No 1º dia do Fórum de Lisboa, Cezinha se reuniu com advogadas de núcleo investigado por suposta venda de influência

No 1º dia do Fórum de Lisboa, Cezinha se reuniu com advogadas de núcleo investigado por suposta venda de influência
Fórum de Lisboa: Cezinha se reuniu com advogadas de núcleo investigado em Lisboa - Cezinha de Madureira, investigado...

No mesmo dia em que começava, na capital portuguesa, o XIII Fórum de Lisboa, o deputado federal Cezinha de Madureira (PL-SP) se encontrou na cidade com as advogadas Valéria Rodrigues Linhares e Mariângela Fialek, ex-assessora do ex-presidente da Câmara Arthur Lira (PP-AL). O encontro ocorreu em 2 de julho de 2025 e aparece na decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou medidas da Polícia Federal contra o parlamentar.
A decisão não informa onde, em Lisboa, ocorreu a reunião e tampouco afirma que o encontro tenha acontecido nas dependências ou durante alguma atividade do Fórum de Lisboa. A coincidência registrada documentalmente é de data e cidade: os três se encontraram em Lisboa justamente no primeiro dia do evento.
O XIII Fórum de Lisboa foi realizado entre 2 e 4 de julho de 2025 na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa. Organizado pelo IDP, pelo Lisbon Public Law Research Centre e pela FGV Justiça, o encontro jurídico-acadêmico reuniu autoridades, acadêmicos, empresários e representantes dos Poderes brasileiros. Na abertura estavam, entre outros, o ministro Gilmar Mendes, do STF, o presidente da Câmara, Hugo Motta, e o então primeiro vice-presidente do Senado, Eduardo Gomes.
Fórum de Lisboa começou no dia do encontro
Segundo a decisão de Dino, Cezinha e Valéria embarcaram juntos em 30 de junho de 2025 no voo AD8900, no trecho Campinas-Lisboa, sob o mesmo localizador de reserva. Eles desembarcaram na capital portuguesa em 1º de julho.
No dia seguinte, 2 de julho, encontraram-se pessoalmente com Mariângela Fialek. O documento afirma que a advogada enviou sua localização antes da reunião e, posteriormente, registrou nas conversas três mensagens: “Me deve essa”, “Só veio e agarrou na solução kkkkk” e “E eu sigo na prateleira”.
A decisão não esclarece a que Fialek se referia ao mencionar a “solução”, nem aponta o assunto tratado pelos três durante o encontro em Portugal.
O episódio aparece em um trecho no qual a Polícia Federal procura demonstrar o que chama de “comunhão de interesses” entre Cezinha e as duas advogadas. A viagem e o encontro são apresentados pela investigação como elementos adicionais da relação existente entre os três.
PF investiga divisão de funções entre os três
A investigação sustenta que Cezinha, Fialek e Valéria atuavam de forma articulada em processos judiciais. Segundo a estrutura descrita pela PF e reproduzida por Dino, Fialek seria responsável por captar e formalizar causas e elaborar memoriais; Valéria redigiria e revisaria contratos de honorários e cessões de crédito; enquanto Cezinha realizaria o suposto contato pessoal com ministros de tribunais superiores.
Em outros diálogos encontrados no celular de Fialek, Cezinha afirma ter “falado”, “despachado” ou que seria atendido por ministros. Paralelamente, segundo a investigação, eram celebrados contratos de honorários condicionados ao resultado de processos.
A apuração mira uma possível estrutura de “comercialização de influência” junto a ministros do STF, do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). São investigadas suspeitas de exploração de prestígio, tráfico de influência, corrupção passiva e lavagem de dinheiro.
A Fórum já mostrou que os diálogos reunidos pela PF citam contatos de Cezinha com ministros e memoriais relacionados a processos em tramitação no Supremo.
O próprio documento, entretanto, faz uma ressalva expressa: os magistrados mencionados não são investigados. A PF afirma não ter encontrado indícios de solicitação, aceitação ou recebimento de vantagem indevida por ministros, nem elementos que indiquem decisões judiciais tomadas de maneira irregular.
Segundo a investigação, o foco está na eventual cobrança de valores a pretexto de exercer influência sobre autoridades, crime que pode existir independentemente de o agente público citado ter conhecimento da negociação.
Mensagens foram encontradas no celular de Fialek
Os diálogos que deram origem a essa linha de investigação foram obtidos a partir do telefone celular de Mariângela Fialek, apreendido pela PF em dezembro de 2025 durante a Operação Transparência. O aparelho foi submetido a perícia, e a Polícia Federal afirma que a integridade do material foi atestada por código hash.
Fialek trabalhou como assessora de Arthur Lira e chegou a ocupar a chefia da assessoria especial da Presidência da Câmara quando o deputado alagoano comandava a Casa. Ela já era investigada pela PF no inquérito sobre a destinação de emendas parlamentares.
Na decisão que autorizou as novas buscas, Dino afirmou haver “fundadas razões” para o aprofundamento da investigação. A Polícia Federal sustenta que ainda precisa esclarecer os fluxos financeiros, contratos e a existência de outros processos que poderiam ter sido objeto de intermediação.
Cezinha negou irregularidades após a deflagração da nova fase da operação e afirmou ter confiança na Justiça. A defesa de Valéria informou que buscaria acesso integral aos autos antes de se manifestar sobre as acusações.

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