Superintendentes da PF defendem Andrei Rodrigues em meio à crise no STF

Superintendentes da PF defendem Andrei Rodrigues em meio à crise no STF
- O diretor geral da PF, Andrei Rodrigues (José Cruz/Agência Brasil)

Superintendentes regionais da Polícia Federal de 25 estados e do Distrito Federal divulgaram nesta quarta-feira (9) um manifesto conjunto de apoio ao diretor-geral da corporação, Andrei Augusto Passos Rodrigues, e ao diretor de Inteligência Policial, Leandro Almada da Costa. O documento foi tornado público no mesmo dia em que o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, determinou a reintegração imediata dos dois delegados aos cargos, revertendo uma decisão anterior do ministro André Mendonça que os havia afastado preventivamente. O manifesto defende a autonomia da PF como instituição de Estado e rejeita acusações que, segundo os signatários, são “desprovidas de fundamento”.
Superintendentes da PF manifestam apoio a Andrei Rodrigues
O manifesto foi assinado pelos responsáveis pelas unidades regionais da Polícia Federal em 25 estados e no Distrito Federal e direcionado explicitamente a Andrei Augusto Passos Rodrigues e a Leandro Almada da Costa. No documento, os superintendentes afirmam que acompanham diariamente o trabalho desenvolvido pela instituição e se declaram “testemunhas da seriedade, do equilíbrio e do compromisso com que a atual gestão tem conduzido a Polícia Federal”.
O texto destaca a trajetória profissional de ambos os dirigentes. Sobre Andrei Rodrigues, os signatários afirmam que ele “construiu sua trajetória profissional pautado pela defesa da Instituição, pela atuação técnica e pelo respeito à Constituição e às leis”. Leandro Almada é descrito como alguém com “reconhecida história de dedicação à Polícia Federal e de atuação firme e profissional na área de inteligência policial”. A publicação do manifesto, no mesmo dia em que Flávio Dino determinou a reintegração dos dois delegados, não foi coincidência: o documento responde diretamente à turbulência que sacudiu o comando da corporação nas horas anteriores.
Defesa da autonomia institucional e rechaço a interferências
O argumento central do manifesto é a defesa da Polícia Federal como instituição permanente de Estado, blindada, ao menos em tese, de pressões conjunturais. “Sua atuação não pode estar subordinada a interesses circunstanciais, tampouco ser constrangida por disputas ou narrativas de natureza político-eleitoral”, afirmam os superintendentes no documento. A formulação é direta e aponta para um cenário em que a corporação se viu no centro de uma disputa que extrapolou seus limites internos.
“Não é admissível que acusações desprovidas de fundamento sejam utilizadas para atingir a honra de seus dirigentes e, por consequência, a própria credibilidade da Polícia Federal. Divergências institucionais devem ser enfrentadas nos limites da Constituição, das leis e do respeito às atribuições de cada órgão, jamais mediante iniciativas que possam comprometer a independência e o regular funcionamento de uma instituição essencial ao Estado Democrático de Direito.”
O trecho final do manifesto resume o tom adotado pelos signatários: “Nosso apoio é inequívoco. Nossa defesa da Polícia Federal, inegociável.” A linguagem escolhida pelos superintendentes vai além do protocolo corporativo. Ao rejeitar “interferências externas” e acusações sem base, o documento posiciona a cúpula regional da PF como guardiã da autonomia institucional num momento em que essa autonomia foi colocada em xeque por decisões do próprio Judiciário.
A disputa no STF e a reintegração dos diretores
O manifesto dos superintendentes não surgiu no vácuo. Ele foi divulgado horas após o ministro Flávio Dino, do STF, determinar a reintegração imediata de Andrei Rodrigues e Leandro Almada aos seus cargos, suspendendo os efeitos de uma decisão anterior do ministro André Mendonça, que havia afastado preventivamente os dois delegados. A sequência de decisões conflitantes entre dois ministros da Corte expôs uma disputa interna ao STF com consequências diretas sobre o comando da principal polícia investigativa do país.
