“Agora não”: campanha empresarial tenta barrar fim da escala 6×1 às vésperas da votação da PEC

“Agora não”: campanha empresarial tenta barrar fim da escala 6×1 às vésperas da votação da PEC
- José Roberto Tadros, presidente da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) desde...

A reação do setor empresarial ao avanço da proposta que acaba com a escala 6×1 ganhou um slogan. Com a campanha “Agora não”, a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) passou a pressionar o Senado para que a mudança na jornada de trabalho não seja votada neste momento.
A mobilização ocorre às vésperas da análise da PEC pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, prevista para esta quarta-feira (2). Caso seja aprovada no colegiado, a proposta ainda precisará passar por duas votações no plenário da Casa.
A entidade empresarial afirma que uma redução da jornada sem redução salarial poderia elevar custos, pressionar preços e afetar empregos. Segundo a CNC, mais de 90% da mão de obra do setor terciário trabalha atualmente no regime de seis dias de trabalho por um de descanso.
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A campanha defende que uma eventual mudança seja construída por meio de negociações entre empresas e trabalhadores. Para a CNC, setores como comércio, turismo, bares e restaurantes seriam os mais impactados por dependerem de funcionamento presencial em fins de semana e feriados.
O argumento de que a redução da jornada levaria automaticamente a perdas econômicas, porém, é contestado por estudos internacionais. Uma pesquisa publicada pelo Instituto de Economia do Trabalho (IZA) analisou reformas feitas em França, Itália, Bélgica, Portugal e Eslovênia entre 1995 e 2007 e não identificou queda significativa no emprego ou no Produto Interno Bruto após a redução das horas trabalhadas.
O estudo, assinado pelos pesquisadores Cyprien Batut, Andrea Garnero e Alessandro Tondini, avaliou 32 setores da economia e apontou que a diminuição da jornada e o aumento do custo da hora trabalhada foram absorvidos sem efeitos relevantes sobre o nível de emprego.
Os pesquisadores também não encontraram evidências que confirmassem a previsão de que a redução da jornada sem corte salarial provocaria uma perda expressiva de postos de trabalho, argumento frequentemente utilizado por setores empresariais em debates trabalhistas.
A pesquisa destaca ainda que jornadas menores podem ter efeitos sobre o bem-estar dos trabalhadores e contribuir para ganhos de produtividade e retenção de profissionais.

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