Haddad defende quebra de sigilos do Master antes da eleição para evitar interferência

Haddad defende quebra de sigilos do Master antes da eleição para evitar interferência
Fernando Haddad - (Lula Marques/Agência Brasil)

O candidato do PT ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, afirmou nesta terça-feira (8) que a crise envolvendo o STF, a Polícia Federal e o Banco Master já interfere na eleição de 2026. Em entrevista ao canal Bacci Notícias, no YouTube, ele defendeu a abertura dos sigilos das investigações para que os eleitores tenham acesso ao conjunto das informações antes da votação.
A preocupação de Haddad está principalmente na possibilidade de novas revelações surgirem perto de 4 de outubro. Para o petista, a divulgação fragmentada dos dados pode produzir efeitos eleitorais sem que as pessoas citadas tenham tempo suficiente para apresentar suas versões.
“Não vejo outra solução (que não a abertura completa dos sigilos)”, afirmou.
O candidato questionou ainda quem controla o ritmo de divulgação das informações relacionadas às investigações.
“Está na mão de quem isso, quem decide o que vaza e o que não vaza? A população vai saber (do caso) a conta-gotas? E se quem controla o conta-gotas é uma pessoa falível?”, perguntou.
Caso Master chega à disputa eleitoral
Haddad argumentou que a abertura dos documentos permitiria que eventuais envolvidos tivessem tempo para responder às informações antes da eleição.
“Vamos supor que saia uma coisa três dias antes da eleição. Não é melhor sair agora, que dá tempo de todo mundo se explicar, todo mundo se defender, ou então cair todo mundo que tiver de cair?”, declarou.
O petista voltou a defender que as investigações sejam apresentadas de maneira transparente. “Não põe nada em sigilo, deixa as pessoas julgarem com base em todas as informações disponíveis”, disse.
A manifestação ocorre enquanto a crise no STF se aprofunda. O conflito ganhou novo capítulo nesta terça-feira, depois que o ministro André Mendonça determinou o afastamento do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência da corporação, Leandro Almada. A decisão ampliou as tensões entre Mendonça, Alexandre de Moraes e a Polícia Federal.
O episódio também provocou reação dentro da própria Corte. Treze ex-ministros e ex-presidentes do STF divulgaram uma carta pedindo a Edson Fachin uma resposta institucional diante do que classificaram como a “mais aguda crise” da história do tribunal.
Gonet também foi citado
Durante a entrevista, Haddad foi questionado sobre as relações entre o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.
O petista afirmou que Lula não tem competência para afastar Gonet, que possui mandato, e que cabe às instituições responsáveis pela apuração avaliar eventuais irregularidades.
“O presidente Lula não pode afastar o Gonet. Ele (Gonet) tem mandato. Existe um órgão do Ministério Público que analisa as provas”, afirmou, citando o Conselho Nacional do Ministério Público.
A defesa da abertura dos sigilos também já havia sido feita por Haddad em declarações anteriores, nas quais afirmou que os processos envolvendo figuras políticas deveriam ser conhecidos pelos eleitores antes da eleição.

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