Fábio Wajngarten insinua no X que Karina Gama é boi de piranha e manda recado para Flávio Bolsonaro

Fábio Wajngarten insinua no X que Karina Gama é boi de piranha e manda recado para Flávio Bolsonaro
Flávio Bolsonaro em ato de campanha e Fabio Wajngarten em audiência no senado. - Fotomontagem: Edilson...

Fábio Wajngarten, ex-chefe da Secretaria de Comunicação da Presidência no governo Jair Bolsonaro, publicou nesta quinta-feira (10) uma mensagem em defesa de Karina Gama, produtora do filme Dark Horse, e afirmou que “a corda sempre estoura no lado mais fraco”. Karina foi alvo, horas antes, de uma operação da Polícia Federal.
“Mas dessa vez não será assim”, escreveu Wajngarten. Ele afirmou que a produtora “nada fez de errado com relação ao filme” e disse que ela estaria sem apoio. “Ninguém liga para a Karina sequer para ouvi-la. Ninguém oferece ajuda para nada”, publicou.
Segundo Wajngarten, Karina também estaria sendo ameaçada, constrangida e chantageada. Ele não identificou os autores das supostas ameaças nem apresentou detalhes sobre os episódios. Ao final, afirmou: “Eu já entrei em campo para reconstruir a verdade”.
https://x.com/fabiowoficial/status/2098003861470314635
A publicação foi feita no mesmo dia em que a PF deflagrou a Operação Make Up, que cumpre 49 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e Distrito Federal. Além de Karina, o deputado federal Mário Frias (PL-SP), roteirista e produtor-executivo de Dark Horse, está entre os alvos.
A operação foi autorizada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), e apura suspeitas de desvio de recursos públicos provenientes de emendas parlamentares repassadas a organizações da sociedade civil. De acordo com a PF, empresas subcontratadas teriam recebido recursos sem comprovação da efetiva prestação dos serviços.
Essa investigação é diferente do inquérito relatado pelo ministro André Mendonça que apura os repasses feitos pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, para o financiamento de Dark Horse. Flávio Bolsonaro não é alvo da operação deflagrada nesta quinta.
Fábio Wajngarten cita “tesouraço” da equipe de Flávio Bolsonaro
No mesmo texto em defesa de Karina, Wajngarten fez referência à política econômica apresentada pela campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL).
“É super lindo ficar falando de tesouraço para a Faria Lima enquanto uma mãe solteira acorda com a PF em casa pela enésima vez”, escreveu.
Wajngarten não citou Flávio nem integrantes da equipe econômica pelo nome. O “tesouraço”, porém, é uma das expressões usadas na campanha para definir o programa de redução de despesas públicas defendido pelo candidato e por sua coordenadora econômica, Daniella Marques.
Ex-presidente da Caixa e ex-integrante da equipe de Paulo Guedes no Ministério da Economia, Daniella passou a ocupar posição de destaque na campanha de Flávio. Ela já defendeu publicamente um ajuste equivalente a aproximadamente 1,5% do PIB, além da revisão de despesas e de ativos da União.
Na quarta-feira (9), a Veja revelou detalhes do pacote discutido pela equipe econômica de Flávio Bolsonaro. Segundo a reportagem, o assessor econômico Luiz Felipe Trevisan apresentou a representantes da consultoria Eurasia um plano para tentar aprovar medidas ainda no período entre a eleição e a posse, caso o candidato do PL seja eleito.
A meta apresentada é reduzir aproximadamente R$ 200 bilhões em despesas primárias, o equivalente a cerca de 1,5% do PIB. Entre as medidas estudadas estão reforma administrativa, redução de cerca de dez ministérios, corte de cargos comissionados, revisão das curvas salariais do funcionalismo, digitalização de serviços públicos, combate a fraudes e gestão do patrimônio da União.
Carlos Bolsonaro também cobra o entorno de Flávio
A referência de Wajngarten à agenda econômica ocorre dois dias depois de Carlos Bolsonaro fazer uma cobrança pública ao irmão.
Em postagem no X na terça-feira (8), Carlos afirmou que Flávio precisava entender que seu crescimento eleitoral e uma eventual vitória seriam resultado da ligação com Jair Bolsonaro e da rejeição ao governo Lula.
“Qualquer um de seu entorno que tente levá-lo para qualquer outra linha de raciocínio o afasta de sua base e o torna refém pós-eleitoral, como o sistema deseja”, escreveu.
Carlos também afirmou que não era “o dono da razão”, mas criticou pessoas do entorno do candidato que, segundo ele, tentariam “seduzi-lo cada vez mais”.
https://x.com/CarlosBolsonaro/status/2097287443439358267
Carlos não citou Daniella Marques na publicação. Segundo reportagem da Folha de S.Paulo publicada nesta quinta-feira, interlocutores do ex-vereador afirmaram que a coordenadora econômica estava entre os alvos da cobrança. A reportagem também registrou críticas, dentro da ala mais ideológica do bolsonarismo, ao espaço ocupado por Daniella e à defesa de cortes de gastos durante a campanha.
Wajngarten já havia saído em defesa de Karina Gama
Não é a primeira vez que Wajngarten se manifesta publicamente em defesa da produtora de Dark Horse.
Em 1º de junho, quando o Instituto Conhecer Brasil (ICB), presidido por Karina, foi alvo de uma operação da Polícia Civil de São Paulo, o ex-chefe da Secom afirmou que havia conhecido a empresária cerca de 15 dias antes e que havia promovido encontros dela com jornalistas.
Na ocasião, Wajngarten escreveu que Karina “não está sozinha” e acrescentou: “Ela não será usada como moeda política, isso eu garanto a todos”. Também afirmou que supostos “chantagistas” seriam expostos.
Três meses depois, a mensagem publicada nesta quinta traz outra descrição da situação de Karina: “Ninguém liga para a Karina sequer para ouvi-la. Ninguém oferece ajuda para nada”.
As cobranças sobre Dark Horse também passaram a aparecer dentro do próprio PL. Na segunda-feira (7), Nikolas Ferreira (PL-MG) defendeu que sejam abertas as contas da produção e cobrou explicações de Mário Frias.
“Pra mim tem que ter prestação de contas, tem que abrir tudo. Se não tem nada, mostra tudo”, disse o deputado. A Fórum mostrou a cobrança de Nikolas a Flávio Bolsonaro e Mário Frias, que contrariou a posição adotada pelo candidato presidencial de considerar o assunto uma “página virada”.
Flávio havia afirmado em maio que pediu à produtora e ao fundo responsável pelos investimentos no filme uma prestação de contas em até 30 dias. O detalhamento prometido não foi apresentado publicamente pelo senador.
Em agosto, a Fórum revelou que o documento posteriormente apresentado como prestação de contas de Dark Horse era um laudo pericial contratado pela própria GoUp Entertainment, empresa de Karina Gama. O trabalho foi produzido com documentos fornecidos pela produtora e anexado ao inquérito conduzido pela Polícia Civil paulista.
É nesse contexto que Wajngarten voltou a defender Karina nesta quinta-feira, desta vez afirmando que ela está sem ajuda, enquanto mencionava no mesmo texto o “tesouraço para a Faria Lima” defendido na campanha de Flávio.

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