Articulação defende mudanças radicais na campanha de Lula para derrotar extrema direita

Articulação defende mudanças radicais na campanha de Lula para derrotar extrema direita
Lula de frente para bandeira do Brasil - Lula durante ato de campanha no Rio de Janeiro (Ricardo Stuckert)

A direção estadual em São Paulo da Articulação de Esquerda (AE), vertente socialista e revolucionária interna do Partido dos Trabalhadores (PT), publicou, nesta quarta-feira (9), uma carta aberta à campanha de Lula (PT) e à militância de esquerda em que defende dar um “cavalo de pau” na campanha eleitoral do presidente para aumentar as chances de pela vitória nas eleições de outubro.
A entidade destacou que a cada pesquisa, a distância entre Lula e Flávio Bolsonaro (PL) diminui, enquanto a extrema direita avança nas redes sociais e causa crises nas instituições públicas. Para a articulação, a campanha de Flávio e aliados buscam repetir o que aconteceu nas eleições presidenciais colombianas, quando a esquerda passou boa parte da campanha acreditando na vitória em primeiro turno e acabou não só disputando o segundo, como perdendo as eleições para a extrema direita. 
“Seria um erro fatal de nossa parte subestimar os planos e os meios da candidatura cavernícola. Até porque – por detrás da candidatura cavernícola – estão os Estados Unidos, Israel, a Internacional da extrema-direita, a maior parte do grande empresariado, dos meios de comunicação, da “família militar” e das empresas disfarçadas de igrejas”, afirma a entidade. 
A organização ainda critica a postura da esquerda em acreditar que venceria  “fácil e no primeiro turno” com um discurso concentrado nas entregas do governo Lula. “Agora já está óbvio que o melhor cenário é vencermos no segundo turno e por pequena vantagem. E mesmo para isso será preciso fazer mudanças imediatas na linha política e no funcionamento da campanha”, destaca. 
Portanto, a entidade defende mudanças estruturais na postura da campanha de Lula e da militância de esquerda. A primeira mudança é “deixar de lado as ilusões”, segundo a organização. “Ou todo mundo se engaja, em escala 7 x 0, daqui até o dia 25 de outubro, ou esta não será propriamente a ‘eleição de nossas vidas’”.  
“É preciso criar as condições para que a Nação Petista possa fazer a campanha de Lula. Isso exige materiais impressos, adesivos e bandeiras em grande quantidade. As campanhas estaduais e proporcionais devem contribuir para isso com seus recursos. E os militantes devem ser chamados a produzir material de campanha com seus próprios recursos, conforme a lei permite, aliás”, defendem os militantes da Articulação de Esquerda. 
A entidade também reforça que é preciso “direções partidárias funcionando e de coordenação real”. “Os dirigentes partidárias devem dar prioridade total para a campanha presidencial, mesmo que o preço seja deixar de lado suas candidaturas proporcionais. E as campanhas proporcionais precisam falar, o tempo todo, do time de Lula, especialmente onde isso é mais difícil, onde os cavernícolas são mais fortes: Lula não pode ser lembrado apenas onde ele traz votos para os proporcionais”, afirma. 
“É preciso direcionar o esforço principal de nossa campanha para a disputa do eleitorado feminino, negro, jovem e trabalhadores pobres. A extrema-direita está, nesse momento, disputando esse eleitorado conosco, usando para isso um discurso centrado na disputa ideológica. Precisamos enfrentar fogo com fogo, ideologia de esquerda contra ideologia de direita. E, ao mesmo tempo, não podemos emitir sinais dúbios”, defendem. 
Veja abaixo outras resoluções da entidade para a campanha de Lula. 
É preciso recordar que conseguimos “sair das cordas, meses atrás, quando o governo Lula adotou firmemente a pauta da soberania nacional contra o tarifaço de Trump e uma postura ativa de defesa dos pobres contra os ricos no debate da politica tributária, trazendo a luta de classes para o centro do debate. É preciso agora, ampliar e aprofundar este duplo enfoque como eixos da nossa campanha, materializando a linha nas falas de Lula e nos programas de televisão, em linguagem forte e direta que dialogue com o povão, a exemplo do que fazemos na luta pelo fim da escala 6×1, pela redução da jornada sem redução de salário, pelo fim das “BETS”, pelo socorro imediato aos pobres super-endividados, assim como no combate à “maioria do Congresso inimigo do povo” e suas emendas, no combate pela reforma política e do judiciário, no combate ao feminicídio e pela nacionalização das terras raras adquiridas pelo Pentágono no estado de Goiás. 
No segundo turno, devemos disputar prioritariamente o voto do eleitorado popular que não votou conosco no primeiro turno, inclusive o que se absteve de votar, votou branco e nulo. E teremos o desafio adicional de manter ativas as estruturas de campanha das candidaturas proporcionais, não apenas as que tenham sido derrotadas, mas também das vitoriosas. Outro desafio adicional será o de realizar a campanha onde nossas candidaturas majoritárias não foram vitoriosas ou não foram para o segundo turno. 
Neste sentido, ganha uma importância enorme – entre outras campanhas estaduais – a campanha de Fernando Haddad a governador. Nas condições eleitorais do estado de São Paulo, em que não há outras candidaturas de direita além de Tarcísio, nossa meta deve ser eleger Haddad já no primeiro turno, assim como eleger as duas senadoras. É uma meta muito difícil, mas as pesquisas atuais e, também, o ocorrido na eleição de 2022 mostram que vencer em SP é uma meta possível e factível. Na verdade, a grande dificuldade a superar é o pessimismo das direções e a linha recuada de campanha.  Da nossa parte, sabemos que o governo Tarcísio é um governo destrutivo e perverso, inimigo do povo, que precisa e pode ser derrotado. Para isso teremos que fazer, em quatro semanas, o que não foi feito em quatro anos: desconstruir Tarcísio.
A situação é grave e, provavelmente, ainda vai piorar um pouco antes de melhorar. Mas nada de pânico: se arrumarmos a casa, há tempo suficiente para vencermos a guerra total que a classe dominante e o imperialismo travam contra nós. Tudo depende de as direções de nosso partido perceberem que a água está “batendo na bunda”; e de a militância entender que quem sabe faz a hora, não espera acontecer.

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