Flávio Bolsonaro declara apoio e rasga elogios a Eduardo Cunha, cassado por corrupção

Flávio Bolsonaro declara apoio e rasga elogios a Eduardo Cunha, cassado por corrupção
Eduardo Cunha e Flávio Bolsonaro - Foto: Reprodução

O senador Flávio Bolsonaro (PL) gravou, nesta quarta-feira (26), um vídeo com Eduardo Cunha (Republicanos) declarando apoio à candidatura do ex-presidente da Câmara a deputado federal por Minas Gerais.
Na gravação, Bolsonaro destaca o papel de Cunha na condução do golpe que culminou no impeachment da ex-presidenta Dilma Rousseff, em 2015, mas não faz qualquer referência ao histórico político do ex-presidente da Câmara: a cassação do mandato em 2016 por quebra de decoro parlamentar, sua prisão no âmbito da Operação Lava Jato e as condenações posteriormente anuladas pela Justiça.
Cunha, por sua vez, retribuiu o apoio afirmando que fará campanha por Flávio Bolsonaro em Minas Gerais e no país, contrariando a posição oficial do Republicanos, que declarou neutralidade na disputa presidencial.
Flávio Bolsonaro exalta Cunha pelo impeachment de Dilma
No vídeo publicado nas redes sociais de Cunha, Flávio Bolsonaro afirma que o ex-presidente da Câmara foi responsável por “abrir os olhos da população brasileira e derrubar a Dilma”, em referência à abertura e condução do processo de impeachment contra Dilma Rousseff.
O senador também classificou a petista como “a pior presidente que esse país tenha tido na sua história”. A defesa do impeachment aparece como o principal argumento apresentado por Bolsonaro para justificar o apoio a Cunha, sem mencionar os episódios que levaram à sua cassação e às investigações por corrupção.
Ao agradecer o apoio, Eduardo Cunha afirmou que está fazendo campanha para Flávio Bolsonaro “em Minas Gerais e no país”. A declaração expõe uma contradição dentro do próprio partido do ex-deputado.
“Meu partido, Republicanos, está neutro, mas eu estou apoiando Flávio Bolsonaro”, disse Cunha.
Veja vídeo:
https://x.com/EleicaoBr2026/status/2092763934709227759
Eduardo Cunha foi cassado por quebra de decoro parlamentar
O apoio de Flávio Bolsonaro coloca novamente no centro do debate político o histórico de Eduardo Cunha, um dos personagens mais controversos da política brasileira recente.
Em 12 de setembro de 2016, o plenário da Câmara dos Deputados cassou o mandato de Cunha por quebra de decoro parlamentar. O resultado foi expressivo: 450 deputados votaram pela cassação, enquanto apenas 10 foram contrários.
O processo teve como origem a acusação de que Cunha havia mentido à CPI da Petrobras, em maio de 2015, ao negar possuir contas bancárias no exterior. Documentos enviados pelo Ministério Público da Suíça às autoridades brasileiras apontaram a existência de contas atribuídas a Cunha e familiares naquele país.
Ainda em 2016, Cunha foi preso no âmbito da Operação Lava Jato, acusado de receber propina em contratos da Petrobras e sob alegação de risco às investigações. Ele chegou a ser condenado a quase 16 anos de prisão.
As condenações, entretanto, foram anuladas pela Justiça em decisões de 2021 e 2023.
Da cassação ao retorno às urnas
Mesmo após a cassação e os processos judiciais, Eduardo Cunha tentou retornar ao Legislativo. Em 2022, disputou uma vaga de deputado estadual por São Paulo, pelo PTB, mas não foi eleito.
Agora, busca uma cadeira na Câmara dos Deputados por Minas Gerais.
Na construção de sua nova base política, Cunha tem concentrado esforços no interior mineiro. Segundo investigação da Polícia Federal, ele destinou, por meio da liderança do Republicanos na Câmara, R$ 6,15 milhões em emendas parlamentares para 29 municípios do estado.
Paralelamente, ampliou sua presença regional por meio da rede evangélica 89 Maravilha FM e da aproximação com prefeitos, vereadores e lideranças políticas que participam de programas e agendas nas emissoras.
O discurso anticorrupção e a reabilitação política de Cunha
O apoio de Flávio Bolsonaro a Eduardo Cunha recoloca em debate uma antiga contradição da política brasileira: a aproximação entre discursos de combate à corrupção e alianças com figuras marcadas por denúncias e processos relacionados ao tema.
A aliança entre os dois políticos ocorre em um momento em que Cunha busca reconstruir sua influência eleitoral e Flávio Bolsonaro articula apoios para sua candidatura presidencial.

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