“Dino restabelece a autonomia dos poderes”, afirmou o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, nesta quarta-feira (9), após Flávio Dino determinar a volta de Andrei Rodrigues ao comando da Polícia Federal e de Leandro Almada à Diretoria de Inteligência Policial da corporação.
Boulos reagiu à decisão pelas redes sociais e criticou qualquer interferência no processo eleitoral. “É inaceitável qualquer interferência indevida no processo eleitoral. A eleição de outubro não é sobre o STF. É sobre o futuro do Brasil”, escreveu.
https://x.com/GuilhermeBoulos/status/2097670174555897888
Na publicação, o ministro também citou algumas das pautas que o governo Lula pretende levar para a reta final da campanha presidencial.
“Vamos limpar campo e debater o que importa: o fim da Escala 6X1, a soberania nacional e as propostas que interessam aos trabalhadores brasileiros”, afirmou.
Boulos encerrou a mensagem mirando diretamente Flávio Bolsonaro, candidato do PL à Presidência. “Nesse campo é 7X1 pro Lula contra Flávio Bolsonaro. Pra cima!”, escreveu.
A provocação ocorre em um momento de disputa apertada entre os dois candidatos. Pesquisa BTG/Nexus divulgada nesta terça-feira (8) e publicada pela Fórum mostrou Lula com 39% e Flávio Bolsonaro com 35% no principal cenário de primeiro turno. Em uma simulação de segundo turno, os dois aparecem tecnicamente empatados, com 46% para Flávio e 45% para Lula, dentro da margem de erro.
Boulos diz que Dino restabelece a autonomia dos poderes após decisão sobre a PF
A manifestação de Guilherme Boulos ocorreu poucas horas depois de Dino determinar a reintegração imediata de Andrei Rodrigues e Leandro Almada. Os dois haviam sido afastados da cúpula da Polícia Federal por ordem de André Mendonça na terça-feira (8).
Como mostrou a Fórum nesta quarta-feira, Andrei recorreu a Dino no processo que trata da investigação sobre a destinação de recursos de emendas parlamentares ao filme Dark Horse, produção sobre Jair Bolsonaro.
No recurso, o diretor-geral afirmou que seu afastamento atingia diretamente investigações em andamento. Segundo Andrei, a medida interferia na organização da equipe responsável pelas apurações, retardava o acesso ao material disponibilizado e comprometia a atuação da Polícia Federal.
Dino acolheu o pedido e determinou que a Presidência da República assegurasse a reintegração de Andrei e Almada, com o restabelecimento integral das atribuições dos dois delegados.
A decisão atingiu os efeitos da ordem de Mendonça, que havia afastado Andrei da Direção-Geral e Almada da Diretoria de Inteligência Policial. O ministro também havia determinado a interrupção temporária da produção de determinados relatórios de inteligência pela PF.
Mendonça fundamentou a medida em suspeitas envolvendo a produção de relatórios sobre a condução de investigações relacionadas aos casos Banco Master e INSS. A decisão provocou reação dentro da própria Polícia Federal, cuja cúpula divulgou nota em defesa dos dois delegados e rejeitou acusações de atuação político-partidária.
Dino também tratou da participação do Novo no episódio. O pedido que embasou a decisão de Mendonça foi apresentado pelo partido, que disputa a eleição presidencial deste ano com o governador de Minas Gerais, Romeu Zema.
Na decisão desta quarta, Dino afirmou que a participação da legenda na disputa eleitoral é legítima, mas sustentou que esse projeto político deve permanecer em sua “seara própria”, sem interferir na condução de processos penais.
O ministro levou ainda sua decisão para análise do plenário do STF. O movimento ocorre em meio à crise aberta na Corte depois do afastamento da cúpula da PF e das divergências entre ministros sobre a condução de investigações que tramitam no Supremo.
Foi nesse cenário que Boulos publicou a manifestação. Depois de defender que a eleição não seja transformada em uma disputa em torno do STF, voltou às pautas de campanha e fechou o texto com o ataque ao adversário de Lula: “Nesse campo é 7X1 pro Lula contra Flávio Bolsonaro”.
“Dino restabelece a autonomia dos poderes”, diz Guilherme Boulos
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