Imagine só um “Lula” candidato pelo PL, apoiador de Jair Bolsonaro e financiado pelo partido comandado por Valdemar Costa Neto.
A combinação improvável faz parte da estratégia eleitoral de Célio José de Morais, vereador de Jaboticabal (SP) que transformou a semelhança física com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em marca política e adotou o nome de urna “Lula do Bem”.
Em meio à campanha para chegar à Câmara dos Deputados, o histórico fiscal do candidato revela um dado que chama atenção: Célio possui aproximadamente R$ 755 mil inscritos na Dívida Ativa da União, segundo dados da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN). Desse total, cerca de R$ 513 mil correspondem a débitos previdenciários.
O médico cardiologista também já respondeu a uma ação penal movida pelo Ministério Público Federal (MPF) envolvendo justamente o recolhimento de contribuições destinadas à Previdência Social.
O processo foi instaurado em 2006 e envolvia acusações de apropriação indébita previdenciária e crime continuado. A conduta apontada na ação consistia no desconto de valores destinados à Previdência de pagamentos feitos a empregados ou terceiros sem o repasse dos recursos aos cofres públicos dentro do prazo previsto em lei.
Célio Morais não foi condenado no caso.
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Uma ação que atravessou quase duas décadas
O processo permaneceu suspenso durante anos enquanto os débitos discutidos estavam incluídos em acordos de parcelamento. A legislação prevê a suspensão da pretensão punitiva do Estado enquanto determinados débitos tributários permanecem submetidos ao parcelamento nas condições previstas em lei.
A previsão era de que a quitação fosse concluída em 31 de julho de 2024. Mas o desfecho foi por outro caminho.
O crédito tributário foi posteriormente cancelado administrativamente em razão da prescrição. Na prática, isso significa que transcorreu o prazo legal para a cobrança do débito — e não que houve uma decisão judicial de mérito concluindo pela improcedência das acusações.
Diante do cancelamento do crédito, o MPF apontou perda de interesse processual na continuidade da ação penal. O caso iniciado 18 anos antes, chegou ao fim sem condenação criminal de Célio Morais.
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PL aposta em “Lula” bolsonarista
A projeção eleitoral de Célio está diretamente ligada à semelhança física com o presidente Lula — embora, politicamente, o candidato esteja ao lado completamente aposto ao petista.
O vereador se aproximou de Jair Bolsonaro e ganhou espaço entre apoiadores do ex-presidente nas redes sociais. Em 2025, também apareceu ao lado do líder do PL durante manifestações políticas.
A associação entre aparência, nome e posicionamento político acabou incorporada à estratégia eleitoral do partido.
Em março deste ano, Valdemar Costa Neto recebeu Célio e promoveu publicamente sua pré-candidatura à Câmara dos Deputados. Em vídeo publicado ao lado do médico, o presidente nacional do PL declarou que a legenda precisava de pessoas como ele em Brasília e afirmou: “Conte sempre com o PL”.
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O apoio partidário também chegou à campanha. De acordo com a prestação de contas eleitoral, o diretório nacional do PL destinou R$ 300 mil à candidatura de “Lula do Bem”.
A estratégia de transformar a semelhança com Lula em identidade eleitoral provocou uma disputa antes mesmo da abertura das urnas.
A Procuradoria Regional Eleitoral de São Paulo questionou o registro do nome “Lula do Bem”. Para o órgão, a denominação poderia provocar confusão entre os eleitores ao sugerir uma relação com o presidente da República ou até algum grau de parentesco entre os dois. A Procuradoria também questionou o uso da expressão “do bem”, por considerar que sua inclusão poderia transmitir uma “mensagem ideológica e juízo de valor”.
Porém, a tentativa de impedir o uso do nome não prosperou. Em decisão publicada nesta segunda-feira (31), o Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) deferiu o pedido de registro da candidatura de Célio Morais.
Com a decisão, o PL terá seu próprio “Lula” na disputa por uma vaga na Câmara dos Deputados em São Paulo: um candidato bolsonarista que transformou a semelhança física com o presidente em marca eleitoral e chega à campanha com R$ 513 mil em débitos previdenciários inscritos na Dívida Ativa da União.
“Lula do Bem”: Sósia bolsonarista acumula R$ 513 mil em dívidas com a Previdência
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