Gleisi Hoffmann: “André Mendonça protege criminosos do Master”

Gleisi Hoffmann: “André Mendonça protege criminosos do Master”
O ministro André Mendonça, do STF - Foto: Marina Uezima/Photo Press Brazil/AFP

A deputada federal Gleisi Hoffmann (PT-PR) fez uma dura crítica à decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que afastou, nesta terça-feira (8), o diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues.
Para a líder petista, a decisão de Mendonça “protege e premia criminosos do Master, da Carbono Oculto e dos traficantes de drogas”.
Gleisi também pontua que, em vez de afastar o diretor-geral da PF, Mendonça deveria retirar o sigilo do caso “Dark Horse”, que envolve o candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL).
“Quem investigou os crimes de Daniel Vorcaro e prendeu a quadrilha do Master foi a Polícia Federal comandada pelo diretor-geral Andrei Rodrigues. Afastá-lo do cargo, como fez André Mendonça, é proteger e premiar os criminosos do Master, do INSS, da Carbono Oculto e dos traficantes de drogas que a PF combateu como nunca no governo do presidente Lula”
Em seguida, Gleisi Hoffmann levanta suspeitas sobre o trabalho de André Mendonça por conta do calendário eleitoral:
“Ao invés de afastar quem investigou e prendeu, André Mendonça tem de abrir o sigilo de toda a investigação envolvendo o banco Master e Vorcaro, inclusive tudo que já foi descoberto sobre as ligações com Flávio Bolsonaro e sua família. Sobre os milhões de Vorcaro para o filme Dark Horse. No fim tudo isso está acontecendo às vésperas das eleições, o que torna a decisão ainda mais questionável.”
https://x.com/gleisi/status/2097380221137682717
Lula telefona para Andrei e diz que governo irá defendê-lo
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva telefonou nesta segunda-feira (8) para o diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, para manifestar sua “indignação” diante da determinação do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que afastou Rodrigues do comando da PF.
Lula também informou a Andrei Rodrigues que o governo irá defendê-lo. Além disso, o presidente agendou uma reunião com Andrei para esta terça-feira (9) para conversar sobre a decisão do ministro do STF.
Como parte da estratégia de defesa de Andrei Rodrigues, o presidente Lula realizou uma reunião emergencial com o advogado-geral da União, Jorge Messias, e com o ministro da Justiça, Wellington Lima.
Mendonça afasta Andrei Rodrigues da direção-geral da PF em decisão monocrática sobre ato de ofício
Em uma medida sem precedentes no Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro André Mendonça determinou o afastamento de Andrei Rodrigues do cargo de diretor-geral da Polícia Federal. Em decisão monocrática nesta terça-feira (8), em ato de ofício – sem ser provocado por nenhuma parte -, Mendonça afasta ainda o delegado Leandro Almada da Costa da direção da Inteligência da PF e acusa ambos de monitorá-lo desde o dia 3 de agosto.
BLOG DO ROVAI: Mendonça afasta Andrei da PF e põe democracia em risco no país – é guerra total!
“Importa registrar que este relator foi submetido a monitoramento sistemático por parte da inteligência da polícia federal. Conforme consta do já mencionado Ofício 40/2026/GAB/PF, subscrito pelo Diretor-Geral da Polícia Federal, houve a produção de ao menos seis relatórios de inteligência produzidos pela UADIP/CINQ/CGRC/DICOR/PF, os quais teriam sido recebidos por referida autoridade entre os dias 3 e 31 de agosto de 2026. Ou seja, ao menos há mais de 30 dias este relator tem sido monitorado pela Polícia Federal. Trata-se de monitoramento ilícito de Ministro da Suprema Corte do país, o que por si só revela a gravidade da situação”, diz.
Na decisão, Mendonça classifica os supostos relatórios como “apócrifos”, sem timbre e sem elementos que permitam verificar adequadamente autoria e data de elaboração. E diz que “o próprio material dizia ser de “difusão restrita”, “documento de trabalho”, “sem valor probatório” e com “confiança agregada baixa”.
Mesmo com a identificação de que a decisão foi tomada “de ofício”, Mendonça cita uma petição do Partido Novo pedindo a prisão preventiva do diretor-geral da PF após o nome “Andrei” aparecer em uma das mensagens contidas no celular de Daniel Vorcaro, vazadas seletivamente, nas investigação do escândalo do Master, do qual o ministro é relator no Supremo.
