A decisão de André Mendonça, em ato de ofício, determinando o afastamento de Andrei Rodrigues da Direção-Geral da Polícia Federal e do delegado Leandro Almada da Costa da direção de Inteligência expôs uma divisão interna dentro da própria corporação.
BLOG DO ROVAI: Mendonça afasta Andrei da PF e põe democracia em risco no país – é guerra total!
O racha teve início durante a Operação Lava Jato, se aprofundou quando Sergio Moro (PL-PR) foi alçado a “super” Ministério da Justiça de Jair Bolsonaro (PL) e imergiu após o ex-juiz da força-tarefa deixar o cargo, acusando justamente o ex-presidente de interferir na investigações sobre o caso de corrupção das “rachadinhas” de Flávio Bolsonaro (PL) na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj).
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No entanto, após Moro reatar com o clã Bolsonaro, os simpatizantes da República de Curitiba, como ficou conhecida a força-tarefa, teriam voltado a se aglutinar. E, mais recentemente, com o ex-juiz como candidato do PL ao governo do Paraná e o apoio a Flávio Bolsonaro, ganharam força. Especialmente junto ao ministro André Mendonça, no Supremo Tribunal Federal (STF).
Nesta terça-feira (8), após a decisão polêmica de Mendonça e o adiantamento dos votos de Luiz Fux e Kássio Nunes, que rapidamente formaram maioria para avalizar a sentença do colega antes do pedido de vista de Gilmar Mendes, agentes da PF apontaram uma suposta “armação” do ministro, que teria buscado ainda se embasar na ala lavajatista da PF.
O Fórum Investiga, núcleo de jornalismo investigativo da Fórum, teve acesso a mensagens trocadas em grupos de WhatsApp que reúne agentes federais. Nas conversas, eles apontam uma suposta articulação de setores lavajatistas da PF com o ministro, alçado ao STF por Bolsonaro. As mensagens não serão transcritas literalmente para preservar as fontes.
Os agentes apontam, inclusive, que na decisão, Mendonça usa como embasamento “declarações feitas pelo Presidente da Associação de
Delegados da Polícia Federal (ADPF)”, Edvandir Felix de Paiva, sobre os seis relatórios que o setor de inteligência da PF teria feito sobre Mendonça.
Os documentos são citados pelo ministro como prova de que “há mais de 30 dias este relator tem sido monitorado pela Polícia Federal”. E relata que Alexandre de Moraes diz que “teria tido notícias da existência desses relatórios” ao pedir a inclusão do nome dele no inquérito das fake News. O pedido foi negado pelo presidente da corte, Edson Fachin.
“Isso significa que, ademais da produção ilícita dos ‘documentos’, foi dada ciência das suas existências a outro Ministro para que este subscritor fosse incluído no Inquérito das Fake News”, diz Mendonça.
No item 11 da sentença, para embasar a decisão, o ministro cita as declarações feitas por Paiva à mídia liberal em que ele afirma que o conhecimento dos relatórios “por pessoas de fora da polícia e o uso em um processo criminal é algo totalmente irregular”.
“É a primeira vez que se tem notícia de uma situação como essa. É preciso se apurar inclusive porque um ministro do Supremo Tribunal Federal sabia da produção desses documentos. Essas situações são absolutamente internas, ninguém deveria saber, a não ser quem produziu e quem recebeu”, afirmou o presidente da ADPF, segundo a decisão do ministro.
Nos grupos de WhatsApp, agentes apontam o presidente da ADPF, que chegou a condecorar Moro com a Medalha do Mérito Tiradentes em agosto de 2018 e defender a indicação “técnica” do ex-juiz para o ministério de Bolsonaro, como um dos membros da ala lavajatista.
Um dos policiais citou as diversas entrevistas sobre os relatórios concedidos pelo presidente da ADPF na semana passada. A decisão de Mendonça sobre Andrei, segundo esses agentes, expõe definitivamente o racha dentro da corporação faltando menos de um mês para o primeiro turno das eleições presidenciais.
O Fórum Investiga entrou em contato com a assessoria da ADPF para buscar uma posição da associação e de seu presidente. Até o fechamento desta reportagem, a associação não havia se manifestado. O espaço segue aberto.
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