Gilmar pressiona Fachin por celular de Vorcaro e sugere acionar PF para liberar dados antes de julgamento no STF

Gilmar pressiona Fachin por celular de Vorcaro e sugere acionar PF para liberar dados antes de julgamento no STF
O ministro do STF Gilmar Mendes - Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

https://revistaforum.com.br/tags/edson-fachin/O ministro Gilmar Mendes, decano do Supremo Tribunal Federal (STF), enviou neste sábado (12) ofício ao presidente da Corte, Edson Fachin, cobrando acesso integral aos dados extraídos do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. O movimento se soma a pedidos anteriores dos ministros Cristiano Zanin e Alexandre de Moraes e aprofunda o impasse interno do STF às vésperas do julgamento, marcado para terça-feira (15), de um relatório da Polícia Federal que identificou mensagens de Vorcaro a um interlocutor que, segundo as investigações, seria Moraes.
Gilmar Mendes cobra acesso integral a dados de Vorcaro
No ofício a Fachin, Gilmar Mendes argumentou que a disponibilização da cópia da mídia apenas ao gabinete do relator André Mendonça, sem que o mesmo acesso fosse assegurado aos demais ministros, “fere o equilíbrio interno da Corte”. Para o decano, a assimetria compromete diretamente a colegialidade que deve reger o julgamento.
“Tal providência é necessária para que seja assegurado a todos os Ministros o conhecimento de todas as informações relevantes para o julgamento, já que a subsistência de acesso assimétrico ao acervo informativo compromete a paridade entre os integrantes da Corte e, em última análise, a própria colegialidade que deve presidir o julgamento”, escreveu Gilmar.
O ministro foi além e apresentou um pedido subsidiário: caso Mendonça não disponibilize os dados, Fachin deveria requisitar à Polícia Federal, com urgência, o envio das mídias diretamente aos gabinetes de todos os ministros que participarão do julgamento da Pet 16.662. Gilmar sustentou que o compartilhamento irrestrito permitiria que cada integrante formasse sua convicção jurídica “a partir de uma análise integral do conjunto probatório coligido, e não de excertos ou de sínteses parciais”.
Disputa no STF: Zanin e Moraes também pressionam
A iniciativa de Gilmar Mendes se insere em uma sequência de movimentos que tomou forma ao longo da sexta-feira (11). Cristiano Zanin acionou Fachin argumentando que o plenário precisa conhecer o contexto integral dos dados antes de julgar o caso, e não apenas o relatório produzido pelos investigadores a partir do material extraído do aparelho de Vorcaro.
Alexandre de Moraes foi mais incisivo. Em despacho divulgado na noite de sexta, o ministro acusou Mendonça de fazer um “levantamento seletivo e direcionado” de informações e afirmou que “não cabe ao relator escolher quais os documentos acessíveis ao colegiado”. Moraes chegou a acusar o colega de “proteção ostensiva de determinado grupo político”, linguagem que extrapola a disputa procedimental e aponta para uma ruptura política dentro da Corte.
Mendonça respondeu informando a Fachin que o aparelho físico original de Vorcaro, um iPhone 17 Pro apreendido na Operação Compliance Zero, está sob custódia da própria PF para preservar a cadeia de custódia da prova. O relator declarou possuir apenas uma cópia de segurança em disco rígido criptografado, enviada pela PF em março de 2026, que permanece intacta e lacrada, e que nunca a manuseou. Mendonça acrescentou que a divulgação da íntegra do material poderia comprometer novas operações da Polícia Federal e a eficiência das apurações em curso.
Julgamento de terça-feira e o impasse na Corte
Na sessão de terça-feira (15), o plenário do STF deve analisar a validade do relatório da PF que identificou mensagens trocadas entre Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes. O documento, elaborado a partir dos dados extraídos do celular de Vorcaro, é o núcleo do impasse: são justamente esses dados brutos que Zanin, Moraes e agora Gilmar Mendes querem examinar antes de votar.
A Procuradoria-Geral da República já pediu a anulação do relatório. O procurador-geral Paulo Gonet questiona a competência de André Mendonça para autorizar uma apuração envolvendo outro integrante do Supremo, o que transfere ao plenário a decisão sobre a validade do próprio documento que será julgado.
O impasse sobre o acesso aos dados adiciona uma camada a esse cenário. Sem acesso à íntegra do material que embasou o relatório, parte dos ministros argumenta que qualquer deliberação ficará comprometida, seja pela incompletude das informações disponíveis, seja pelo questionamento posterior à validade do julgamento realizado em condições de assimetria informacional. A pressão conjunta de três ministros sobre Fachin indica que a sessão de terça pode não ocorrer nos termos em que foi originalmente pautada.

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