Pablo Marçal (PRTB) não está confirmado na disputa pela Presidência da República em 2026. Embora seu nome apareça entre os pedidos de candidatura apresentados à Justiça Eleitoral, o registro do ex-coach continua pendente de julgamento no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
A situação jurídica de Marçal é bem diferente da de candidatos como Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Flávio Bolsonaro (PL), Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo), cujos registros já foram aprovados pela Corte.
Até esta sexta-feira (4), oito das 13 candidaturas apresentadas à Presidência haviam sido homologadas. Outras cinco ainda aguardavam julgamento — entre elas, a de Marçal.
E o problema do empresário vai além da demora na análise do registro.
Marçal está inelegível por oito anos em razão de uma condenação relacionada ao chamado “concurso de cortes”, estratégia utilizada durante sua campanha à Prefeitura de São Paulo, em 2024.
Leia: TRE-SP confirma inelegibilidade de Marçal, que ainda tenta registrar candidatura junto ao TSE
Marçal não pode fazer campanha enquanto TSE decide
Em agosto, o TSE impôs uma restrição ainda mais dura ao ex-coach.
Por unanimidade, os ministros determinaram que Marçal não pode utilizar recursos do Fundo Especial de Financiamento de Campanha nem do fundo partidário enquanto o pedido de registro não for julgado.
A decisão também o impede de participar de debates, utilizar a propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão e praticar outros atos de propaganda eleitoral.
Ou seja: não é correto dizer que Marçal já está autorizado a fazer campanha normalmente ou que sua candidatura foi definitivamente aceita.
O que existe, neste momento, é um pedido de registro ainda em análise pela Justiça Eleitoral.
Leia: TRE toma nova decisão sobre Marçal em meio à incerteza de candidatura
Por que Marçal está inelegível?
A condenação nasceu da campanha municipal de 2024, quando Marçal disputou a Prefeitura de São Paulo.
Na ocasião, sua estratégia nas redes sociais incluiu o chamado “concurso de cortes”: seguidores eram incentivados, inclusive por meio de premiações, a produzir pequenos trechos de vídeos do candidato e espalhá-los pelas plataformas digitais.
A prática ajudava a multiplicar o alcance das falas de Marçal e transformava discursos, provocações e momentos de campanha em uma grande quantidade de conteúdos nas redes.
Para a Justiça Eleitoral paulista, a estratégia ultrapassou os limites permitidos pela legislação.
Em dezembro de 2025, o Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP), por 4 votos a 3, manteve a condenação de Marçal por uso indevido dos meios de comunicação social.
Como consequência, o empresário foi declarado inelegível por oito anos. O tribunal também manteve uma multa de R$ 420 mil por descumprimento de ordem judicial.
Leia: Pablo Marçal é processado por treze compradores por obras inacabadas em condomínio
Em agosto deste ano, o TRE-SP rejeitou os embargos apresentados pela defesa. Marçal continua tentando reverter a condenação.
Como se a inelegibilidade não bastasse, existe uma segunda frente judicial envolvendo a candidatura. Marçal precisou recorrer à Justiça para conseguir o reconhecimento de sua filiação ao PRTB dentro do prazo exigido pela legislação eleitoral.
Em 15 de agosto, uma liminar determinou a regularização provisória da filiação, com efeito retroativo a 4 de abril — data necessária para que ele pudesse cumprir a exigência de vínculo partidário antes da eleição.
O Ministério Público Eleitoral, porém, contesta essa versão. Nesta quinta-feira (3), o MPE pediu a revogação da liminar e sustentou que Marçal não apresentou provas suficientes de que efetivamente estava filiado ao PRTB dentro do prazo legal.
Segundo a Promotoria, faltam documentos e registros contemporâneos que comprovem que a filiação foi formalizada na data alegada pelo empresário.
A candidatura de Marçal chega cercada por duas disputas judiciais: a condenação que o tornou inelegível até 2032 e a controvérsia sobre sua filiação ao PRTB.
A situação carrega uma ironia política. Marçal ganhou projeção nacional justamente ao dominar a lógica das redes sociais, apostando em vídeos curtos, provocações e estratégias agressivas de viralização.
Agora, tenta chegar à eleição presidencial enquanto enfrenta uma condenação ligada justamente à maneira como utilizou essas ferramentas durante a campanha de 2024.
Por enquanto, seu nome permanece no sistema da Justiça Eleitoral, mas isso não significa que esteja definitivamente na disputa.
Antes de chegar às urnas, Marçal terá de vencer uma batalha bem mais imediata: convencer a Justiça Eleitoral de que pode ser candidato.
Pablo Marçal: TSE homologa candidatos à Presidência; ex-coach aguarda julgamento
💬 Comentários (0)
Seja o primeiro a comentar!