O Senado Federal inicia nesta terça-feira (6) a discussão da Proposta de Emenda à Constituição que acaba com a escala 6×1, depois que o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), manteve a pauta apesar da pressão da oposição. A articulação para barrar a PEC passa diretamente pelo núcleo da campanha de Flávio Bolsonaro (PL): Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da candidatura, lidera a ofensiva para esvaziar o plenário junto a entidades empresariais. O governo Lula, por sua vez, insiste em aprovar a medida ainda nesta semana, mas o cenário ficou mais adverso após o resultado do primeiro turno das eleições.
Senado mantém pauta da PEC da 6×1
Davi Alcolumbre não recuou. Mesmo sob pressão crescente da oposição e com o resultado eleitoral do domingo (4) ainda repercutindo em Brasília, o presidente do Senado manteve o início das discussões sobre a PEC da 6×1 para esta terça-feira (6). Alcolumbre agendou três sessões plenárias de discussão para a semana, período em que governo e oposição devem medir forças antes da votação em plenário.
O ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, foi enfático na segunda-feira (5): o governo Lula mantém o plano de aprovar a PEC ainda nesta semana. Questionado sobre o impacto do resultado eleitoral na disposição de Alcolumbre, Guimarães descartou qualquer mudança de rota. “Não mudou nada, a eleição está empatada. São 2% e vamos para cima. Essa matéria é de interesse do Brasil, não de candidato A ou B”, afirmou o ministro. Guimarães deve buscar Alcolumbre e outros líderes nesta terça para tentar viabilizar um acordo que acelere o rito de votação.
Mobilização da oposição e campanha de Flávio Bolsonaro
A resistência à PEC tem endereço certo: o núcleo político da campanha de Flávio Bolsonaro. Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da candidatura presidencial de Flávio e líder da oposição no Senado, está na linha de frente da articulação para adiar a votação ou esvaziar o plenário. Marinho já havia votado contra a PEC na Comissão de Constituição e Justiça, e a atuação desta semana segue o mesmo padrão de setembro, quando o líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues, denunciou uma mobilização semelhante articulada por Flávio e pelo próprio Marinho.
A estratégia envolve também entidades empresariais dos setores de comércio, serviços e indústria, que passaram a pressionar senadores para que não compareçam à sessão de votação, impedindo o quórum mínimo necessário ao governo.
A posição de Flávio Bolsonaro não é nova. Em maio, o senador classificou a discussão sobre o fim da 6×1 como “inoportuna e eleitoreira” e não compareceu à votação da matéria na CCJ. Como alternativa, assinou a PEC 12/2026, de autoria de Marinho, que preserva o limite de 44 horas semanais e permite ao trabalhador optar por remuneração proporcional às horas efetivamente trabalhadas, com jornada definida por contrato individual, abrindo brecha para que o trabalhador não tenha sequer um dia de folga na semana.
Impacto dos resultados eleitorais e próximos passos
O primeiro turno das eleições tornou o caminho da PEC mais estreito. O PL elegeu 19 senadores no domingo e chegará a 2027 como a maior bancada da Casa, com 28 congressistas. O resultado reforçou a posição da oposição e reduziu a pressão eleitoral sobre senadores que já se reelegeram ou perderam suas disputas no domingo.
Para ser aprovada, a PEC precisa de votos de 49 dos 81 senadores em dois turnos de votação. Sem um acordo para encurtar o rito, serão necessárias cinco sessões de discussão antes da primeira votação e mais três antes da segunda, embora esse intervalo costume ser reduzido por acordo entre as lideranças, com os dois turnos ocorrendo no mesmo dia.
A disputa em torno da 6×1 se converteu, portanto, em mais um front do embate político do segundo turno: de um lado, o governo Lula defendendo uma de suas principais bandeiras trabalhistas; do outro, o grupo de Flávio Bolsonaro atuando ativamente para impedir sua aprovação antes do dia 25.
Fim da escala 6×1: Alcolumbre mantém análise para esta terça e frustra Flávio Bolsonaro, que tenta barrar proposta
💬 Comentários (0)
Seja o primeiro a comentar!