Pesquisadores e estudantes lançaram um abaixo-assinado e convocaram para um ato nesta sexta-feira (28) contra os cortes nas Bolsas Estágio de Pesquisa no Exterior (BEPE) da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), uma das principais agências públicas de incentivo à ciência, anunciados pelo governo de Tarcísio de Freitas (Republicanos) nesta quarta-feira (26).
Com as novas regras, o auxílio à pesquisa estudantil será destinado apenas a estudantes de Doutorado Direto, Doutorado e Pós-Doutorado, restringindo o acesso de alunos de Iniciação Científica e Mestrado. Além disso, o governo também anunciou a redução de um ano para seis meses do período de doutorado internacional.
Após o anúncio, instituições e parlamentares se manifestaram contra os cortes. A Associação Central de Pós-Graduandos da Unesp, a Associação de Pós-Graduandos da USP Capital, a Associação Central de Pós-Graduação da Unicamp, e o Coletivo Ação pela Ciência afirmaram que o anúncio “trata-se de um grave retrocesso para a formação científica paulista” e destacaram a importância da BEPE na produção de ciência e tecnologia do país.
“A BEPE é uma política fundamental para a inserção internacional de estudantes e pesquisadores. Ela permite acesso a redes de colaboração, laboratórios, técnicas e conhecimentos que retornam ao Estado de São Paulo como produção científica, formação qualificada, inovação e desenvolvimento tecnológico”, afirmam os pesquisadores.
Eles ainda acrescentam que eliminar essa possibilidade para estudantes de graduação e mestrado e reduzir pela metade o período disponível aos doutorandos e pós-doutorandos restringe a formação de jovens pesquisadores, compromete projetos já planejados e aprofunda desigualdades.
“Para grande parte da comunidade acadêmica, especialmente estudantes de origem popular, o financiamento público é a única possibilidade concreta de vivenciar uma experiência internacional de pesquisa”, destacam.
Desse modo, as instituições exigem a revogação imediata das mudanças e a manutenção da BEPE para todas as modalidades anteriormente atendidas, além da retomada do período de até 12 meses para doutorandos e pós-doutorandos.
Os pesquisadores também pedem “diálogo transparente e urgente” da FAPESP com estudantes, pesquisadores, entidades científicas e universidades, apresentando as razões da medida e construindo uma solução que não penalize a formação científica no Estado.
Abaixo-assinado
A Associação de Docentes da Unesp (Adunesp) também lançou um abaixo-assinado para pressionar a FAPESP a reverter os cortes antes do início das novas regras, marcado para 1º de setembro.
Cobrança de parlamentares
Parlamentares de São Paulo também se manifestaram contra os cortes e anunciaram medidas para tentar reverter o anúncio. A deputada federal Sâmia Bomfim (PSOL) e a vereadora e candidata a deputada estadual Duda Hidalgo (PT) afirmaram nas redes sociais que estão cobrando respostas do governo de Tarcísio e divulgaram o abaixo-assinado para pressionar contra os cortes.
“Sob Tarcísio, a ciência e nossas universidades em São Paulo estão pedindo socorro. Pesquisa se faz com investimento, com permanência, com bolsa e com apoio”, afirmou Samia.
“Ao invés de valorizar a ciência e a pesquisa, Tarcísio vai na contramão, destruindo ainda mais a ciência do nosso estado. Não vamos deixar que Tarcísio trate a FAPESP dessa forma e que ele faça mais esse desmonte no nosso estado”, declarou Duda.
Já o deputado estadual e candidato a deputado federal Guilherme Cortez (PSOL) afirmou que entrou com uma ação revogatória na Vara da Fazenda Pública de São Paulo para exigir a retomada dos investimentos.
Ato na sede da FAPESP
Já as Associações de Pós -Graduandos da USP, UNESP e UNICAMP, junto com a UEE-SP e os Diretórios Centrais dos Estudantes convocaram um ato na sede da FAPESP, Rua Pio XI, 1500, Alto da Lapa, nesta sexta-feira (28), às 16h00.
Pesquisadores lançam abaixo-assinado e convocam ato contra cortes de Tarcísio na FAPESP
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