Ofensiva contra o STF: PL declara impeachment de Moraes “inegociável” e mira também em Dino

Ofensiva contra o STF: PL declara impeachment de Moraes “inegociável” e mira também em Dino
Se eleito, Flávio Bolsonaro e PL devem remover Moraes e Dino do STF - Foto: Douglas SHINEIDR / AFP)

Setores do PL e da campanha de Flávio Bolsonaro já começaram a desenhar a estratégia para 2027 a partir da nova composição do Congresso. Nesse grupo, o impeachment de Alexandre de Moraes é tratado como ponto inegociável, com planos concretos de ofensiva no Senado contra o ministro do Supremo.
O partido rejeita qualquer acordo político com o STF e pretende levar adiante, em 2027, pedidos de impeachment contra Moraes e também contra Flávio Dino. A estratégia em relação a Dino, segundo o portal, dependerá da atuação do ministro diante de eventuais questionamentos sobre resultados eleitorais e investigações conduzidas pelo próprio Supremo.
Os números apresentados pelo PL reforçam a seriedade da ameaça: segundo o Portal Terra da Luz, a legenda afirma ter 49 votos favoráveis ao impeachment de Moraes e busca mais cinco para alcançar os 54 necessários para afastar um ministro do STF. O partido deve iniciar 2027 com 28 senadores, a maior bancada da Casa, o que torna a conta ao menos plausível no papel. A ofensiva, que durante anos funcionou como bandeira eleitoral, passa a ser projetada como pauta concreta do Legislativo.
Aliados do candidato do PL à Presidência avaliaram ter identificado sinais de integrantes do STF favoráveis à construção de pontes políticas, que poderiam envolver a revisão da prisão de Jair Bolsonaro e a aceitação de uma possível anistia aos condenados pelos atos de 8 de janeiro. Ainda assim, o PL declarou não aceitar acordo algum quando o assunto é o impeachment de Moraes.
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A reação do STF e a Moraes
No Supremo, a leitura é de cautela, segundo apuração do G1. Ministros ouvidos pelo veículo afirmam que é preciso aguardar a acomodação das novas bancadas no Congresso antes de avaliar a real força da ala bolsonarista. O argumento central é que nem todo senador eleito sob o rótulo “bolsonarista” integra o núcleo mais radical do grupo, e que pendências judiciais de parlamentares, além de possíveis desdobramentos de investigações em curso, precisam ser considerados nas contas sobre a atuação do novo Senado.
Essa leitura é relevante porque os números brutos favorecem o discurso do PL, mas a conversão de bancada em votos para impeachment é uma equação política muito mais complexa. Parte dos senadores próximos ao campo bolsonarista tem posições mais moderadas e não forma, hoje, um bloco automático, segundo o G1.
Diante desse cenário, já há no STF quem defenda a construção de acordos políticos com setores mais moderados da direita, de acordo com o G1. A estratégia seria isolar o núcleo mais radical e preservar canais de diálogo com o Centrão. O problema é que, do lado do PL, a resposta é direta: quando o assunto é o impeachment de Alexandre de Moraes, não há negociação. A tensão entre os dois poderes, portanto, chega a 2027 sem sinal claro de distensão.

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