Flávio Bolsonaro chama PF de “Gestapo”, a polícia nazista, ao defender Willer Tomaz, alvo de buscas

Flávio Bolsonaro chama PF de “Gestapo”, a polícia nazista, ao defender Willer Tomaz, alvo de buscas
- Flávio Bolsonaro em ato na Paulista. No detalhe, com Willer Tomaz (Charles Vieira / Divulgação da campanha)

Buscando dividendos eleitorais em meio à crise provocada por André Mendonça no Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Bolsonaro (PL) chamou a Polícia Federal (PF) de “Gestapo”, a polícia secreta oficial da Alemanha Nazista, ao compartilhar informação citando a busca e apreensão realizada no escritório do advogado Willer Tomaz, amigo de longa data do senador e pivô da disputa com o jogador Richarlison sobre a mansão em uma ilha em Angra dos Reis.
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“Os dias dessa gestapo do lula estão contados”, escreveu o senador nas redes.
https://x.com/FlavioBolsonaro/status/2097486734325870938
Na mesma mensagem, Flávio Bolsonaro compartilhou um link de reportagem de Cláudio Dantas, que faz parte do ecossistema midiático bolsonarista, dizendo que a PF buscou “ilegalmente” material contra o senador “em escritório de Willer Tomaz”.
A “reportagem” atribui a informação ao advogado Michael Cunha, que acusa o delegado André Gherardi e seus agentes de violarem “a ordem de restrição de Mendonça sobre a apreensão apenas de material associado à investigação e fizeram uma devassa no escritório, buscando documentos vinculados a Flávio”.
Cunha, que acompanhou as buscas da PF no escritório de Tomaz, ainda teria dito que “nas conversas travadas entre o delegado André e seus agentes, foi mencionada, diversas vezes, referência à ilha situada em Angra dos Reis/RJ”, mencionando justamente a polêmica mansão em disputa com Richarlison.
Alvo da PF
A ação de busca e apreensão no escritório de Willer Tomaz aconteceu no dia 4 de agosto em nova fase da Operação Sem Desconto, que apura fraudes contra o INSS. No entanto, a divulgação de uma suposta ação “ilegal”, mirando Flávio Bolsonaro só foi divulgada pela mídia bolsonarista nessa terça-feira (8) em meio á repercussão da decisão de Mendonça que afastou Andrei Rodrigues da direção-geral da PF.
A operação da PF é parte de uma investigação sobre um suposto esquema de lavagem de dinheiro relacionado às apurações sobre fraudes bilionárias em descontos indevidos aplicados a aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Tomaz é advogado do contador Alexandre Caetano dos Reis, que era responsável técnico pela Brasília Consultoria Empresarial, principal empresa de Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS. Ele está preso desde dezembro por decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Caetano dos Reis é irmão de Letícia Caetano dos Reis, administradora do escritório de advocacia “Flavio Bolsonaro Sociedade Individual de Advocacia”, fundado em 2021 e registrado no endereço da mansão onde vive o senador, em Brasília.
Ela foi indicada ao posto por Willer Tomaz, que tornou-se mais conhecido após a revelação do embate com o jogador em torno de uma mansão avaliada em R$ 10 milhões em uma ilha em Angra dos Reis, que já teria sido alvo de cobiça de Flávio Bolsonaro.
Caetano dos Reis tem como sócio na Voga Serviços Contábeis Rodrigo Martins Corrêa, funcionário da DJ Agropecuária, fazenda do senador Weverton Rocha (PDT-MA), que já havia sido alvo de fases anteriores da Operação Sem Desconto.
Quem é Willer Tomaz
Muito antes da disputa pela mansão de Angra dos Reis, Willer Tomaz já havia se tornado personagem de um dos episódios mais rumorosos envolvendo pessoas próximas ao clã Bolsonaro.
Em 2019, o advogado e Flávio Bolsonaro sacaram cerca de R$ 1,5 milhão em espécie nos caixas de um cassino em Las Vegas, nos Estados Unidos. A operação chamou atenção porque os recursos foram retirados em dinheiro vivo, procedimento incomum para valores dessa magnitude. À época, ambos afirmaram que o saque tinha como objetivo permitir apostas no estabelecimento, prática comum em cassinos americanos. O episódio ganhou repercussão em meio às investigações sobre movimentações financeiras envolvendo o gabinete de Flávio na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.
Criminalista conhecido em Brasília, Willer Tomaz construiu influência nos bastidores do Judiciário ao atuar em processos de grande repercussão e representar empresários, políticos e investigados em operações de corrupção. Sua trajetória, contudo, também é marcada por controvérsias.
Em 2017, foi preso preventivamente na Operação Patmos, acusado de atuar para comprar decisões judiciais em favor do empresário Joesley Batista. O advogado sempre negou as acusações e foi posteriormente colocado em liberdade, continuando a exercer a advocacia.
A amizade com Flávio Bolsonaro atravessou os anos. Além de aparecer ao lado do senador em viagens internacionais e no episódio do cassino em Las Vegas, Tomaz tornou-se uma figura recorrente em episódios que envolvem interesses patrimoniais ligados ao entorno do parlamentar. A disputa pela mansão de Richarlison, na qual Flávio figura como testemunha e cuja origem remonta ao interesse manifestado pelo senador pelo imóvel, tornou-se um dos exemplos mais emblemáticos dessa relação.

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