Dino vê possível elo entre R$ 510 mil com esposa de Cezinha e caso Master

Dino vê possível elo entre R$ 510 mil com esposa de Cezinha e caso Master
PF identifica Valéria Rodrigues Linhares como esposa de Cezinha de Madureira

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que a investigação sobre os R$ 510 mil apreendidos em dinheiro vivo com Valéria Rodrigues Linhares, identificada pela Polícia Federal como esposa de Cezinha de Madureira, seja remetida ao Supremo. A decisão também cita a articulação, pelo deputado, de um encontro entre um empresário do setor financeiro e um ministro da Corte — episódio que corresponde à reunião entre Daniel Vorcaro, então controlador do Banco Master, e André Mendonça.
O dinheiro foi encontrado em 25 de agosto de 2026, no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, quando Valéria embarcava para Brasília. Na decisão, assinada em 5 de setembro, Dino avocou os procedimentos instaurados para apurar a origem dos valores.
Valéria é identificada expressamente pela PF como esposa de Cezinha. O relatório reproduzido na decisão informa que o contato salvo como “VALÉRIA CEZINHA” foi identificado como Valéria Rodrigues Linhares e registra que ela, “conforme apurado, é esposa do representado”. Em outro trecho, a advogada volta a ser descrita como “esposa do representado”.
Representação da PF reproduzida por Flávio Dino identifica expressamente Valéria Rodrigues Linhares como “advogada e esposa” de Cezinha de Madureira
A investigação apura, em tese, os crimes de exploração de prestígio, tráfico de influência, corrupção passiva e lavagem de dinheiro.
R$ 510 mil apreendidos com esposa de Cezinha entram no foco da investigação
Ao tratar do dinheiro encontrado com Valéria, a PF registra que a defesa alegou que os R$ 510 mil seriam provenientes de honorários advocatícios recebidos de cliente e que apresentaria documentação para comprovar a origem dos valores.
Os investigadores relacionam a apreensão a contratos encontrados durante a apuração. Um deles previa remuneração de êxito de R$ 1 milhão para a sociedade individual de advocacia de Valéria. Um contrato conexo estabelecia outros R$ 2 milhões.
Em outro episódio descrito nos autos, um contrato ligado à Reclamação 79.545, no STF, previa pagamento de R$ 500 mil após o julgamento do processo.
PF cita os R$ 510 mil apreendidos com Valéria Rodrigues Linhares, identificada como esposa de Cezinha, e contratos de R$ 1 milhão e R$ 2 milhões
A PF afirma que a apreensão dos R$ 510 mil é relevante por uma razão “distinta da mera suspeita patrimonial”. Segundo a representação reproduzida por Dino, o episódio indica que a liquidação das vantagens previstas nos contratos de R$ 500 mil, R$ 1 milhão e R$ 2 milhões “potencialmente se opera, ao menos em parte, por transporte físico de numerário, à margem do sistema financeiro”.
PF afirma que a apreensão dos R$ 510 mil pode indicar que valores previstos nos contratos investigados eram movimentados, ao menos em parte, em dinheiro vivo
A PF não afirma, porém, que os R$ 510 mil tenham origem comprovada nesses contratos.
Decisão cita encontro ligado ao Banco Master
A decisão também reproduz informação sobre mensagens e áudios que indicariam a participação de Cezinha na articulação logística de um “encontro reservado” em 14 de março de 2025, na Alameda Santos, 647, em São Paulo.
Segundo a PF, a reunião envolveu um “empresário do setor financeiro” e um “Ministro desta Suprema Corte”. O documento reproduz ainda uma mensagem atribuída a Cezinha ao interessado: “Ministro já está te esperando”.
Data, endereço e mensagem correspondem ao encontro entre Daniel Vorcaro e André Mendonça já revelado pela Fórum. As mensagens mostraram a participação de Cezinha na articulação para aproximar o então controlador do Banco Master do ministro do Supremo.
Para a PF, se confirmada, a informação indicaria que a intermediação de acesso a ministros de tribunais superiores “não constitui episódio isolado, mas prática reiterada do representado”.
PF cita encontro reservado articulado por Cezinha entre empresário do setor financeiro e ministro do STF; data, endereço e mensagem correspondem ao episódio envolvendo Daniel Vorcaro e André Mendonça
A própria PF registra que as informações sobre o encontro vieram de fontes abertas e ainda precisavam de confirmação documental. Por isso, foram usadas como reforço argumentativo, e não como fundamento autônomo das medidas solicitadas.
André Mendonça confirmou posteriormente que recebeu Daniel Vorcaro em março de 2025. Segundo o ministro, o encontro tratou da Suspensão de Tutela Provisória (STP) 976, processo envolvendo créditos de precatórios de interesse do Banco Master. Mendonça afirmou que apenas ouviu o empresário e que sua atuação posterior no processo foi contrária à posição defendida por Vorcaro.
Dino avoca investigação sobre os R$ 510 mil
Ao analisar o pedido da PF, Dino reconheceu conexão probatória entre os fatos investigados na Petição 13.428 e os inquéritos instaurados para apurar a apreensão do dinheiro em Congonhas.
No dispositivo da decisão, o ministro determinou a avocação para sua relatoria de “todos procedimentos investigativos, e seus incidentes, relacionados à constrição dos R$ 510.000,00 em espécie” ocorrida em 25 de agosto.
Dino também autorizou buscas em endereços ligados a Cezinha e à sociedade individual de advocacia de Valéria. A ordem permite a apreensão de dispositivos eletrônicos, documentos, registros financeiros e dinheiro em espécie em valores superiores a R$ 10 mil, além de outros bens que apresentem indícios de relação com os crimes investigados.
A decisão ressalta que os ministros mencionados nos diálogos não são investigados. Segundo a PF, não há nos elementos reunidos notícia de solicitação, aceitação ou recebimento de vantagem indevida por integrantes do Poder Judiciário, nem de ato jurisdicional praticado de forma irregular.

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