Privatização: Sabesp pode se transformar em “Enel das águas”, afirma Haddad

Privatização: Sabesp pode se transformar em “Enel das águas”, afirma Haddad
- Fernando Haddad - Foto: Diogo Zacaras/Ministério da Fazenda

O candidato do PT ao governo de São Paulo, Fernando Haddad (PT), endureceu o tom e alertou que a Sabesp corre o risco de se tornar uma “Enel das águas” se a política de privatizações da gestão Tarcísio de Freitas (Republicanos) não for revertida.
As declarações foram feitas em duas ocasiões distintas: um fórum de infraestrutura em São Paulo e uma sabatina da revista Veja, e mobilizaram a comparação com a concessionária de energia alvo frequente de reclamações no estado.
Haddad prometeu rever contratos de concessão e fortalecer agências reguladoras, argumentando que empresas privatizadas não podem visar, exclusivamente, o lucro em detrimento do serviço público.
Diante de empresários, o candidato petista traçou uma analogia direta entre a companhia de saneamento e a Enel, distribuidora de energia que acumula críticas da população paulista por falhas e interrupções no fornecimento.
“Nós temos de incidir no contrato para evitar que essa Sabesp se transforme numa Enel das águas”, afirmou Haddad.
A comparação não é casual. Segundo Haddad, a Enel funciona como síntese do que pode dar errado quando um serviço essencial é transferido ao setor privado sem fiscalização efetiva.
O ex-prefeito de São Paulo repetiu o alerta na sabatina, reforçando que a crítica às privatizações da gestão Tarcísio de Freitas é um eixo central de sua campanha. Para ele, sem mudança de rota, o risco concreto é o encarecimento das tarifas de água e a piora no atendimento à população.
Críticas e propostas de Haddad
Para sustentar suas críticas, Haddad apresentou dados. Após a privatização da Sabesp, o número de falhas nos serviços aumentou 27%. O candidato também citou mortes de trabalhadores em obras da companhia como evidência da necessidade urgente de mudanças na fiscalização e na gestão dos contratos de concessão.
Haddad foi além do diagnóstico e apresentou propostas. Caso eleito, pretende rever os contratos de concessão e analisar, detalhadamente, o que está sendo executado. Na sua avaliação, as agências reguladoras precisam ser comandadas por técnicos que compreendam o setor, e não por indicações partidárias. “Essas empresas não podem visar exclusivamente os lucros”, afirmou. A defesa de reguladores técnicos e independentes, capazes de intervir, analisar contratos e cobrar qualidade, aparece como a principal garantia que Haddad propõe para proteger os usuários dos serviços concedidos.
Contexto político e econômico
Ainda na sabatina, Haddad também voltou a atenção para as finanças paulistas. “As contas do estado estão se deteriorando muito rapidamente”, afirmou, defendendo um plano de desenvolvimento que passe pelo saneamento das contas públicas.
Questionado sobre a economia nacional, o ex-ministro da Fazenda rebateu críticas ao governo Lula e argumentou haver um descompasso entre os indicadores econômicos e a percepção pública.
“Nós estamos num mundo em que às vezes a narrativa se impõe mais do que a realidade”, disse. Ao mesmo tempo, Haddad evitou o triunfalismo: “Você nunca ouviu da minha boca a afirmação de que tá tudo lindo e maravilhoso”.

Ver mais

💬 Comentários (0)

Seja o primeiro a comentar!