A pesquisa BTG/Nexus divulgada nesta segunda-feira (31 de agosto) reconfigurou o cenário eleitoral para 2026: o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ampliou sua vantagem sobre Flávio Bolsonaro (PL) de quatro para seis pontos percentuais no primeiro turno, enquanto Augusto Cury (Avante) protagonizou o movimento mais expressivo da rodada ao saltar nove pontos em sete dias.
O levantamento é o primeiro realizado após o debate presidencial na televisão, as entrevistas no Jornal Nacional e o início do horário eleitoral gratuito, o que ajuda a contextualizar a velocidade das mudanças no mapa de intenções de voto.
Lula amplia vantagem e Cury dispara
A pesquisa BTG/Nexus mostra Lula com 39% das intenções de voto no cenário estimulado de primeiro turno, contra 33% de Flávio Bolsonaro. Na rodada anterior, divulgada em 24 de agosto, o presidente registrava 41% e o candidato do PL, 37%. Os dois recuaram, mas Flávio perdeu quatro pontos ante dois de Lula, o que ampliou a distância entre eles. A margem de erro do levantamento é de dois pontos percentuais.
O movimento mais expressivo da rodada, porém, é o de Augusto Cury. O escritor e candidato do Avante saiu de 2% para 11% em uma semana, crescimento de nove pontos percentuais que o coloca isoladamente na terceira posição, muito acima da margem de erro. O salto também aparece na pesquisa espontânea, modalidade em que os entrevistados não recebem uma lista de nomes: Cury passou de 1% para 8% nesse formato, enquanto Lula marcou 37% e Flávio Bolsonaro, 30%. Ronaldo Caiado (PSD) aparece com 5% no cenário estimulado, e os demais candidatos ficam abaixo de 3%. Brancos, nulos ou indecisos somam 6%.
O perfil do eleitor de Augusto Cury
O crescimento de Cury não se distribui de forma uniforme pelo eleitorado. Os dados da BTG/Nexus mostram que sua adesão é mais intensa entre os mais jovens: 22% na faixa de 16 a 24 anos e 16% entre eleitores de 25 a 40 anos. Entre os que têm de 41 a 59 anos, o índice cai para 8%, e entre os eleitores com 60 anos ou mais, recua para 4%.
O recorte mais expressivo é o etário: entre eleitores de 16 a 24 anos, Cury alcança 22% das intenções de voto, seu melhor resultado em qualquer segmento pesquisado. Na faixa de 25 a 40 anos, registra 16%. A partir daí, a curva cai: 8% entre os eleitores de 41 a 59 anos e apenas 4% entre os que têm 60 anos ou mais.
] Cury tem 17% entre eleitores com ensino superior e 14% entre aqueles com ensino médio. Entre os eleitores com ensino fundamental, o número cai para 3%. A renda segue trajetória semelhante: 17% entre quem ganha mais de cinco salários mínimos, contra 8% entre quem recebe até um salário mínimo.
Segundo turno
As mudanças no primeiro turno não se traduziram, por enquanto, em alteração no cenário de segundo turno. Na simulação entre Lula e Flávio Bolsonaro, o presidente registra 46% contra 45% do senador, configurando empate técnico dentro da margem de erro, resultado idêntico ao da semana anterior. A vantagem que Lula acumulou no primeiro turno ainda não se converte em folga decisiva para uma eventual rodada final.
O grau de consolidação do voto de Cury é o ponto de maior atenção para os próximos levantamentos. Segundo a pesquisa, 39% dos eleitores que hoje declaram voto no candidato do Avante afirmam que ainda podem mudar de escolha, índice muito superior aos 14% registrados entre os eleitores de Lula e de Flávio Bolsonaro.
O dado revela a volatilidade da base de Cury e sinaliza que seu crescimento pode ser disputado por outros candidatos à medida que a campanha avança.
No cenário que inclui Pablo Marçal, inelegível mas testado pela pesquisa, Lula mantém 37%, Flávio Bolsonaro fica com 31% e Cury sustenta os 11%, preservando a vantagem de seis pontos do presidente sobre o candidato do PL.
BTG/Nexus: os principais detalhes da nova pesquisa presidencial
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