Médica que orientou colegas de hospital a não dar alta a pacientes petistas no 1º turno é afastada

Médica que orientou colegas de hospital a não dar alta a pacientes petistas no 1º turno é afastada
Médica que orientou colegas de hospital a não dar alta a pacientes petistas no 1º turno é afastada 1

A médica Marcella Segato de Sousa Melo, chefe da ginecologia e obstetrícia do Hospital Municipal da Mulher e Maternidade Célia Câmara (HMMCC), em Goiânia, foi afastada temporariamente de suas funções após enviar, em 2 de outubro, uma mensagem em grupo de WhatsApp de profissionais da unidade orientando a não dar alta a pacientes durante o fim de semana do primeiro turno das eleições, sob a alegação de que “a maioria é petista”. O caso veio a público com a divulgação dos prints pela TV Anhanguera, desencadeando apurações simultâneas do hospital, da Secretaria Municipal de Saúde, do Conselho Regional de Medicina e do Ministério Público Federal.
Médica é afastada por orientação discriminatória
Na tarde de sexta-feira, 2 de outubro, dois dias antes do primeiro turno das eleições, Marcella Segato de Sousa Melo usou um grupo de WhatsApp que reunia médicos e estudantes de medicina do HMMCC para dar uma instrução direta aos colegas que estariam de plantão no fim de semana: “Quem estiver na enfermaria sábado e domingo, não dar alta para ninguém, a maioria é petista.”
A mensagem não ficou isolada. Outros profissionais no mesmo grupo fizeram comentários de teor político semelhante: uma médica ginecologista e obstetra escreveu “Quem não votar 22 não tá liberado da escala”, e outro médico respondeu que quem não votasse “nem finaliza o rodízio”, referindo-se ao período de estágio prático de internos e residentes. Segundo os prints divulgados inicialmente pela TV Anhanguera, os 12 participantes do grupo reagiram com emojis de risada, joinha e bandeira do Brasil, e ao menos um colega respondeu “Combinado”. Após a repercussão, Marcella classificou a mensagem como “uma brincadeira feita em um grupo privado”. O hospital confirmou o afastamento da médica em nota divulgada na segunda-feira (5).
Mensagem enviada pela médica no grupo de WhatsApp (Foto: Reprodução)
Repercussão
O HMMCC reconheceu o episódio, mas tratou as mensagens como “manifestações de caráter pessoal” dos participantes do grupo privado, afirmando que não representam a posição da administração nem da organização social responsável pela gestão da unidade. Em nota, o hospital reafirmou que decisões sobre alta devem seguir exclusivamente critérios clínicos, técnicos, éticos e de segurança, independentemente de convicções políticas dos pacientes, e anunciou a abertura de procedimentos internos com garantia de contraditório.
A Secretaria Municipal de Saúde de Goiânia informou que adotou medidas administrativas para apurar a conduta e reforçou às equipes a orientação de garantir atendimento ético, adequado e respeitoso a todos os usuários do SUS. O Conselho Regional de Medicina do Estado de Goiás (Cremego) declarou que denúncias sobre conduta ética de médicos tramitam em total sigilo e que solicitou esclarecimentos ao responsável técnico da instituição.
O caso chegou ao Ministério Público Federal. Segundo o advogado Alan Henrique Silva Marques, que apresentou a representação ao MPF, o conteúdo das conversas foi encaminhado por um interno de medicina subordinado à médica, que preferiu não ser identificado. A caracterização das mensagens como “brincadeira em grupo privado” não afasta a gravidade da conduta: orientar a retenção de pacientes internados com base em suposta preferência política viola os princípios de universalidade e equidade que sustentam o SUS.

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