Quem é Andrei Rodrigues, diretor-geral da PF afastado por Mendonça

Quem é Andrei Rodrigues, diretor-geral da PF afastado por Mendonça
Andrei Rodrigues - Diretor-geral da PF Andrei Rodrigues (Foto: Marcelo Camargo/PF)

O afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, determinado pelo ministro André Mendonça (STF) em setembro de 2026, é o ápice uma crise institucional que expõe fissuras profundas entre a cúpula da corporação e o Judiciário.
Entenda a decisão: Mendonça afasta Andrei Rodrigues da direção-geral da PF em decisão monocrática sobre ato de ofício
Para compreender a dimensão do ocorrido, é fundamental conhecer a biografia de Andrei Rodrigues, comandante da principal instituição de investigação criminal do país.
Andrei Rodrigues: biografia
Natural de Pelotas (RS), Andrei Rodrigues é um delegado de carreira com mais de 20 anos de atuação na Polícia Federal. Sua formação inclui graduação em Direito pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel) e mestrado em Alta Gestão em Segurança Internacional pela Universidade Carlos III de Madrid, na Espanha. Possui também pós-graduação pela Escola Superior da Magistratura Federal do Rio Grande do Sul (Esmafe).
Sua carreira na PF foi extensa e variada. Ocupou funções de chefia em diversas delegacias especializadas: foi chefe da Delegacia de Repressão a Entorpecentes em Manaus, da Delegacia de Repressão a Crimes Fazendários em Porto Alegre e de uma unidade da PF no Aeroporto Internacional de Brasília.
Andrei Rodrigues atuou como oficial de ligação da PF em Madri, na Espanha, onde trabalhou com cooperação policial internacional.
Foi integrante da comissão que elaborou o Manual de Planejamento e Gestão de Operações da PF e exerceu funções como assistente da Diretoria Executiva e chefe da Unidade de Gestão Estratégica da Diretoria de Tecnologia da Inovação.
Segurança de grandes eventos
Foi sua atuação na segurança de altas autoridades, porém, que o projetou para o comando da PF. Andrei Rodrigues foi o responsável pela segurança da então candidata Dilma Rousseff na campanha de 2010, quando ela foi eleita presidente.
Repetiu o papel na campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2022, permanecendo à frente de sua segurança até ser nomeado para a direção-geral.
Essa experiência com segurança presidencial já vinha de antes. Rodrigues foi secretário extraordinário de Segurança para Grandes Eventos, uma pasta criada em 2011.
Nessa função, foi responsável pela coordenação da segurança durante a Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos e Paralímpicos do Rio de Janeiro em 2016.
Em 2016, recebeu a premiação, em primeiro lugar, da administração pública federal em gestão de projetos como instrumento para aprimorar o controle interno, concedida pelo Ministério da Transparência e pela Controladoria-Geral da União.
Em 2018, ganhou o primeiro lugar em boas práticas de gestão na categoria carreiras jurídicas, oferecido pela Associação Nacional de Juízes Federais.
Diretor-geral da PF
O nome de Andrei Rodrigues para a direção-geral da PF foi anunciado em dezembro de 2022 pelo então futuro ministro da Justiça, Flávio Dino, com a missão de restaurar a “autoridade e a legalidade das polícias”. A escolha levou em consideração sua experiência na área de segurança presidencial e sua trajetória dentro da própria Polícia Federal.
Após anos de uma PF que atuou de maneira espetaculosa, ganhando notoriedade pública durante a Operação Lava-Jato e aparelhada durante a gestão Bolsonaro, Andrei assumiu o posto com a missão de recuperar a discrição e a eficiência da Polícia Federal.
Durante sua gestão, iniciada em janeiro de 2023, a PF deflagrou operações de grande repercussão nacional.
Sob seu comando, a corporação conduziu investigações como a Operação Overclean, que apura suspeitas de desvios de recursos públicos, fraudes em licitações, corrupção e lavagem de dinheiro.
As investigações sobre fraudes no INSS (Operação Sem Desconto) e o caso Banco Master (Operação Compliance Zero) também marcaram sua gestão.
A Operação Carbono Oculto, que investigou a atuação do PCC e outras organizações criminosas na Faria Lima, também foi um fruto da sua gestão.
Durante sua gestão, a PF retirou cerca de R$ 10 bilhões do crime organizado em 2025. Apenas no ano passado, a corporação realizou 3.800 operações, 42 mil pessoas indiciadas e mais de 9 mil prisões em flagrante em um ano.
 

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