Dino questiona R$ 645 mil enviados por Mário Frias à produtora de “Dark Horse”

Dino questiona R$ 645 mil enviados por Mário Frias à produtora de “Dark Horse”
O deputado Mario Frias - Foto: Bruno Spada / Câmara dos Deputados

Mário Frias enviou R$ 645,4 mil à Go Up Entertainment, produtora de Dark Horse, filme sobre Jair Bolsonaro, segundo decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF). O documento chama atenção para o valor repassado pelo deputado federal do PL de São Paulo e coloca em questão o “lastro financeiro” das transferências.
O dado aparece na PET 16.669, que embasou as medidas da Polícia Federal contra Frias, Karina Ferreira da Gama e outros investigados. A Go Up e o Instituto Conhecer Brasil (ICB), ambos ligados a Karina Gama, já haviam entrado na mira da Polícia Civil de São Paulo em investigação sobre um contrato de R$ 108 milhões com a Prefeitura da capital.
Ao analisar informações financeiras reunidas na investigação, a decisão registra que a conta da Go Up Entertainment movimentou R$ 19.033.071 entre 10 de novembro e 30 de dezembro de 2025. Foram R$ 8.955.158 em créditos e R$ 10.077.913 em débitos no período.
Entre os principais remetentes aparecem a Moneycorp Banco de Câmbio, com R$ 3,92 milhões; a GO7 Assessoria, Produção e Marketing Cultural, com R$ 2,614 milhões; Marcello de Oliveira Lopes, com R$ 1 milhão; e a NTT Brasil, com R$ 750 mil.
Na mesma relação está Mário Frias, com transferências que somaram R$ 645.400.
Mário Frias, os R$ 645 mil e o questionamento de Dino
Depois de registrar os repasses, Dino destaca na decisão a renda mensal atribuída ao parlamentar. O documento aponta rendimentos de R$ 44.008,52 por mês e afirma que a comparação coloca em questão o lastro financeiro para sustentar as transferências realizadas à empresa de Karina Gama em um intervalo inferior a 60 dias.
O ministro não afirma, nesse trecho, que os R$ 645,4 mil tenham origem em recursos públicos. O ponto registrado na decisão é outro: a necessidade de esclarecer de onde veio o dinheiro usado pelo próprio Frias para abastecer a produtora diante dos rendimentos apontados no material analisado.
A informação acrescenta uma nova frente às dúvidas sobre o financiamento de Dark Horse. Em maio, quando vieram a público as tratativas de Flávio Bolsonaro com Daniel Vorcaro para levantar recursos para o longa, Frias afirmou que a produção havia sido realizada com “100% de capital privado” e sem utilização de dinheiro público.
Frias aparece no projeto como produtor-executivo. A própria decisão de Dino também registra que a Go Up foi responsável pela produção de Dark Horse no Brasil e relaciona a movimentação financeira da empresa ao período das filmagens, realizadas em São Paulo entre outubro e dezembro de 2025.
Go Up movimentou R$ 19 milhões durante período das filmagens
No lado das saídas da Go Up, a investigação identificou pagamentos de R$ 906.768,44 à Unique Serviços de Hotelaria e Alimentação, empresa correspondente ao Hotel Unique, em São Paulo; R$ 896.690,40 à BAW Facilitadora de Pagamentos; R$ 653.155 à Foodflix Alimentação; R$ 264.700 à J D da Silva Produções; e R$ 227.561 à Mazal Produções.
A decisão observa que o período analisado coincide com as gravações do filme e cita despesas com hotelaria, alimentação e produtoras.
O caso Dark Horse já vinha sendo acompanhado pela Fórum desde que Dino autorizou a PF a acessar material da investigação paulista sobre as empresas e entidades ligadas a Karina Gama.
A PET 16.669 passou a reunir os elementos levantados pela PF e pela Controladoria-Geral da União (CGU) sobre as emendas parlamentares e a circulação de recursos entre as pessoas e empresas investigadas.
O espaço segue aberto para manifestação de Mário Frias e da Go Up Entertainment.

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