Investigado pela Polícia Federal como um dos principais lobistas de Daniel Vorcaro, que o tratava de “irmão da vida”, Ciro Nogueira (PP-PI) recebeu uma ligação de Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro (PL), ainda na noite de domingo (4), quando amargava a derrota na disputa ao Senado pelo Piauí.
Fora do Congresso, Ciro Nogueira estará nesta terça-feira (6), em Brasília, para negociar com a campanha de Flávio Bolsonaro uma possível volta ao centro do poder em troca do apoio do PP. Ex-ministro da Casa Civil de Jair Bolsonaro, quando era classificado pelo Centrão como “presidente de fato”, o presidente do PP já declarou apoio “total e irrestrito” ao senador.
“Todo mundo sabe. Votei no Flávio, tenho uma lealdade ao presidente Bolsonaro, acho que o Brasil seria um ciclo maravilhoso que pode se encerrar. Acho que o Lula já cumpriu o seu papel, acho que o momento também do Flávio cumprir, ele disse que vai ser contra a reeleição, cumprir apenas um mandato. Acho que temos que virar essa página dessa disputa, dessas brigas e cuidar do nosso povo que é o que é mais importante. Vou defender amanhã que o partido feche apoio ao Bolsonaro no segundo turno, mas é uma decisão que vai acontecer amanhã, quem toma essa decisão são os nossos executivos, os deputados e senadores”, disse Nogueira à TV Cidade Verde, do Piauí, logo pela manhã de segunda-feira (5), após conversa com Marinho na noite anterior.
Escanteado pelo clã Bolsonaro durante o primeiro turno após aparecer em fotos e mensagens com Daniel Vorcaro, pivô do escândalo do Banco Master, Nogueira acenou para Flávio Bolsonaro para colocar a máquina da federação PP-União na campanha.
“Eu tenho um poder de liderança muito grande. Vamos deixar para amanhã, amanhã a gente decide e eu também não quero antecipar. Mas a minha posição é total e irrestrita a Flávio Bolsonaro”, afirmou, lembrando o comando que tem sobre grande parte do Centrão.
Após a derrota para Marcelo Castro (MDB) e Júlio Cesar (PSD) na disputa ao Senado, sinalizou que deve atuar apenas nos bastidores da política no segundo turno. A ideia é não se expor ao lado de Flávio Bolsonaro até mesmo pelo desgaste causado pela relação com Vorcaro.
Caiado e Zema
Flávio Bolsonaro estará nesta terça-feira em Goiás para anunciar o apoio de Ronaldo Caiado (PSD), que obteve 2,6 milhões de votos (2,18%) no primeiro turno.
Na última semana de campanha, Pablo Marçal atuou como interlocutor de Flávio Bolsonaro e ofereceu a Caiado o Ministério da Segurança Pública em troca da desistência da candidatura antes da votação no domingo (4).
Romeu Zema (Novo), que teve 0,27% dos votos (326.488) declarou apoio a Flávio Bolsonaro logo após a derrota nas urnas.
Ciro Nogueira, “irmão” de Vorcaro, declara apoio a Flávio Bolsonaro e negocia ministério
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