União aponta irregularidades em processo sobre mansão em disputa entre Richarlison e Willer Tomaz

União aponta irregularidades em processo sobre mansão em disputa entre Richarlison e Willer Tomaz
- Jogador Richarlison e advogado Willer Tomaz. Foto: PEDRO MARTINS / AGIF / AGIF VIA AFP e Edilson Rodrigues/Agência...

A Secretaria do Patrimônio da União (SPU) identificou irregularidades na transferência da mansão em disputa entre o jogador Richarlison e o advogado Willer Tomaz, localizada na Ilha Comprida, em Angra dos Reis (RJ). O órgão apontou suspeitas sobre a “celeridade” do processo em 2022 e encaminhou o material à Controladoria Geral da União (CGU) e à Polícia Federal para apuração. O imóvel já está bloqueado por decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), no âmbito de uma investigação de lavagem de dinheiro contra Tomaz.
A SPU identificou que a Certidão de Autorização para Transferência (CAT) do imóvel foi emitida uma hora e 40 minutos após o requerimento, protocolado às 11h33 do dia 11 de julho de 2022 pela empresa que vendeu a propriedade à WT Administração, de Willer Tomaz. 
Segundo a SPU, a certidão não seguiu o trâmite padrão ao ser emitida de forma manual, após a empresa alegar falha no sistema. Além da velocidade e do procedimento fora do comum, a SPU questiona a própria base da autorização. A certidão teria sido respaldada em decisão judicial de uma ação de reintegração de posse, mas os autos dessa decisão não foram integralmente juntados ao processo administrativo do órgão, o que compromete a rastreabilidade da autorização.
Bloqueio judicial e investigações
Em decisão de 23 de outubro, o ministro Alexandre de Moraes determinou a indisponibilidade de R$ 6 bilhões em bens de Willer Tomaz, incluindo a mansão em Angra dos Reis. O bloqueio abrange bens móveis, imóveis, aviões e barcos, e já foi averbado no registro do imóvel, que não pode ser negociado até nova ordem judicial.
A medida se insere na investigação da Polícia Federal sobre suspeitas de lavagem de dinheiro relacionadas a negócios de Tomaz envolvendo o mercado de apostas esportivas, as chamadas bets. A averbação do bloqueio no registro da mansão torna o impedimento imediatamente oponível a terceiros, inviabilizando qualquer tentativa de transferência enquanto a investigação avança.
O que dizem os envolvidos e próximos passos
Diante das irregularidades identificadas, a SPU encaminhou o material à CGU para “avaliação da regularidade e da integridade dos procedimentos” e à Polícia Federal para apuração criminal. O órgão também acionou o Ibama para verificar denúncias de crimes ambientais na ilha.
O caso chegou à SPU por meio de uma representação do deputado federal Rogério Correia (PT-MG).
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A disputa entre Willer Tomaz, amigo de Flávio, e Richarlison
Uma mansão no valor R$ 10 milhões localizada na Ilha Comprida, em Angra dos Reis, é o centro de uma disputa judicial que envolve o advogado Willer Tomaz, amigo íntimo do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o atleta Richarlison, ex-seleção brasileira.

Em uma trama que envolve disputas judiciais e movimentos suspeitos da Secretaria do Patrimônio da União, o caso pode ser uma pedra no sapato da campanha à presidência do candidato do bolsonarismo.

O caso, que veio a público em setembro de 2022 em reportagem do Metrópoles assinada pelo colunista Guilherme Amado,  mas ganhou novos contornos a apresentação de uma notícia-crime à Polícia Federal pelo deputado Rogério Correia (PT-MG), que pede a quebra dos sigilos bancário e fiscal de Flávio Bolsonaro. Nessa matéria, vamos explicar tudo sobre o caso.
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