Mendonça ainda diz que a origem dos supostos relatórios contra ele teria sido reveladas por decisão de Alexandre de Moraes que pedia a inclusão do nome dele no inquérito das Fake News por abuso de autoridade e crimes de responsabilidade na condução do caso do Banco Master e do INSS (Institutos Nacional do Seguro Social).
“No mesmo dia 03/09/2026, por meio de decisão proferida no Inq. 4781 (o Inquérito das Fake News), o Ministro Alexandre de Moraes determinou o levamento do sigilo de “relatórios de inteligência”, os quais, segundo o Ofício nº 40/GAB/PF, assinado pelo Diretor-Geral da Polícia Federal, teriam sido produzidos pela UADIP/CINQ/CGRC/DICOR/PF, que seria o “órgão de inteligência vinculado à Coordenação de Inquéritos nos Tribunais Superiores”, apesar do cabeçalho do referido Ofício indicar que a sua produção viria da Diretoria de Inteligência Polícia da Polícia Federal (DIP/PF)”, relata Mendonça na decisão desta terça-feira (9).
Em seguida, o ministro passa a decidir em benefício próprio, colocando-se como vítima de perseguição.
” A par de existirem outras questões em torno das inadequações, disfuncionalidades, irregularidades e potenciais ilicitudes na conduta do Senhor Andrei Augusto Passos Rodrigues, a superlativa gravidade e ilicitude na produção dos “relatórios de inteligência” publicizados pelo Ministro Alexandre de Moraes impõe a adoção de providências imediatas para evitar que as prerrogativas da magistratura, da advocacia pública e da própria atividade policial continuem sendo vilipendiadas. Por isso, ante a urgência e extrema gravidade que a situação apresenta, essa decisão se centrará no exame deste fato específico”.
Mais adiante, ele volta a citar Alexandre de Moraes, que, na decisão sobre o inquérito das fake News diz que “teria tido notícias da
existência desses relatórios”.
“Isso significa que, ademais da produção ilícita dos “documentos”, foi dada ciência das suas existências a outro Ministro para que este subscritor fosse incluído no Inquérito das Fake News”, afirma.
O que dizem os relatórios
Segundo a decisão de Mendonça, os seis relatórios de inteligência produzidos entre 3 e 31 de agosto não se limitavam ao levantamento de informações relacionadas a investigações criminais. De acordo com o ministro, os documentos analisavam decisões judiciais, a atuação da Advocacia-Geral da União e o trabalho de integrantes da própria Polícia Federal. Um deles, segundo Mendonça, é dedicado à decisão tomada por ele na PET 15.556, de 24 de agosto, e chega a levantar “hipóteses sobre a finalidade da determinação”. Outro, de acordo com o ministro, procura explicar a decisão do advogado-geral da União, Jorge Messias, de não atender a um pedido do diretor-geral da PF para recorrer de decisões relacionadas às operações Sem Desconto e Compliance Zero.
Segundo a decisão de Mendonça, é nesse segundo documento que aparece uma das hipóteses mais delicadas. O relatório teria atribuído a recusa da AGU à possibilidade de uma tentativa de preservar uma “relação política com o relator”. Para chegar a essa conclusão, de acordo com o ministro, o documento recorre a elementos como a “Matriz religiosa comum” entre Messias e Mendonça e o “apoio obtido em meio às igrejas evangélicas para ambas as candidaturas ao Supremo Tribunal Federal”. O relatório, segundo Mendonça, também apresenta outras hipóteses e constrói suas conclusões a partir de uma sequência de inferências.
De acordo com o ministro, os próprios documentos apresentavam ressalvas sobre sua confiabilidade. Segundo a decisão, eles eram classificados como “documento de trabalho”, de “difusão restrita” e “sem valor probatório”, além de registrarem “confiança agregada baixa”. Ainda assim, conforme Mendonça, um dos relatórios concluía que a cadeia de inferências “autoriza monitoramento e coleta dirigida”. É a partir dessa contradição que o ministro questiona a utilização do material e sustenta que os documentos teriam ultrapassado os limites da atividade de inteligência.
Outro relatório, segundo a decisão de Mendonça, analisava a atuação de policiais federais e representações produzidas no curso das investigações. O conjunto também trazia, de acordo com o ministro, informações relacionadas a investigações sob sigilo, incluindo referências a representações envolvendo Antonio Rueda e ACM Neto. Segundo Mendonça, a circulação desse tipo de informação poderia comprometer diligências e a preservação de provas.
Leia a íntegra da decisão de André Mendonça que afastou Andrei Rodrigues da PF

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