observatório Nacional da Mulher na Política, em parceria com pesquisadores da Universidade de Brasília, o Avante se posiciona no campo da direita brasileira. Segundo o Monitor da Câmara dos Deputados, no entanto, o partido é de centro-direita. Ele se autodefine como “partido pragmático” e antipolarização.
Para a segurança, área mais drástica quando se trata de propostas de candidatos ultradireitistas, Cury propõe o projeto FATO, sigla para “Força de Alerta Total”, que reuniria Polícia Federal, polícias civis e militares em um sistema nacional de inteligência compartilhada. Há também a FOCO — Força de Combate Municipal —, que funcionaria como estrutura de apoio às forças policiais em municípios.
Os sistemas usariam tecnologias como inteligência artificial, drones, câmeras inteligentes, leitura automática de placas e reconhecimento facial, sempre “dentro dos limites legais”, segundo a proposta.
Um dos elementos que mais chamaram atenção no plano de Cury foi a adoção da expressão “Make Humanity Great Again”, uma adaptação do slogan “Make America Great Again”, do presidente norte-americano Donald Trump. O projeto prevê a criação de um Fundo Internacional de Erradicação da Fome, financiado, segundo o programa, por recursos equivalentes a 0,5% do comércio mundial e 2% da indústria global de armamentos.
Cury também já afirmou que, no âmbito da política internacional, tentaria atuar como mediador de conflitos em escala global. Ele chegou a mencionar, por exemplo, a possibilidade de conversar pessoalmente com os líderes da Rússa, Vladimir Putin, e da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, beligerantes desde 2022.
 

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