Perito de Dark Horse tem contrato de R$ 728 mil com previdência exposta ao Banco Master

Perito de Dark Horse tem contrato de R$ 728 mil com previdência exposta ao Banco Master
Cartaz de divulgação do filme Dark Horse onde foi aberto offshore em delaware e sócio da produtora ligado ao PCC;...

O perito Anísio Costa Castelo Branco, contratado para analisar as contas de Dark Horse, filme sobre Jair Bolsonaro (PL) financiado com recursos ligados ao banqueiro Daniel Vorcaro, já atuava em outro caso envolvendo o Banco Master. Desde janeiro, a empresa comandada por ele presta serviços ao Instituto de Previdência Social dos Servidores de Cajamar (IPSSC), que aplicou R$ 87 milhões em títulos emitidos pelo banco.
A informação foi revelada nesta terça-feira (8) pelo jornalista Cleber Lourenço, do ICL Notícias. Segundo a apuração, o contrato entre o instituto e a empresa de Anísio soma R$ 728,5 mil e inclui uma perícia investigativa defensiva sobre os investimentos feitos no Master.
A atuação no caso de Cajamar antecede a perícia de Dark Horse. Em 7 de maio, o IPSSC indicou Anísio como assistente técnico na ação judicial que discute os R$ 87 milhões investidos no banco. Em 11 de junho, pouco mais de um mês depois, ele assinou a perícia sobre as contas do filme.
Perito de Dark Horse recebeu contrato de R$ 728,5 mil
O contrato foi firmado em janeiro de 2026, por inexigibilidade de licitação. Dos R$ 728,5 mil previstos, R$ 692,7 mil correspondem ao serviço de “perícia investigativa defensiva” relacionado aos desdobramentos das aplicações no Banco Master.
O trabalho é realizado pelo IPI – Instituto de Perícia Investigativa, comandado por Anísio. Ao ICL, o perito informou que a equipe analisa demonstrações contábeis do Master, acompanha procedimentos administrativos no Banco Central e examina documentos produzidos pela KPMG e pela Fitch Ratings.
Também estão entre os objetos da perícia a atuação do Banco Central, da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e do Ministério da Previdência. O IPI ainda presta assistência técnica aos advogados do instituto nas ações e procedimentos abertos após os investimentos.
Segundo Anísio, o trabalho pode resultar em laudos, pareceres e notas técnicas para subsidiar medidas de recuperação dos recursos, pedidos de indenização e eventual responsabilização de agentes envolvidos. Ele afirmou que a perícia continua em andamento e ainda não chegou a uma conclusão definitiva sobre responsabilidades.
Cajamar aplicou R$ 87 milhões no Banco Master
Os investimentos do IPSSC foram detalhados pelo Ministério Público de Contas do Estado de São Paulo. Segundo o órgão, Cajamar aplicou R$ 87 milhões em Letras Financeiras do Banco Master entre 2023 e 2024.
Foram três operações: R$ 35 milhões em outubro de 2023, R$ 25 milhões em dezembro daquele ano e R$ 27 milhões em março de 2024.
O montante representava mais de 15% da carteira do regime próprio de previdência do município. O MPC-SP apresentou representação ao Tribunal de Contas do Estado questionando as aplicações e a exposição dos recursos previdenciários ao banco.
Em levantamento posterior, o órgão identificou R$ 238,15 milhões aplicados por fundos previdenciários municipais paulistas em ativos relacionados ao Master. Cajamar aparece entre os municípios com os maiores valores, atrás apenas de São Roque, que tinha R$ 93,15 milhões.
Uma ação popular também questiona as três aplicações feitas pelo IPSSC. Entre os réus estão o próprio instituto, o Banco Master, Daniel Vorcaro, ex-dirigentes da previdência municipal, uma consultoria e o então prefeito de Cajamar, Danilo Joan.
Em abril, a Justiça determinou uma perícia contábil e atuarial para examinar as operações. Entre os pontos a serem apurados estão a situação financeira do Master na época dos aportes, as análises de risco realizadas antes das aplicações, os responsáveis pelas decisões e o eventual impacto das operações sobre o patrimônio previdenciário.
Anísio assumiu perícia sobre as contas de Dark Horse
Enquanto o trabalho em Cajamar avançava, Anísio foi contratado para elaborar uma perícia investigativa defensiva sobre as contas de Dark Horse, produção da Go Up Entertainment sobre Jair Bolsonaro.
O financiamento do filme entrou nas investigações relacionadas a Daniel Vorcaro. A Fórum mostrou que um operador ligado ao banqueiro fechou acordo de delação com a Procuradoria-Geral da República e relatou operações envolvendo recursos destinados a Dark Horse.
A produção também é alvo de apuração sobre o caminho percorrido pelo dinheiro usado para financiar o projeto e sua relação com estruturas ligadas a Vorcaro.
Segundo Cleber Lourenço, Anísio afirmou que o escritório HSLaw, de Ricardo Hasson Sayeg, responsável por contratá-lo para a análise de Dark Horse, sabia que ele já trabalhava no caso do Banco Master em Cajamar.
O perito disse ainda ao ICL que as duas contratações passaram pelo setor de compliance do IPI. De acordo com ele, a avaliação interna não identificou conflito de interesses entre os trabalhos.

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