Daniel Munduruku, uma das principais liderança indígenas do país, além de escritor e vereador na cidade de Lorena (SP), abordou, em entrevista ao Fórum Onze e Meia desta terça (8), o risco de Flávio Bolsonaro (PL) ser eleito presidente.
“Acho um completo desperdício para o Brasil como um todo. E para as minorias, de modo geral, e os povos indígenas estão colocados como uma minoria, eu diria que seria uma calamidade”, disse.
Munduruku foi contundente em sua análise sobre o representante da extrema direita. “Nós o ouvimos falando alguma coisa sobre os povos indígenas. A gente sabe que ele não entende nada sobre a temática e é o porta-voz do estereótipo, da visão preconceituosa, da visão racista sobre os povos indígenas”, declarou.
“A gente vai lutar muito para que isso não aconteça, para que a eleição dele seja negada, digamos assim, pelo povo brasileiro. Não apenas por conta dos povos indígenas, mas por conta dos avanços sociais que nós temos tido nos últimos tempos, depois da tentativa do golpe, inclusive”, relembrou.
“Essas políticas públicas precisam ter continuidade, justamente para que os povos indígenas e todas as minorias continuem crescendo dentro da sociedade brasileira e sendo valorizadas”, acrescentou o vereador.
Daniel Munduruku é candidato a deputado federal pelo PDT e relatou que está acompanhando, mesmo que não diretamente, a crise envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF).
“Nossa democracia é, realmente, um turbilhão, funciona em cima de constante perigo. É sempre um risco grande que a gente vive. Importante reforçar, neste momento, nossa soberania e a democracia brasileira”, avaliou.
Atuação política
Munduruku mencionou que sua atuação na sociedade brasileira tem sido, desde sempre, muito ampla. “Para além da minha formação, do meu comprometimento com várias pautas, sobretudo a pauta indígena, é claro, eu entendo que não dá para a gente se limitar a uma única pauta”.
Ele justificou seu pensamento afirmando que “os indígenas pensam o mundo de uma maneira circular e que todas as coisas estão envolvidas. Não existe possibilidade de a gente pensar a ciência, por exemplo, sem a cultura, com uma visão sempre mais humanística da realidade que a gente vive”.
Questionado sobre seus planos, caso seja eleito à Câmara dos Deputados, o indígena disse que tem quatro grandes pilares de atuação: cultura, educação, meio ambiente e povos indígenas. “Essas quatro matrizes conversam entre si, não são isoladas, porque são interdependentes”, acrescentou.
Destacou, ainda, a questão ambiental como fundamental, porque é a garantia de continuidade da própria existência humana. “Uma das pautas que vamos defender no Congresso Nacional é o aprimoramento das políticas públicas para a proteção ambiental e para colocar em prática a justiça ambiental”.
“Indígenas em Movimento”
Munduruku ressaltou sua atuação no que chama de “Indígenas em Movimento”. “Já existe um movimento reivindicatório de políticas públicas. Mas também temos o ‘Indígenas em Movimento’, que são pessoas que atuam em determinados segmentos da sociedade, que fazem diferença, que somam nessas políticas públicas, que são possíveis de a gente conquistar, vivendo, inclusive, em contexto urbano, fora do contexto de território. É o meu caso e de muitos outros candidatos indígenas”, contou.
Autor de mais de 60 livros, ele revelou que está completando três décadas do lançamento da sua primeira obra. “Estou celebrando esses 30 anos de trabalho com a literatura. Muito do que a gente vem fazendo na sociedade brasileira, como um todo, tem repercutido de uma maneira muito positiva. Tem transformado a visão da sociedade brasileira sobre os povos indígenas. E graças a este instrumento que é a literatura”, disse.
E lembrou da condição dos povos indígenas. “Nós, indígenas, só estamos participando, de fato, da sociedade brasileira, há 38 anos, a partir da Constituição de 1988, que nos reconheceu como brasileiros legítimos. Até ali éramos considerados brasileiros em processo de integração na sociedade brasileira. Ou seja, nós tínhamos que deixar de ser indígenas para sermos brasileiros. Eu quero levar esse debate de uma forma muito mais qualificada para o cenário nacional”, completou.
Assista entrevista completa de Daniel Munduruku
Eleição de Flávio Bolsonaro para os povos indígenas seria uma calamidade, diz Munduruku
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