O afastamento determinado por Mendonça e a reversão promovida por Dino no mesmo dia criaram um cenário de instabilidade que o manifesto dos superintendentes busca, ao menos simbolicamente, estabilizar. Ao declarar apoio público e coletivo à gestão em exercício, a cúpula regional da PF sinalizou que não reconhece legitimidade no afastamento e que a cadeia de comando interna permanece orientada pela direção de Andrei Rodrigues. O movimento ocorre num contexto em que a corporação conduz investigações de alto impacto político, o que torna qualquer disputa sobre seu comando especialmente sensível.
O significado do apoio para a gestão da PF
O peso do manifesto está, em parte, em sua abrangência: 25 estados e o Distrito Federal, o que representa a quase totalidade das superintendências regionais da corporação. Esse nível de adesão confere à manifestação um caráter de posicionamento institucional, não apenas de solidariedade individual. Para Andrei Rodrigues, que retornou ao cargo após um afastamento abrupto, o documento representa um respaldo concreto de quem opera a PF no dia a dia em todo o território nacional.
A manifestação pública de unidade também funciona como sinal para fora da corporação. Ao reafirmar que “divergências institucionais devem ser enfrentadas nos limites da Constituição e das leis”, os superintendentes demarcam o terreno: a PF não aceita ser instrumento de disputas que não passem pelo crivo legal. A defesa da “seriedade, equilíbrio e compromisso” da atual gestão, feita por quem assina como testemunha direta do trabalho cotidiano da instituição, reforça a posição de Andrei Rodrigues num momento em que setores interessados na desestabilização da corporação tentaram, sem sucesso, alterar seu comando por vias que o próprio Judiciário acabou por reverter.
Leia a íntegra do manifesto
Os (as) Superintendentes Regionais da Polícia Federal vêm a público manifestar integral apoio e solidariedade ao Diretor-Geral da Polícia Federal, Delegado de Polícia Federal Andrei Augusto Passos Rodrigues, e ao Diretor de Inteligência Policial, Delegado de Polícia Federal Leandro Almada da Costa, diante dos acontecimentos recentes e de seus graves reflexos para a Instituição. À frente das unidades da Polícia Federal nos 26 Estados e no Distrito Federal, acompanhamos diariamente o trabalho desenvolvido pela Instituição e somos testemunhas da seriedade, do equilíbrio e do compromisso com que a atual gestão tem conduzido a Polícia Federal.
O Diretor-Geral Andrei Rodrigues construiu sua trajetória profissional pautado pela defesa da Instituição, pela atuação técnica e pelo respeito à Constituição e às leis. Da mesma forma, o Diretor Leandro Almada possui reconhecida história de dedicação à Polícia Federal e de atuação firme e profissional na área de inteligência policial. Ambos contam com nosso respeito, confiança e irrestrita solidariedade. A Polícia Federal é uma instituição permanente de Estado. Sua atuação não pode estar subordinada a interesses circunstanciais, tampouco ser constrangida por disputas ou narrativas de natureza políticoeleitoral.
Qualquer tentativa de interferência externa que comprometa sua autonomia, deslegitime a atuação de seus dirigentes ou prejudique o regular desenvolvimento de suas atribuições institucionais deve ser firmemente repelida. Não é admissível que acusações desprovidas de fundamento sejam utilizadas para atingir a honra de seus dirigentes e, por consequência, a própria credibilidade da Polícia Federal. Divergências institucionais devem ser enfrentadas nos limites da Constituição, das leis e do respeito às atribuições de cada órgão, jamais mediante iniciativas que possam comprometer a independência e o regular funcionamento de uma instituição essencial ao Estado Democrático de Direito.
Neste momento, os (as) Superintendentes Regionais subscritores, reafirmam sua unidade em defesa da Polícia Federal, de sua autonomia e de seus dirigentes, reconhecendo em Andrei Rodrigues e Leandro Almada profissionais que honram a história e os valores da Instituição. Nosso apoio é inequívoco. Nossa defesa da Polícia Federal, inegociável. Portanto, os (as) Superintendentes Regionais da Polícia Federal reafirmam sua confiança na condução institucional pelo Diretor-Geral Andrei Rodrigues e reconhecem o restabelecimento das condições necessárias ao pleno exercício das atribuições da instituição, contribuindo para a serenidade e a estabilidade do órgão.

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