Moradores de São Paulo relataram a ocorrência de inúmeros problemas em serviços privatizados ou concedidos à iniciativa privada durante a gestão do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). As reclamações foram apresentadas durante conversa com o candidato do PT ao governo paulista, Fernando Haddad.
Entre os principais relatos estão explosão em uma obra da Sabesp, interrupção da circulação de trens após um incêndio e aumento das tarifas de pedágio. Os depoimentos também levantaram questionamentos sobre qualidade dos serviços, valores cobrados e resposta do poder público diante dos problemas.
Em Jaguaré, na capital, o mestre de obras Eduardo Vieira mora na rua onde duas pessoas morreram e dezenas de imóveis foram destruídos após uma explosão em uma obra da Sabesp. Segundo ele, quatro meses depois do acidente, a situação dos moradores continua difícil.
“Nesses quatro meses, as coisas lá só pioraram. Estão sangrando o povo, estão sangrando os comunitários, a ponto de oferecer indenizações que dão vergonha”, desabafou.
A auxiliar de limpeza Dayana Fernandes Barbosa afirmou que a falta de água se tornou frequente na Zona Leste de São Paulo. Ela também reclamou do aumento das contas e das dificuldades de pagamento.
“Isso sem contar que a conta subiu e eles tão fazendo parcelamento nas contas, porque o brasileiro não consegue pagar depois que eles aumentaram o valor”, contou.
Vieira acrescentou que, em algumas ocasiões, a água apresenta gosto e cheiro. “Não sei o que é pior, não receber água ou receber de má qualidade”, disse.
Trens: incêndio interrompe operação de concessionária
As reclamações também atingiram o transporte ferroviário. A freelancer Tayná Oliveira afirmou que os passageiros enfrentam interrupções e dificuldades para concluir seus deslocamentos.
“Às vezes, eles param o trem no meio do caminho e falam assim: ‘esse trem não prestará mais serviço’. Aí você tem que descer, você tem que procurar um trajeto, qual o melhor. Dependendo do horário, você acaba ficando na rua, se não tiver mais transporte, ônibus”, relatou
Em julho, passageiros das linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade enfrentaram uma interrupção da circulação no primeiro dia de operação da concessionária Trivia Trens. Um incêndio obrigou usuários a caminhar pelos trilhos. A gestão estadual acionou equipes da CPTM, que voltaram a operar o sistema.
Pedágios mais caros ampliam pressão sobre usuários
O caminhoneiro Marcelo da Paz, morador da Baixada Santista, criticou o aumento dos custos de pedágio. Segundo ele, o valor cobrado compromete o transporte de cargas.
“O custo de pedágio está bem maior. Vou dar um exemplo aqui, de Santos até Uberaba, Minas Gerais, para eu atravessar só até a divisa, eu pago mais de mil reais de pedágio”, argumentou.
Em julho de 2026, as tarifas de pedágio em São Paulo tiveram reajuste de 4,72%. No sistema Anchieta-Imigrantes, a tarifa passou a R$ 40,60 por veículo de passeio em uma única praça, o maior valor do país, segundo o texto apresentado.
Haddad defende revisão dos contratos
Diante das reclamações, Fernando Haddad defendeu a revisão dos contratos dos serviços privatizados. Para o candidato, o governo estadual precisa discutir as condições de prestação dos serviços, as penalidades previstas e os preços cobrados.
“Se o governador não sentar para rediscutir os contratos, as multas, as penalidades para falta de serviço e o preço, quem é que vai conseguir botar ordem nisso?”, questionou Haddad.
Os relatos colocam em debate a responsabilidade do estado na fiscalização dos serviços concedidos e a necessidade de garantir qualidade, continuidade e preços compatíveis com a capacidade de pagamento da população.
Privatização sob Tarcísio provoca inúmeras reclamações sobre água, trens e pedágios
💬 Comentários (0)
Seja o primeiro a comentar!