Após ouvir trabalhadores, Boulos cobra explicações do iFood sobre sobre mudanças na plataforma

Após ouvir trabalhadores, Boulos cobra explicações do iFood sobre sobre mudanças na plataforma
- Boulos cobra iFood sobre modelo Mais Entregas após queixas de trabalhadores por aplicativo. Foto: Fábio...

O ministro Guilherme Boulos (Psol) afirmou nesta sexta-feira (28) que a resposta apresentada pelo iFood sobre o funcionamento da modalidade Mais Entregas não foi suficiente para esclarecer as reclamações feitas por trabalhadores do aplicativo.
Segundo Boulos, a manifestação da empresa não respondeu aos principais problemas relatados pelos entregadores, especialmente em relação à remuneração, ao funcionamento do algoritmo e à distribuição das demandas.
“Desde que o modelo foi implantado, a Secretaria-Geral da Presidência recebeu centenas de reclamações dos trabalhadores dizendo que o Mais Entregas impõe, na prática, um sistema que reduz a remuneração”, afirmou o ministro em nota.
O governo federal abriu diálogo com a plataforma após Boulos receber representantes de entregadores no Palácio do Planalto. Na ocasião, trabalhadores relataram preocupação com possíveis impactos da nova modalidade sobre ganhos, jornada e autonomia profissional.
Entre as críticas apresentadas pelos entregadores está a suspeita de que aqueles que optam por não aderir ao Mais Entregas poderiam receber menos chamadas pelo sistema de distribuição do aplicativo. Para Boulos, a falta de transparência das plataformas digitais é um dos principais pontos de preocupação.
“O nosso governo tomará medidas rápidas e efetivas para combater” a falta de transparência, declarou.
O iFood afirmou que a modalidade é voluntária e foi criada para oferecer maior previsibilidade de demanda e remuneração aos entregadores. Segundo a empresa, o modelo combina um valor fixo pelo período reservado, pagamentos por pedidos realizados e eventuais incentivos.
A plataforma também afirmou que os entregadores do Mais Entregas recebem, em geral, entre 10% e 30% mais do que os trabalhadores do modelo Nuvem nos períodos em que estão agendados.
Em nota enviada ao governo, o iFood declarou ainda que a adesão pode ser revertida, que a modalidade não substitui o modelo tradicional e que nenhum entregador recebe, por hora trabalhada, menos do que o salário mínimo horário vigente no país.
A empresa informou que o ganho médio por hora trabalhada dos entregadores via iFood em 2025 foi de R$ 29,65.
O debate ocorre em meio às discussões sobre a regulamentação do trabalho por plataformas digitais e as condições oferecidas a milhões de trabalhadores que dependem desses aplicativos como fonte de renda.

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