Marcos Coimbra considera que Lula vai ganhar no 1º turno

Marcos Coimbra considera que Lula vai ganhar no 1º turno
- Marcos Coimbra no Fórum Onze e Meia - Foto: Frame TV Fórum/Programa Fórum Onze e Meia

O sociólogo, cientista político e presidente do Instituto Vox Populi, Marcos Coimbra, considera que o presidente Lula (PT) vai ganhar a eleição no primeiro turno, que será realizado neste domingo (4). Ele analisou o cenário político atual durante participação no Fórum Onze e Meia desta sexta-feira (2).
“Por tudo que eu tenho falado, sou obrigado a dizer: acho que Lula ganha no primeiro turno. É mais do que possível, é provável. Não quer dizer certeza, é claro, estou fazendo uma suposição”, destacou Coimbra.
Questionado sobre as razões que o levam a fazer essa avaliação, afirmou: “É provável, porque ele se beneficia, primeiro, porque já está na frente, e eu acho que é um certo consenso que, salvo uma ou outra pesquisa, ele está na frente em todas as pesquisas mais relevantes”.
Em segundo lugar, continuou o cientista político, “os fatores que impulsionaram o Bolsonaro na última eleição estão, desta feita, do lado de Lula. A incumbência que levou Bolsonaro a quase empatar com Lula, hoje, é de Lula. Ele é que é o incumbente. Ele é quem vai disputar a eleição no cargo e o filho do Bolsonaro é um ilustre desconhecido. Ele vai ter o voto de quem detesta o PT, que não é pouca coisa. Mas, desta feita, esses fatores beneficiam Lula. Por isso é que ele é favorito, com chances de resolver no primeiro turno”, acrescentou.
Coimbra comparou o panorama com a eleição presidencial passada. “Tivemos uma surpresa em 2022. Na sexta-feira, antes do primeiro turno, os institutos principais publicaram pesquisas e basta olhar os resultados. Davam uma vantagem para Lula em relação a Bolsonaro de, no mínimo, 14, e, no máximo, 16 pontos. Todo mundo sabe que isso não aconteceu. Um fator não identificado provavelmente atuou. Minha suposição é que esse voto adicional que o Bolsonaro recebeu na urna, não antecipado pelas pesquisas, veio de um tipo de eleitor não identificado nas pesquisas”.
Porém, ele acredita que o momento agora é diferente. “O voto consolidado em Lula é mais significativo, a gente tende a ver isso no voto espontâneo, e adicionalmente ele vem com a força da incumbência que costuma ser decisiva”, apontou.
Coimbra ainda analisou o desempenho do PT em eleições para presidente. “O PT nunca fez menos do que 45% do voto presidencial. Estou falando do século 21. De 2002 para cá, a pior performance do PT foram os 45% que o Haddad teve na eleição de 2018. E o PT, nesse período, nunca fez mais do que 60%. O que significa dizer que existe 40% do eleitorado brasileiro que nunca votou no PT nem se tivesse pintado de ouro”.
Em relação à parcela de indecisos, o sociólogo relatou que todas as pesquisas mostram que esse eleitorado decide muito tarde.
“Tarde mesmo, na manhã de domingo. A grande maioria dessas pessoas decide em cima de temas de interesse imediato para elas. Por esse imediatismo há uma tendência grande desse voto ser motivado por quem está no governo. A razão de termos taxas de reeleição tão elevadas é porque há pessoas que usam raciocínios simples para escolher a pessoa que lhes parece mais próxima de conseguir fazer aquilo que ela diz que vai fazer”, analisou.
“As discussões ideológicas, se é de esquerda ou de direita, são praticamente irrelevantes para esse eleitorado, porque a desinformação e o desinteresse fazem com que elas não tenham identidade político-ideológica. Sempre acreditei que o Lula tem um grande favoritismo junto a esse eleitor, a esse tipo de processo de escolha e é, portanto, quem tem mais chance de ter mais voto do que parece, inclusive de pessoas que não responderam pesquisa”, acrescentou Coimbra.
Minas Gerais
Indagado se o fato de Lula estar ligeiramente à frente nas pesquisas realizadas em Minas Gerais, segundo maior colégio eleitoral do Brasil, tem peso significativo no resultado geral, o cientista político fez sua análise.
“Um conjunto de pesquisas indica uma probabilidade relevante de Lula ter um bom desempenho no estado. Sair na frente com uma margem mais dilatada do que o pai do Flávio Bolsonaro teve na eleição anterior. Lula ganhou a eleição de 2022 em Minas por uma parcela muito pequena, mas suficiente. Mas a tal vitória ou derrota nos estados não tem muito significado, porque importante é o volume de votos que você sai de um estado com um eleitorado grande. E é isso que, ao que tudo indica, Lula voltará a ter em Minas”.
Assista entrevista completa de Marcos Coimbra

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