Chapa de Lula pede cassação das campanhas de Flávio Bolsonaro, Alfredo Gaspar e Mario Frias

Chapa de Lula pede cassação das campanhas de Flávio Bolsonaro, Alfredo Gaspar e Mario Frias
Flávio Bolsonaro e Alfredo Gaspar - Flávio Bolsonaro e Alfredo Gaspar/Foto: Evaristo Sá/AFP

A coligação “O Brasil Pronto pra Mais”, formada pelo PT e partidos aliados, acionou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra Flávio Bolsonaro (PL), Alfredo Gaspar (PL) e Mario Frias (PL). A alegação é de que uma rede de páginas de apoio no Instagram estaria sendo utilizada para ampliar a divulgação de conteúdo eleitoral.
A representação, apresentada neste domingo (20), sustenta que a estratégia teria como base as chamadas “collabs”, ferramenta que permite a publicação conjunta de um mesmo conteúdo em diferentes perfis. Para a coligação, a utilização recorrente desse recurso aproximaria contas vinculadas a candidaturas de páginas de apoio que não aparecem formalmente como integrantes das campanhas.
O estudo apresentado ao tribunal mostra que a quantidade de publicações colaborativas identificadas na rede aumentou de 492, em 7 de setembro, para 1.826, em 17 de setembro. O levantamento aponta crescimento simultâneo no número de contas envolvidas: eram 324 no primeiro corte e passaram a 492 dez dias depois.
Também aumentou a quantidade de combinações entre diferentes coautores. O estudo contabilizou 1.554 pares distintos no primeiro levantamento e 2.603 na atualização. A soma dos seguidores dos perfis monitorados passou de 130,9 milhões para 147,4 milhões.
Esse último número, contudo, não significa que a rede tenha alcançado 147,4 milhões de pessoas. Os próprios pesquisadores alertam que há sobreposição entre os públicos das contas e que a soma não corresponde a usuários únicos, visualizações ou alcance efetivo.
A expansão da rede foi identificada a partir do monitoramento dos feeds de 13 perfis. Nesse recorte, os pesquisadores encontraram 1.334 novas collabs entre 8 e 17 de setembro, até as 18h14 do último dia. A média calculada foi de cerca de 140 publicações diárias durante os nove dias completos analisados.
O levantamento inicial havia encontrado 508 publicações únicas, das quais 492 eram collabs. As contas foram organizadas em 13 grupos. Entre elas estavam 74 perfis classificados pelos pesquisadores como relacionados a candidaturas ou campanhas. Essas contas participaram de 207 das publicações colaborativas identificadas na primeira etapa.
Padrão de coautorias
A repetição das mesmas combinações de contas é um dos pontos destacados na ação apresentada ao TSE. Segundo o estudo, quase metade das collabs do primeiro levantamento, 44,3%, utilizava exatamente os mesmos conjuntos de coautores.
Com a ampliação do período analisado, a proporção subiu para 68,6%. Em um dos padrões mais frequentes, os mesmos seis perfis apareceram juntos em 63 publicações.
O perfil oficial de Mario Frias é citado como exemplo. Ele aparece em dez collabs no levantamento, sendo nove delas realizadas em parceria com o perfil @flaviobolsonaroapoio.
Para a coligação, a repetição das associações entre contas de campanha e páginas de apoio pode indicar uma estratégia coordenada de distribuição de propaganda. A acusação é de que a publicação simultânea em diferentes perfis permitiria que o conteúdo chegasse aos seguidores de todas as contas envolvidas.
A petição afirma ainda que esse tipo de operação poderia explorar a forma como o Instagram distribui conteúdos e reduzir o efeito das restrições aplicadas às contas eleitorais pelos sistemas de recomendação da plataforma.
Venda de produtos
Outro elemento incluído na representação é a existência de páginas que, além de publicar conteúdo relacionado à eleição, direcionariam usuários para anúncios comerciais.
Segundo a coligação, foram encontradas 11 contas com links para produtos relacionados à eleição vendidos pela Shopee. Nove delas pertenciam a um dos grupos identificados no estudo e reuniam mais de 10 milhões de seguidores.
A partir dessas informações, a coligação pediu ao TSE que determine a preservação de dados pela Meta. Entre os registros solicitados estão informações cadastrais, dados de acesso, metadados das coautorias e elementos que permitam identificar contas relacionadas aos perfis investigados.
Também foram solicitadas medidas referentes aos links comerciais encontrados nas páginas.
Ao final do processo, a coligação pede que o tribunal determine a cassação dos registros de candidatura de Flávio Bolsonaro, Alfredo Gaspar e Mario Frias. A representação enquadra os fatos, segundo sua tese, como uso indevido dos meios de comunicação social e abuso dos poderes econômico e político. O pedido inclui ainda a declaração de inelegibilidade dos candidatos por oito anos.
Os próprios pesquisadores fazem, entretanto, uma ressalva sobre o que os dados permitem afirmar. A existência de uma collab não demonstra, sozinha, quem administra uma página, quem determina seu conteúdo ou se existe qualquer tipo de pagamento.
O estudo também diferencia a participação em uma publicação da integração formal a uma campanha. Segundo os documentos, a coautoria comprova que os perfis compartilharam uma determinada publicação, mas titularidade, comando e eventual remuneração precisam ser demonstrados por outras evidências.
Além disso, como o monitoramento não abrangeu todos os perfis da rede durante todo o período, os pesquisadores classificam os números mais recentes como uma estimativa mínima da atividade identificada.

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