Kátia Abreu explica por que pediu “mais Alckmim e menos Janja” na campanha de Lula

Kátia Abreu explica por que pediu “mais Alckmim e menos Janja” na campanha de Lula
Kátia Abreu - José Cruz/ Agência Brasil

Em participação ao vivo no programa Estúdio i, da GloboNews, nesta quarta-feira (7), a ex-senadora Kátia Abreu, responsável pela coordenação regional da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no Tocantins, veio a público esclarecer as contundentes observações que fez durante uma reunião fechada da alta cúpula petista, realizada na véspera, em Brasília.
O episódio veio à tona após apuração da colunista Bela Megale, do jornal O Globo, revelando que Kátia havia sinalizado a necessidade de calibrar a presença dos quadros da chapa nos palanques e na propaganda eleitoral. Sem recuar diante do vazamento do encontro reservado, a ex-parlamentar confirmou o diagnóstico apresentado aos correligionários, enfatizando que o foco do seu questionamento não é a atuação da primeira-dama Janja da Silva em si, com quem afirma não ter restrições pessoais, mas sim a urgência de projetar politicamente o vice-presidente Geraldo Alckmin.
Ao fundamentar sua avaliação sob a ótica estritamente pragmática da disputa eleitoral, a ex-senadora sustentou que a estratégia precisa valorizar mais os ativos políticos da candidatura para atrair o eleitorado de centro, reforçando que o protagonismo do vice deve corresponder ao seu peso na chapa:
“A primeira-dama está ocupando um espaço maior do que o vice-presidente. E não querendo desmerecê-la. Ao contrário, querendo enaltecer o vice-presidente Alckmin”, afirmou.
Kátia Abreu fez questão de ressaltar que seu posicionamento não decorre de qualquer atrito de ordem pessoal, enfatizando que seu convívio com a primeira-dama Janja da Silva é restrito. Para a coordenadora, o foco deve permanecer focado na atração de eleitores moderados e no centro político, onde a figura do vice-presidente exerce papel fundamental de interlocução com setores produtivos e financeiros.
Ao defender a necessidade de ajustes imediatos na condução da propaganda partidária, a ex-senadora destacou a importância de métricas concretas e postura realista no comitê:
“Eu estava ali como um agente político que pretende, quer ganhar, a eleição. Então, nisso aí, eu sou muito pragmática e objetiva. Se alguém está exorbitando negativamente num processo eleitoral, ele precisa ser chamado, né? Ou então fazem-se pesquisas e, se isso configurar um erro, tudo bem. Se não, continua o trem andando”, disse.
A ex-parlamentar argumentou que a bagagem política e o trânsito institucional do ex-governador paulista Geraldo Alckmin são ativos indispensáveis para consolidar a confiança do eleitorado indeciso, sobretudo no debate sobre os rumos do desenvolvimento e da responsabilidade fiscal do país.
Enaltecendo o perfil do vice na chapa e reafirmando a veracidade de sua fala no encontro a portas fechadas, Kátia concluiu:
“Na área de economia, por exemplo, o Alckmin dá show. Ele sabe conversar de igual para igual com qualquer pessoa. Então eu quis dizer que ela está maior do que o Alckmin na campanha e eu acho isso errado. Já que vazou, não pretendia que vazasse, mas também não vou desmentir uma opinião pessoal verdadeira. Repito: sem querer menosprezar ninguém”, afirmou.
O debate interno exposto por Kátia Abreu reflete as pressões pela recalibragem no tom da coordenação nacional da campanha de Lula neste segundo turno. Em um cenário eleitoral de disputa voto a voto, a busca pelo equilíbrio entre o apelo militante e a interlocução com o mercado e o eleitorado de centro tornou-se o principal desafio estratégico no comitê governista.

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