Zettel, Master e Lagoinha: documentos contradizem versão de Valadão sobre finanças da igreja e doação de R$ 19 milhões

Zettel, Master e Lagoinha: documentos contradizem versão de Valadão sobre finanças da igreja e doação de R$ 19 milhões
Fabiano Zettel e pastor André Valadão - Foto: Montagem/Revista Fórum/Youtube/Alan Santos/Presidência da República

Documentos e comunicações da contabilidade da Lagoinha Global, entidade ligada à Igreja Batista da Lagoinha, indicam que a organização exigia informações detalhadas sobre as movimentações financeiras de suas igrejas locais.
Os registros vieram a público após a divulgação de doações que acumulam mais de R$ 19 milhões feitas pelo empresário Fabiano Zettel à Lagoinha Belvedere, em Belo Horizonte. As informações são do jornalista Demétrio Vechiolli, do Metrópoles.
Zettel foi sócio de Daniel Vorcaro, o dono do Banco Master, e foi o maior doador de campanha de 2022 para Tarcísio de Freitas, atual governador de SP, e Jair Bolsonaro, então candidato à reeleição e hoje preso.
Segundo a reportagem de Vechiolli, as unidades da denominação deveriam informar à estrutura global dados sobre suas operações financeiras. Entre as exigências estavam notas fiscais emitidas pela igreja, extratos bancários e planilhas utilizadas no controle das receitas e despesas.
As igrejas também precisavam registrar a arrecadação de cada culto, com a discriminação dos valores recebidos por diferentes meios, como cartão de crédito, Pix e dinheiro. Os documentos mencionados pela reportagem indicam ainda a existência de multa para unidades que deixassem de fornecer as informações solicitadas.
O sistema incluía uma prestação de contas vinculada a cada culto. Uma “ata de registro” deveria identificar a igreja, a data e o horário da celebração, além de detalhar as receitas. O documento também registrava o chamado “repasse à convenção”, com informações sobre as contas bancárias utilizadas, incluindo instituições como Santander e Itaú.
A documentação citada pela reportagem afirma ainda que a Lagoinha tinha como prática receber 15% da receita bruta de cada sede. O repasse à convenção Global deveria ser realizado depois de cada culto. Os registros precisavam ser assinados pelo pastor, pelo tesoureiro e pelo diácono da unidade.
As informações contrastam com declarações recentes do pastor André Valadão, líder da Lagoinha Global.
Após a divulgação da doação de Zettel, ele afirmou que as igrejas possuem estruturas jurídicas, administrativas e financeiras próprias e que a organização global não administra as contas bancárias das unidades locais.
“A Lagoinha hoje está presente em muitas cidades e países. Cada igreja possui sua própria estrutura jurídica, administrativa e financeira. Cada unidade tem sua presidência local, sua contabilidade, suas contas, suas receitas, suas despesas, e a responsabilidade pela administração de tudo”, afirmou Valadão em publicação nas redes sociais.
O pastor também declarou que a liderança não tinha conhecimento da dimensão dos valores movimentados por Zettel. Segundo ele, o empresário dizia que estava realizando investimentos, reformas e melhorias no prédio da Lagoinha Belvedere.
Valadão afirmou ainda que Zettel foi afastado das atividades pastorais após surgirem informações públicas relacionadas ao Banco Master. Em março, depois da prisão de Daniel Vorcaro, as atividades da Lagoinha Belvedere foram encerradas.
“A Lagoinha não compactua com a ilegalidade, não tem interesse em impedir que os fatos sejam esclarecidos”, declarou.

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